Pacientes poderão concentrar diagnóstico e tratamento no HAB
Pacientes com doenças raras poderão realizar consultas, exames, infusões e acompanhamento multiprofissional em um único espaço no Hospital de Apoio de Brasília, no Noroeste. O Governo do Distrito Federal anunciou nesta sexta-feira (26) a preparação de um novo edital para construir o bloco especializado, com investimento máximo previsto de R$ 36.897.301,22.
A assinatura realizada pela governadora Celina Leão autoriza o avanço do processo de contratação, mas não representa o início imediato da construção. O projeto ainda precisa passar pela publicação do edital, seleção da empresa, assinatura do contrato e execução dos serviços.
O novo prédio terá 4.005,72 metros quadrados e deverá reunir atividades que atualmente dependem de diferentes unidades da rede pública. A centralização busca reduzir deslocamentos, integrar equipes e organizar a linha de cuidado desde a investigação diagnóstica até o tratamento e o aconselhamento genético.
Ainda não foram divulgados o prazo previsto para conclusão da licitação, a data de início da obra nem o cronograma de entrega da unidade.
Licitação anterior foi suspensa pelo Tribunal de Contas
O anúncio marca uma retomada do projeto. A Novacap havia publicado, em setembro de 2025, a Concorrência Eletrônica nº 90007/2025 para construir e equipar o Bloco de Doenças Raras.
O certame tinha custo estimado de R$ 39.404.429,88, mas foi suspenso em dezembro por determinação do Tribunal de Contas do Distrito Federal.
A decisão exigiu que a Novacap corrigisse ou justificasse diferentes pontos do edital. Entre eles estavam a necessidade de estudos complementares sobre o terreno, o detalhamento da documentação técnica, as regras de comprovação da experiência das empresas e a metodologia de pontuação das propostas.
O tribunal também determinou a revisão da pesquisa de preços de equipamentos hospitalares e sistemas de climatização, além da apresentação de memórias de cálculo para determinados serviços.
O valor agora anunciado, de R$ 36,9 milhões, é inferior ao orçamento do processo suspenso. Como o novo edital ainda não estava disponível no portal de licitações durante a verificação, não foi possível comparar os documentos nem confirmar como cada exigência do controle externo foi incorporada.
Contratação reunirá projeto, construção e equipamentos
A seleção será realizada pelo regime de contratação integrada. Nesse modelo, a empresa ou o consórcio vencedor assume diferentes etapas do empreendimento.
A contratada ficará responsável pelos projetos básico e executivo de arquitetura e engenharia, pela obtenção de licenças, pela execução da obra e pela instalação dos equipamentos e mobiliários previstos.
Também caberá à empresa realizar testes, comissionamentos e procedimentos de pré-operação antes da entrega.
O modelo concentra responsabilidades contratuais, mas a qualidade final continuará dependendo da precisão do edital, da fiscalização da Novacap, do cumprimento das exigências técnicas e da capacidade de corrigir eventuais falhas durante a execução.
Bloco de doenças raras terá três níveis
A estrutura foi planejada para atender crianças, adultos, pessoas com deficiência, pacientes crônicos e familiares. O projeto prevê ambientes acessíveis e áreas destinadas à assistência, à pesquisa e à formação profissional.
Pavimento semienterrado concentrará atendimento
O pavimento semienterrado deverá reunir consultórios e salas de infusão. Essa área será destinada ao contato mais frequente com os pacientes e às etapas clínicas do acompanhamento.
As salas de infusão poderão receber tratamentos que exigem administração controlada de medicamentos e observação da equipe de saúde.
Laboratórios ficarão no pavimento térreo
O térreo deverá abrigar laboratórios especializados, recepção de amostras, áreas administrativas e um auditório.
O projeto prevê serviços de genética clínica, biologia molecular, citogenética, oncogenética, neurogenética, doenças metabólicas e triagem neonatal ampliada.
Também estão planejados espaços para educação permanente, pesquisa e articulação entre diferentes pontos da rede pública.
Área técnica manterá os sistemas do prédio
O terceiro nível será reservado aos equipamentos e sistemas necessários ao funcionamento da unidade, incluindo componentes de infraestrutura hospitalar.
A separação dessas instalações das áreas assistenciais busca facilitar a manutenção e reduzir interferências sobre o atendimento.
Hospital de Apoio já é referência em doenças raras
O Hospital de Apoio de Brasília é habilitado como Serviço de Referência em Doenças Raras no Sistema Único de Saúde.
A unidade oferece atendimento em genética, doenças neuromusculares, condições metabólicas, anomalias congênitas e deficiência intelectual associada a doenças raras.
A estrutura atual, porém, tem limitações físicas e depende de outros serviços da rede para completar determinadas etapas da assistência.
O novo bloco deverá integrar ambulatórios, laboratórios e salas de tratamento no mesmo endereço. Para pacientes e familiares, a mudança poderá reduzir a repetição de deslocamentos entre hospitais, laboratórios e unidades especializadas.
Cerca de 13 milhões de pessoas vivem com alguma condição rara no Brasil. Embora cada doença atinja um número reduzido de pacientes, o conjunto reúne milhares de condições distintas, muitas delas crônicas, progressivas e de difícil diagnóstico.
Teste do pezinho rastreia 62 condições no DF
O Laboratório de Triagem Neonatal do Hospital de Apoio analisa amostras do teste do pezinho ampliado.
O exame é capaz de rastrear 62 doenças metabólicas, genéticas, enzimáticas e endocrinológicas. Resultados alterados não representam, isoladamente, um diagnóstico definitivo. Eles indicam a necessidade de nova coleta, exames confirmatórios e avaliação especializada.
O rastreamento precoce permite iniciar intervenções antes do surgimento de sintomas ou de danos irreversíveis.
O diretor do HAB, Alexandre Lira, afirmou que a ampliação permitirá aproximar o rastreamento, a confirmação diagnóstica e o tratamento dentro da própria unidade.
Diagnóstico precoce mudou o atendimento de Levi
A centralização dos serviços tem impacto direto sobre famílias como a de Naiane Aparecida, de 30 anos, moradora de Sobradinho.
O filho dela, Levi, de 3 anos, foi identificado nos primeiros dias de vida com galactosemia clássica por meio do teste do pezinho.
A condição é um distúrbio genético no qual o organismo não consegue metabolizar adequadamente a galactose, açúcar que integra a lactose presente no leite. Sem intervenção rápida, a forma clássica pode provocar complicações graves ainda no período neonatal.
Levi passou a receber acompanhamento médico, exames, suporte psicológico e alimentação especial. O atendimento contínuo é indispensável porque o controle da doença exige restrição alimentar e monitoramento clínico.
“Desde o começo, eu sempre fui bem amparada, bem acolhida”, relata Naiane.
Para a família, reunir mais serviços no Hospital de Apoio poderá diminuir etapas de encaminhamento e facilitar o acompanhamento ao longo do desenvolvimento da criança.
Unidade também deverá apoiar pesquisa e formação
O projeto reserva áreas para pesquisa científica, capacitação de profissionais e produção de conhecimento sobre doenças raras.
O secretário de Saúde, Juracy Lacerda, afirmou que a concentração de especialistas e equipamentos poderá favorecer novas linhas de investigação.
A existência da estrutura física, contudo, não garante por si só a produção científica anunciada. O resultado dependerá da formação das equipes, de parcerias com universidades e centros de pesquisa, do financiamento de estudos e do acesso contínuo a tecnologias laboratoriais.
O material divulgado não detalha o número de profissionais que trabalharão no novo bloco, as vagas que serão criadas nem o impacto esperado sobre a fila de consultas e exames.
Hospital inaugura sala de densitometria óssea
Durante a cerimônia, o Hospital de Apoio também inaugurou uma sala de densitometria óssea.
O exame mede a densidade mineral dos ossos e é utilizado principalmente na investigação da osteoporose e de alterações metabólicas que aumentam o risco de fraturas.
A expectativa da direção do hospital é ampliar a capacidade de atendimento a pacientes do Distrito Federal e do Entorno. A unidade não informou quantos exames poderá realizar por mês nem o tamanho atual da fila.
Centralização precisa avançar além da construção
A concentração dos serviços pode reduzir uma das principais dificuldades enfrentadas por pessoas com doenças raras: a peregrinação entre consultas, laboratórios e diferentes unidades até a conclusão do diagnóstico.
O benefício, porém, somente será concretizado quando o edifício estiver concluído, equipado e acompanhado por equipes em número suficiente. Uma estrutura de referência também exige manutenção, insumos laboratoriais, medicamentos, protocolos de encaminhamento e integração com a atenção primária.
O novo edital representa uma etapa administrativa necessária, mas ainda distante da entrega do atendimento anunciado. Depois de uma licitação suspensa e de mais de uma década de reivindicações, o acompanhamento dos prazos, dos custos e das correções exigidas será tão importante quanto a assinatura que relançou o projeto.
Relacionadas, Fontes e documentos:
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– Pé diabético pode evoluir sem dor e levar à amputação (Fonte em Foco)
– Laboratório do Lacen reforça diagnóstico de tuberculose (Fonte em Foco)
– Opera DF chega a 5 mil cirurgias e Hran recebe obras (Fonte em Foco)
– Concorrência Eletrônica nº 90007/2025 (Novacap)
– Decisão nº 176/2026 sobre a suspensão da licitação (TCDF e DODF)
– GDF lança edital de R$ 36,9 milhões para construção de Bloco de Doenças Raras do Hospital de Apoio (Agência Brasília)

