45 cidades de São Paulo entram em alerta laranja para ventos de até 100 km/h nesta sexta-feira
O litoral do país, do estado de São Paulo ao Rio Grande do Sul, permanece em alerta laranja para vendaval e fortes chuvas nesta sexta-feira . O fenômeno, causado pela formação de um ciclone bomba sobre o Oceano Atlântico, também afeta áreas do sudoeste do Mato Grosso do Sul, sul de Minas Gerais e sul fluminense .
A Defesa Civil Nacional orienta moradores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste a acompanharem os canais oficiais de aviso . O serviço Defesa Civil Alerta envia mensagens automáticas para celulares compatíveis com redes 4G e 5G. Para receber os avisos por SMS, basta enviar o CEP para o número 40199 .
RS tem alerta vermelho com chuvas acima de 100 mm e risco de tornado
A previsão indica ventos superiores a 100 km/h e acumulados de chuva acima de 100 milímetros por dia no Rio Grande do Sul .
O estado gaúcho já registrou a ocorrência de um tornado no município de Pedro Osório na tarde de quinta-feira, seguido de tempestade . A Defesa Civil emitiu alerta laranja para a região às 15h50, indicando alto risco de destelhamento . Durante a madrugada, 19 municípios receberam notificação de alerta vermelho para tempestades severas . Até a publicação, cerca de 100 municípios reportaram danos, com quedas de árvores, obstrução de vias e danos em telhados e estruturas de residências .
A passagem do ciclone já deixou ao menos uma pessoa morta e cinco feridas no estado . A vítima foi registrada em Montenegro após a queda de uma árvore . Ao todo, 118 municípios gaúchos reportaram danos . No centro-sul do estado, o frio intenso favorece a ocorrência de geada, com temperaturas próximas de 0°C.
SP monta gabinete de crise e alerta para risco de incêndios
O governo de São Paulo instalou um gabinete de crise para acompanhar os efeitos da frente fria associada ao ciclone . As rajadas devem começar por volta das 14h desta sexta-feira, com ventos de até 60 km/h, podendo chegar a 100 km/h no litoral, na faixa leste e nas regiões de serra . No domingo, a ventania perde força e se desloca em direção ao Rio de Janeiro .
Ao todo, 45 municípios paulistas devem ser afetados, entre eles Guarujá, São Sebastião, Praia Grande, a capital paulista e São Bernardo do Campo . A Defesa Civil alerta para quedas de árvores, placas e outdoors, destelhamentos, interrupções no fornecimento de energia e danos a estruturas . As chuvas elevam o risco de alagamentos, enxurradas e deslizamentos de terra . Os ventos fortes ainda podem favorecer a propagação de incêndios, principalmente no sábado, com destaque para as regiões norte e noroeste do estado .
Sul do país soma 16 alertas para tempestades e vendavais
Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul acumulam 16 alertas relacionados ao clima para esta sexta-feira . O Paraná e Santa Catarina estão em alerta laranja para tempestades, com chuvas entre 30 e 60 mm por hora, ventos de 60 a 100 km/h e possibilidade de queda de granizo . As regiões com maior probabilidade de temporais severos são o Oeste Catarinense e o Planalto Sul .
A fase mais crítica do ciclone ocorre entre a sexta-feira e o sábado, quando a queda abrupta da pressão atinge níveis de bombogênese em alto-mar . Após a passagem da frente fria, uma massa de ar polar avança sobre o centro-sul do país, derrubando as temperaturas nos dias seguintes . A previsão indica queda entre 3ºC e 5ºC no Rio Grande do Sul, condição que deve se acentuar no sábado .
A normalização do risco climático como política de gestão
Não se trata de um evento isolado. O Sul do Brasil convive com ciclones extratropicais todos os anos, mas a intensificação desses fenômenos — potencializada pelo El Niño — escancara uma fragilidade estrutural: cidades que ainda não possuem sistemas de drenagem adequados, redes elétricas aéreas e vulneráveis, e uma população que, em muitos casos, recebe alertas tarde demais. A instalação de um gabinete de crise em São Paulo, embora necessária, é uma resposta tática a um problema estratégico .
A pergunta incômoda que o fenômeno repõe é: quantos avisos de “grande perigo” serão necessários até que a adaptação climática deixe de ser um item de orçamento secundário e se torne política pública de Estado? O ciclone bomba passa — como passou em 2023, 2024 e 2025 —, mas o histórico de danos, mortes e prejuízos acumulados permanece como testemunha silenciosa de uma omissão que também é cíclica.
Relacionadas, fontes e documentos:
– Defesa Civil reconhece emergência em quatro cidades gaúchas (Fonte em Foco)
– Manual anti-washing orienta comunicação ESG no Brasil (Fonte em Foco)
– Sabesp reduz pressão da água para oito horas em São Paulo (Fonte em Foco)
– Agrotóxicos e regras diferentes expõem dilema no Brasil (Fonte em Foco)
– Ventos extremos expõem falhas de adaptação nas cidades (Fonte em Foco)
– Ciclone bomba continua no Sul e Sudeste do país (Agência Brasil)
– NSC Total (nsc)

