Estudo do VLT entre Taguatinga e Ceilândia sai por R$ 5,9 milhões e tem prazo de 360 dias
Moradores de Taguatinga e Ceilândia vão precisar esperar ao menos mais um ano para saber se o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) prometido para a região sai do papel. O Governo do Distrito Federal formalizou nesta sexta-feira (7/8), em publicação no Diário Oficial do DF, o contrato para a realização dos estudos técnicos do sistema, no valor de R$ 5,9 milhões. O prazo para concluir todas as etapas é de 360 dias após a emissão da ordem de serviço, com vigência contratual total de 450 dias corridos — o equivalente a cerca de 15 meses até que exista uma resposta técnica sobre a viabilidade da obra.
O que muda para quem usa o transporte público na região
Na prática, nada muda de imediato para quem depende de ônibus ou do metrô entre as duas regiões administrativas. O contrato assinado com o Consórcio VLT Tag Cei não autoriza a construção do sistema: contempla apenas levantamentos técnicos e anteprojetos de engenharia que vão indicar se, como e a que custo o VLT pode ser implementado. A etapa é dividida em duas frentes. A primeira é o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA), que vai analisar alternativas de traçado, estimativa de demanda de passageiros, custos de implantação, benefícios socioeconômicos e impactos ambientais. A segunda envolve os anteprojetos de engenharia propriamente ditos — detalhamento do traçado geométrico, localização de estações, terminais e centro de manutenção, definição de sistemas operacionais e orçamento paramétrico, a partir da alternativa que for escolhida no EVTEA.
Um traçado de quase 16 quilômetros integrado ao metrô
O projeto prevê uma extensão aproximada de 15,83 quilômetros, ligando as regiões de Sol Nascente e Pôr do Sol, em Ceilândia, ao fim do Pistão Sul, em Taguatinga, com integração ao metrô do DF. O corredor coincide com o anunciado quando o GDF autorizou a abertura do processo, em janeiro deste ano, quando o valor estimado do contrato de estudos era de R$ 7,2 milhões. O fato de o contrato ter sido fechado por R$ 5,9 milhões — abaixo da estimativa original — segue um padrão comum em licitações públicas de engenharia, em que propostas vencedoras costumam ficar abaixo do valor de referência.
Mais uma etapa de planejamento, obra ainda distante
- O anúncio de janeiro de 2026 já projetava início de operação do VLT a partir de 2027, mas até abril a própria Secretaria de Obras informava que a contratação da empresa responsável pelos estudos ainda estava em negociação — a assinatura de hoje marca a formalização dessa etapa, não o início da obra em si.
- A experiência de outros VLTs brasileiros recomenda cautela na leitura de prazos: projetos semelhantes em Cuiabá e Salvador enfrentaram atrasos de anos e disputas contratuais entre poder público e consórcios após a fase de estudos.
- O calendário mais provável para o cidadão acompanhar é o da entrega do EVTEA, dentro do prazo de 360 dias — só então haverá definição sobre traçado final, custo total da obra e cronograma de construção.
Fontes e documentos:
– EXTRATO DO CONTRATO Nº 011/2026 (DODF)
– VLT entre Taguatinga e Ceilândia: GDF lança edital de estudo técnico (Metrópoles)

