Plataforma funciona 24 horas para intermediar atendimentos
Pessoas surdas que precisam acessar serviços públicos no Distrito Federal contam com uma plataforma de intermediação em Libras em tempo real. O CIL Online — Centro de Intermediação em Libras — conecta o cidadão, o servidor público e um intérprete, permitindo que o atendimento aconteça com mais autonomia e segurança.
O serviço funciona 24 horas por dia, sete dias por semana. A plataforma oferece atendimento por videochamada, webchat e telefonia, conforme a necessidade de comunicação no momento do serviço público.
A proposta é reduzir uma barreira que muitas vezes aparece antes do próprio atendimento. Quando a pessoa surda não encontra comunicação adequada, o acesso a um direito pode ficar preso na porta do balcão, da recepção ou do guichê.
Serviço não exige inscrição prévia
O acesso ao CIL Online foi pensado para ser simples e imediato. O cidadão surdo ou o servidor pode utilizar o serviço por meio da leitura de um QR Code disponível nos pontos de atendimento.
Também é possível acessar a plataforma por link no navegador de computador, tablet ou smartphone. Outra opção é baixar gratuitamente o aplicativo ICOM, disponível para sistemas iOS e Android.
Depois do acionamento, um intérprete de Libras se conecta por videochamada. A pessoa surda se comunica em Libras, o intérprete traduz a mensagem para o servidor em português e, em seguida, traduz a resposta do servidor para Libras.
Atendimento alcança áreas essenciais
O serviço já vem sendo utilizado em áreas como saúde, segurança pública e Defensoria Pública. Esses são justamente espaços em que uma informação mal compreendida pode gerar demora, insegurança ou prejuízo direto ao cidadão.
Na saúde, a comunicação correta pode ajudar o paciente a explicar sintomas, entender orientações e acompanhar encaminhamentos. Na segurança pública e na assistência jurídica, o acesso à informação também precisa ser rápido, claro e confiável.
A intermediação em Libras não substitui o atendimento público; ela torna esse atendimento possível. O servidor continua responsável pelo serviço, enquanto o intérprete garante que a conversa aconteça nos dois sentidos.
Nova etapa prevê pelo menos 2 mil atendimentos
Para o novo ciclo de operação, previsto de outubro de 2026 a fevereiro de 2027, a meta é alcançar média mínima de 400 atendimentos por mês. Isso representa pelo menos 2 mil atendimentos ao longo dos cinco meses.
A operação contará com equipe formada por 11 tradutores e intérpretes de Libras. O projeto também estabelece metas de qualidade, incluindo o início de pelo menos 80% dos atendimentos em até 90 segundos.
Outro indicador previsto é manter satisfação mínima de 80% entre usuários e servidores capacitados. A medição importa porque acessibilidade não se resume a oferecer uma ferramenta: é preciso saber se ela funciona quando o cidadão realmente precisa.
Servidores também serão capacitados
Além da intermediação imediata, o projeto prevê capacitações para servidores públicos. A ideia é preparar melhor as equipes que atendem diretamente a população em órgãos e unidades de serviço.
A capacitação ajuda a reduzir improvisos no atendimento. Mesmo com o intérprete disponível, o servidor precisa compreender como acionar a plataforma, conduzir o atendimento e respeitar o tempo da comunicação em Libras.
Esse ponto é decisivo para que a tecnologia não vire apenas um recurso instalado no balcão. O serviço só ganha força quando o servidor sabe usar, o cidadão sabe acessar e a rede pública entende que comunicação também é parte do atendimento.
Como acessar a plataforma
Ao chegar ao local de atendimento, procure o QR Code que identifica o serviço de Libras. A leitura direciona o usuário para a plataforma de intermediação.
Quem preferir pode usar o aplicativo ICOM. Basta procurar o aplicativo na Google Play, para Android, ou na App Store, para iPhone, e fazer o download gratuito.
Depois de solicitar a intermediação, aguarde a conexão com o intérprete. A conversa será mediada em tempo real, com tradução de Libras para português e de português para Libras.
O serviço pode ser usado tanto pelo cidadão surdo quanto pelo servidor público. Essa dupla possibilidade é importante porque a obrigação de tornar o atendimento acessível não deve recair apenas sobre quem procura o serviço.
Quando comunicação vira acesso a direito
O CIL Online mostra que acessibilidade não é detalhe técnico: é condição para exercer cidadania. Sem comunicação compreensível, uma pessoa pode ter dificuldade para marcar atendimento, pedir orientação, registrar uma demanda ou entender uma resposta oficial.
A tecnologia ajuda, mas o centro da política pública é a autonomia. O objetivo não é apenas traduzir palavras; é permitir que a pessoa surda participe do atendimento, faça perguntas, compreenda escolhas e seja atendida com respeito.
A presença de intérpretes em tempo real aproxima o serviço público da vida concreta do cidadão. Em vez de exigir que a pessoa se adapte à limitação do balcão, a administração pública passa a adaptar o atendimento à diversidade de quem precisa dele.
O avanço mais importante está nessa mudança de lógica. Quando o Estado reconhece que comunicação também é acesso, ele deixa de tratar Libras como recurso complementar e passa a enxergá-la como parte do próprio direito ao serviço público.
Fontes e Documentos:
- Ampliado o acesso de pessoas surdas aos serviços públicos do Distrito Federal (Agência Brasília)
- Central de Libras do Governo do Distrito Federal – GDF (ICOM)
- Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015 (Presidência da República)
- Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002 (Presidência da República)
- Acessibilidade (Governo Digital)

