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Brasil desperdiça 40% da água tratada e perde 6,3 mil piscinas por dia

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Reportagem:
Repórter: Paulo Andrade

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O Brasil ainda joga fora uma parcela gigantesca da água que trata antes que ela chegue às casas da população. Segundo o Estudo de Perdas de Água 2025, divulgado pelo Instituto Trata Brasil (ITB) em parceria com a GO Associados, o país desperdiça 5,8 bilhões de metros cúbicos de água tratada por ano — volume suficiente para abastecer 50 milhões de pessoas. Na prática, isso significa a perda diária equivalente a 6.346 piscinas olímpicas.

Os dados, provenientes do Sistema Nacional de Informações em Saneamento (SINISA), mostram que as perdas totais representam 40,31% de toda a água produzida para abastecimento. O índice está muito acima da meta regulatória de 25%, estabelecida pela Portaria 490/2021, do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.

Regiões Norte e Nordeste lideram desperdício
Os piores indicadores aparecem no Norte (49,78%) e no Nordeste (46,25%). Estados como Alagoas (69,86%), Roraima (62,51%) e Acre (62,25%) chegam a perder mais da metade da água distribuída. Já Goiás (25,68%), Distrito Federal (31,46%) e São Paulo (32,66%) figuram entre os melhores desempenhos.

As perdas decorrem de vazamentos, erros de medição e consumos não autorizados. Apenas as perdas físicas — principalmente vazamentos — ultrapassam 3 bilhões de m³ ao ano, quantidade que poderia abastecer 17,2 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade por quase dois anos.

Custo financeiro e ambiental sobe junto com o desperdício
O alto desperdício gera impacto direto no custo de operação: maior uso de produtos químicos, gasto adicional de energia, manutenção frequente e pressão extra sobre a infraestrutura existente. Para atender à demanda, empresas de saneamento acabam captando mais água do que o necessário, aumentando a retirada de mananciais já pressionados pelas mudanças climáticas.

O efeito ambiental é imediato. Em um país que enfrenta secas prolongadas, calor extremo e alterações no regime de chuvas, a necessidade de captar mais do que o consumo real agrava a escassez hídrica. O estudo lembra ainda que 34 milhões de brasileiros seguem sem acesso à água tratada, reforçando a urgência da redução de perdas como política pública.

Para Luana Pretto, presidente-executiva do Trata Brasil, o cenário exige ação rápida: “Perdemos diariamente mais de 6,3 mil piscinas de água potável, um exemplo alarmante de ineficiência. Enquanto isso, milhões ainda não têm acesso regular e de qualidade à água”.

Ela também alerta para o papel da crise climática: “Eventos como secas intensas, alterações nas chuvas e calor extremo têm agravado a escassez hídrica. Investir na redução de perdas e modernizar a infraestrutura é urgente”.

Perdas revelam desigualdade estrutural e risco climático
As regiões com piores índices são justamente as que têm menor capacidade de investimento e maior fragilidade institucional. Para os autores do estudo, reduzir perdas é uma estratégia crucial de adaptação climática, alinhada às discussões da COP30, que posicionam o setor de saneamento como peça-chave para a resiliência hídrica.

Caso o Brasil atingisse a meta regulatória de 25%, economizaria 1,9 bilhão de m³ de água — volume suficiente para abastecer 31 milhões de pessoas durante um ano. O ganho econômico estimado chega a R$ 17 bilhões até 2033, com impacto direto na segurança hídrica e na capacidade de investimento dos municípios.

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