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CLDF muda, mas mantém veteranos fortes

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Reportagem:
Marta Borges

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Nova legislatura terá renovação parcial e direita ampliada

A Câmara Legislativa do Distrito Federal terá uma renovação parcial a partir de 2027, com 17 deputados reeleitos e sete novos nomes. O resultado das Eleições 2026 preservou boa parte da experiência acumulada na Casa, mas também abriu espaço para candidaturas que chegam com capital eleitoral próprio e partidos fortalecidos.

O PL fez a maior bancada da próxima legislatura, com cinco cadeiras. Na sequência, PT, Republicanos, MDB e PP elegeram três distritais cada; PSOL e PSB ficaram com duas vagas cada; União Brasil, Podemos e PSD terão uma cadeira cada.

A tendência política da nova CLDF é de maioria à direita e ao centro-direita, mas sem hegemonia absoluta de um único partido. O plenário seguirá pluripartidário, com dez siglas representadas, uma esquerda organizada e uma base conservadora numericamente maior.

Max Maciel foi o mais votado

Max Maciel (PSOL) foi o deputado distrital mais votado do Distrito Federal, com 92.234 votos, ou 5,43% dos votos válidos. Ele ficou à frente de Eduardo Pedrosa (União), com 50.833 votos, e Chico Vigilante (PT), com 50.046.

A liderança de Max no voto individual mostra força de uma agenda progressista e territorial, mesmo dentro de uma composição geral mais favorável à direita. A votação dele não muda sozinha o eixo majoritário da Casa, mas dá à oposição de esquerda um nome com legitimidade ampliada para pautar debates sociais, juventude, periferias e controle do Executivo.

O resultado também lembra uma regra importante da eleição proporcional. Na disputa para deputado distrital, voto alto ajuda, mas a distribuição das cadeiras depende do desempenho do partido ou da federação, do quociente eleitoral e da posição do candidato dentro da própria lista.

Quem foi eleito para a próxima CLDF

Os 24 deputados distritais eleitos combinam nomes de longa trajetória, mandatos em curso e estreantes. A lista final, divulgada com base nos dados do TSE, ficou assim: Max Maciel (PSOL), Eduardo Pedrosa (União), Chico Vigilante (PT), Joaquim Roriz Neto (PL), Estefane Sampaio (Republicanos), Múcio (PSB), Gabriel Magno (PT), Keka Bagno (PSOL), Roosevelt Vilela (PL), Robério Negreiros (Podemos), Victor Jansen (PL), Jaqueline Silva (MDB), Rôney Nemer (PP), Pepa (PP), Ricardo Vale (PT), Wellington Luiz (MDB), Renata Daguiar (Republicanos), Martins Machado (Republicanos), Hermeto (MDB), André Kubitschek (PL), Pastor Daniel de Castro (PP), João Cardoso (PL), Rogério Morro da Cruz (PSD) e Dayse Amarilio (PSB).

A lista evidencia uma Câmara fragmentada, mas não pulverizada. O PL lidera sozinho, porém precisará negociar com Republicanos, PP, MDB, União, Podemos, PSD e outros partidos para formar maioria estável em votações decisivas.

Esse desenho tende a tornar o centro parlamentar um espaço decisivo. Mesmo com avanço conservador, pautas de orçamento, fiscalização, cargos, comissões e projetos do Executivo dependerão de acordos entre bancadas médias e pequenas.

Sete novatos entram no plenário

Os novatos da próxima legislatura são Estefane Sampaio, Múcio, Keka Bagno, Victor Jansen, Rôney Nemer, Renata Daguiar e André Kubitschek. Eles representam Republicanos, PSB, PSOL, PL, PP e PL, respectivamente.

A renovação de sete cadeiras significa mudança relevante, mas não ruptura. A maior parte da Casa seguirá ocupada por parlamentares que já conhecem o funcionamento da CLDF, as comissões, o orçamento e a relação com o Governo do DF.

Para o eleitor, essa combinação pode ter dois efeitos. A experiência dos veteranos tende a dar previsibilidade ao processo legislativo; a chegada dos novatos pode ampliar disputa por protagonismo, novas bases territoriais e pautas de identidade política.

Veteranos mantêm peso na Casa

A nova composição preserva nomes que já ocupam cadeiras na legislatura atual. A lista oficial da CLDF mostra que deputados como Chico Vigilante, Dayse Amarilio, Eduardo Pedrosa, Gabriel Magno, Hermeto, Jaqueline Silva, Joaquim Roriz Neto, João Cardoso, Martins Machado, Max Maciel, Pastor Daniel de Castro, Pepa, Ricardo Vale, Robério Negreiros, Rogério Morro da Cruz, Roosevelt Vilela e Wellington Luiz já integravam a legislatura 2023-2026 e foram reeleitos.

Essa manutenção dá vantagem aos parlamentares que dominam o rito interno da Câmara. Eles conhecem o caminho das proposições, a força das comissões, o peso do orçamento, a negociação com o Executivo e o funcionamento das lideranças.

Ao mesmo tempo, reeleição não significa cheque em branco. O eleitor manteve veteranos, mas também retirou nomes que tentavam continuar, sinal de que experiência ajuda, mas não substitui entrega política percebida pela população.

Três nomes da atual legislatura ficaram fora

Doutora Jane, Iolando e Jorge Vianna não conseguiram renovar mandato. Os três estavam na legislatura atual e ficaram fora da próxima composição da CLDF.

A saída desses parlamentares abre espaço para rearranjos internos. Lideranças, comissões, blocos e relações com o Palácio do Buriti terão de ser renegociados no início da nova legislatura.

A perda de cadeiras por nomes conhecidos também mostra que a eleição distrital não foi apenas continuidade. Houve manutenção de maioria dos mandatos, mas o eleitor mexeu em peças suficientes para alterar o equilíbrio entre partidos e grupos políticos.

Pluripartidarismo segue como regra

A próxima CLDF terá dez partidos representados em apenas 24 cadeiras. Esse número revela uma Casa plural, na qual nenhum partido terá força suficiente para aprovar sozinho projetos, orçamento ou mudanças relevantes.

O pluripartidarismo obriga negociação permanente. Mesmo a maior bancada, a do PL, terá pouco mais de um quinto da Câmara, o que torna indispensável construir alianças com partidos de centro, direita, esquerda ou blocos temáticos.

Na prática, a governabilidade dependerá menos de discurso e mais de aritmética parlamentar. Para aprovar projetos, sustar medidas, convocar autoridades, instalar CPIs, compor comissões ou definir prioridades orçamentárias, será preciso juntar votos além da própria sigla.

Direita e centro-direita largam em vantagem

A tendência ideológica da próxima legislatura é de predomínio da direita e do centro-direita. PL, Republicanos, PP, MDB, União, Podemos e PSD somam 17 das 24 cadeiras, enquanto PT, PSOL e PSB reúnem sete.

Esse placar sugere uma CLDF mais inclinada a pautas conservadoras, de segurança pública, gestão, fiscalização do gasto e alinhamento com forças de direita no DF. A presença de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis eleitas ao Senado pelo DF reforça o ambiente político conservador que saiu das urnas no Distrito Federal.

Mas a leitura exige cuidado. MDB, PSD, União, Podemos e até PP podem se comportar mais como partidos de negociação do que como bloco ideológico rígido, especialmente quando o tema envolver orçamento, obras locais, regiões administrativas e relação com o próximo governo.

Esquerda terá bancada menor, mas visível

A esquerda e o campo progressista terão sete cadeiras, com PT, PSOL e PSB. O PT elegeu Chico Vigilante, Gabriel Magno e Ricardo Vale; o PSOL elegeu Max Maciel e Keka Bagno; o PSB elegeu Múcio e Dayse Amarilio.

A força desse bloco não estará apenas no número de cadeiras. Max Maciel foi o mais votado, Chico Vigilante ficou entre os três primeiros, e a bancada terá capacidade de vocalizar oposição, fiscalizar o governo e disputar narrativas em temas sociais.

O desafio será transformar visibilidade em influência. Com minoria numérica, o campo progressista precisará articular com centro, explorar comissões, dialogar com movimentos sociais e atuar em temas nos quais a pressão pública pese sobre o plenário.

O governo do DF encontrará uma Casa favorável, mas exigente

A nova CLDF tende a ser mais favorável a uma agenda de centro-direita, mas isso não significa aprovação automática de tudo que vier do Executivo. A Câmara Legislativa representa a população, legisla e fiscaliza o Poder Executivo do Distrito Federal, incluindo atos administrativos e decisões de governo.

O próximo governador ou governadora terá de lidar com uma Casa experiente e fragmentada. Veteranos conhecem o orçamento e sabem cobrar espaço político; novatos chegam querendo marcar posição; bancadas médias podem decidir votações apertadas.

A relação com o Buriti será um dos principais testes da legislatura. Se Celina Leão vencer o segundo turno, encontrará tendência ideológica mais próxima de sua base; se Leandro Grass vencer, terá de negociar com uma Câmara numericamente mais distante de seu campo político.

O que muda para a população

A composição da CLDF influencia diretamente a vida do morador do DF. É ali que passam leis distritais, orçamento, fiscalização de serviços públicos, debates sobre saúde, educação, segurança, transporte, habitação, servidores e administração regional.

A escolha dos distritais não termina no voto. A população precisa acompanhar como cada parlamentar vota, quais prioridades defende, como usa emendas, que projetos apresenta e se fiscaliza o Executivo ou apenas participa da base de sustentação.

A nova legislatura terá poder para melhorar ou travar políticas públicas. O plenário pode acelerar soluções, corrigir rumos, abrir investigação, pressionar secretarias e alterar prioridades orçamentárias — ou pode transformar disputas partidárias em bloqueio para problemas reais.

A nova Câmara será teste de maturidade

A CLDF que sai das urnas é plural, mais inclinada à direita e menos renovada do que uma ruptura completa sugeriria. Há mudança, mas há continuidade; há novos nomes, mas os veteranos seguem fortes; há pluralidade partidária, mas a maioria tende ao campo conservador e ao centro.

O ponto decisivo será saber se esse desenho produzirá fiscalização ou acomodação. Uma Câmara com maioria alinhada ao governo pode dar estabilidade administrativa, mas também precisa preservar independência para cobrar, investigar e corrigir excessos.

Para o cidadão, a pergunta central não é apenas quem ganhou cadeira. É o que esses 24 mandatos farão com saúde, escola, transporte, segurança, orçamento e regiões administrativas pelos próximos quatro anos. A eleição renovou parte do plenário; agora cabe à sociedade acompanhar se a nova CLDF vai renovar também a qualidade da política.

Fontes e Documentos:

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