O primeiro Centro de Referência Especializado em Transtorno do Espectro Autista (Cretea) do Distrito Federal, entregue em dezembro pelo Governo do Distrito Federal (GDF), já começa a mudar a rotina de famílias brasilienses. Instalado na Estação 108 Sul do Metrô, o espaço passa a integrar a rede pública de atenção psicossocial, com foco em diagnóstico precoce, atendimento especializado e acompanhamento multidisciplinar de crianças com TEA.
Atendimento que chega mais perto das famílias
Entre os primeiros atendidos está Enzo Miguel, de 8 anos, diagnosticado com TEA. A mãe, a dona de casa Adriana Aparecida de Almeida Moresco, de 45 anos, relata uma trajetória marcada por buscas e espera até a chegada ao novo centro. Para ela, a estrutura do Cretea faz diferença desde a porta de entrada. O ambiente, planejado para reduzir estímulos e oferecer tranquilidade, facilita o atendimento e acolhe quem convive diariamente com os desafios do transtorno.
Adriana destaca que o espaço foi pensado para o público atendido e para as famílias, o que ajuda na continuidade do cuidado. Segundo ela, a caminhada é longa para quem vive uma realidade atípica, e o centro representa um apoio concreto que deve beneficiar outras pessoas na mesma situação.
Estrutura e acesso pelo SUS
Com investimento de cerca de R$ 747 mil, o espaço foi totalmente reformado para atender crianças de até dez anos que já estejam nas filas da rede pública. O Cretea funciona pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e oferece atendimento gratuito, com acesso regulado pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e pela Central de Regulação do GDF, sem criação de nova fila específica.
A unidade reúne oito consultórios, salas para atendimentos em grupo, ginásio terapêutico, sala multissensorial, cozinha terapêutica e ambientes voltados ao acolhimento e às atividades lúdicas. A equipe multiprofissional inclui psiquiatra infantil, neuropediatra, pediatra, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e assistente social.
Diagnóstico, terapias e orientação parental
De acordo com a gerente do Cretea, Viviane Felipe Cantos Veras, o centro atende crianças com diagnóstico confirmado e também aquelas com suspeita de TEA, sempre a partir de encaminhamento da rede pública. O trabalho prioriza a integração entre avaliação, terapias individuais e em grupo e orientação às famílias.
A proposta, segundo a gestão, é aproximar o cuidado clínico do cotidiano familiar, ampliando a efetividade das intervenções. A orientação parental é tratada como eixo central do atendimento, por impactar diretamente o desenvolvimento das crianças.
Impacto no sistema de saúde do DF
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o DF tem cerca de 34,1 mil pessoas diagnosticadas com TEA. Ao concentrar, em um único local, avaliação, diagnóstico e intervenção, o Cretea busca reduzir o tempo de espera e facilitar o acesso aos serviços especializados.
Além do atendimento direto, o centro atua como polo de apoio técnico e formação para profissionais da rede pública, contribuindo para qualificar o cuidado oferecido em outras unidades de saúde do Distrito Federal e fortalecendo a política pública voltada ao autismo.01

