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EL NIÑO DEFINE A FARTURA OU A ESCASSEZ DA PESCA

Publicado em:

Reporter: Paulo Andrade

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Não é apenas o calor ou a chuva que o El Niño e a La Niña controlam; agora sabemos que eles determinam se haverá peixe na rede do pescador e comida na mesa do brasileiro. Um estudo revelador publicado nesta quinta-feira (18) na revista Nature Reviews Earth & Environment comprova que o fenômeno climático no Pacífico dita as regras da pesca no Oceano Atlântico, impactando diretamente a economia e a segurança alimentar da América do Sul e da África.

A pesquisa, financiada pela União Europeia, joga luz sobre uma cadeia de eventos complexa: o El Niño altera ventos e chuvas, que por sua vez mudam a temperatura e a salinidade do mar. Isso afeta os nutrientes (fitoplâncton), a base da cadeia alimentar. Sem nutriente, não tem peixe.

O Brasil dividido: Fartura no Sul, alerta no Norte

O estudo detalha como o impacto é desigual no território nacional, exigindo atenção redobrada dos gestores públicos.

  • Norte e Nordeste (O Impacto da Seca): O El Niño reduz as chuvas na Amazônia (como vimos em 2023 e 2024). Com menos água nos rios, diminui a “pluma” do Rio Amazonas que leva nutrientes para o mar. Resultado: a produtividade da pesca cai em várias áreas. A exceção curiosa é o camarão marrom, que se beneficia da água mais clara e com mais luz solar.

  • Sul (A Força das Águas): Aqui a lógica se inverte. O fenômeno traz chuvas intensas (vide a tragédia no RS), aumentando o aporte de nutrientes no mar e favorecendo a pesca de diversas espécies.

  • Atlântico Sul Central: O aquecimento das águas favorece a captura da albacora (atum), peixe de alto valor comercial.

A necessidade de monitoramento e políticas públicas

O professor Ronaldo Angelini (UFRN), coautor do estudo, alerta que as respostas da natureza não são lineares, especialmente com o agravamento das mudanças climáticas. O que funcionava há dez anos pode não funcionar hoje.

A conclusão é um recado direto para as autoridades: não dá para gerir a pesca no Brasil com base no “achismo”. O estudo aponta a escassez de dados históricos como uma falha grave. É urgente investir em um monitoramento oceânico coordenado e em estratégias de manejo que respeitem a realidade local de cada comunidade pesqueira.

Sem dados e sem preservação, ficamos à mercê da variabilidade climática, colocando em risco o sustento de milhares de famílias e a biodiversidade marinha.

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