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Tempestades em MG expõem falhas e crise climática urbana

Publicado em:

Repórter: Paulo Andrade

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Mortes e desabrigados na Zona da Mata acendem alerta

Os temporais que atingiram a Zona da Mata mineira desde segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, com enxurradas, deslizamentos e cheias acima do normal em Juiz de Fora e Ubá, expõem um quadro em que o clima extremo e as escolhas humanas caminham juntos, segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil.

Nesta quinta-feira, 26 de fevereiro, o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais informou que o número de mortos chegou a 49, com 43 em Juiz de Fora e 6 em Ubá, além de desaparecidos nas duas cidades.

O que os especialistas chamam de negligência climática

O geógrafo Miguel Felippe (UFJF) sustenta que, quando se fala em riscos ambientais e eventos extremos, o debate inevitavelmente passa pelas mudanças climáticas e por uma agenda de políticas públicas de prevenção que, segundo ele, tem sido tratada como secundária.

Na leitura apresentada, o problema não se limita à chuva “forte”: ele inclui o modo como as cidades são ocupadas, a fragilidade de medidas de mitigação e a repetição de um roteiro conhecido em que bairros mais pobres acabam concentrando perdas humanas e materiais por estarem mais expostos e com menor capacidade de recuperação.

Por que Juiz de Fora sofre tanto quando a água vem

A topografia de Juiz de Fora, com áreas de montanha e suscetibilidade a deslizamentos e inundações, amplia o risco em episódios de chuva intensa. Além disso, especialistas apontam o papel da umidade vinda do oceano e do aquecimento global como vetor de agravamento, ao aumentar a disponibilidade de vapor d’água na atmosfera.

Em termos práticos, isso significa mais volume em menos tempo, solo saturado mais rápido e menos margem para “a cidade absorver” sem colapsar. Quando a drenagem é insuficiente e a ocupação avança sobre encostas e várzeas, o resultado tende a ser a combinação mais cara de todas: água correndo por onde não deveria e gente morando onde não poderia.

O ponto político que vira custo humano

A crítica central dos especialistas não é abstrata: ela mira a distância entre diagnóstico e execução. Áreas de risco são conhecidas, mas obras, manutenção e planos de contingência frequentemente esbarram em prioridades e orçamento. A Agência Brasil destaca que um levantamento do jornal O Globo, a partir de dados do Portal da Transparência, apontou queda expressiva de recursos para a Defesa Civil estadual no período citado, e registra que o governo estadual foi procurado e não comentou.

O que dá para fazer antes do próximo temporal

Entre as medidas defendidas na reportagem estão três frentes, que não competem entre si e deveriam operar juntas:

  1. Ordenamento urbano e controle da expansão em áreas de risco, para reduzir exposição.
  2. Planos de evacuação e educação comunitária, para que moradores saibam como agir quando o alerta chega (a água não espera “organizar a agenda”).
  3. Soluções de engenharia e drenagem urbana, como intervenções para aumentar permeabilidade do solo e projetos de macrodrenagem onde forem tecnicamente viáveis.

Nada disso elimina tempestade. Mas reduz o que, no fim, costuma ser o verdadeiro escândalo: a previsibilidade do desastre e a repetição do improviso.

Fontes e documentos:
Juiz de Fora: desastre reflete negligência com aquecimento global
Brazil’s Minas Gerais state hit by more rain as flooding death toll rises to 53

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