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Governo investe R$ 86 milhões para restaurar armazém no Rio

Publicado em

Reportagem:
Repórter: Paulo Andrade

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O governo federal celebrou, nesta terça-feira (16), um termo para restaurar o Armazém Docas André Rebouças, em frente ao Cais do Valongo, na região conhecida como Pequena África, no centro do Rio de Janeiro. Com investimento de R$ 86,2 milhões, o espaço será transformado em um dos maiores complexos da América Latina dedicados à memória da população negra.

O Termo de Execução Descentralizada foi firmado com o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, e assinado pelo Ministério da Cultura (MinC), pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pela Fundação Cultural Palmares (FCP).

O projeto prevê a instalação do Centro de Interpretação do Patrimônio Mundial Cais do Valongo, com ações voltadas à valorização da herança africana e ao legado do engenheiro André Rebouças, autor do projeto original do armazém e referência da engenharia brasileira no século 19.

Além disso, o acordo amplia o Laboratório Aberto de Arqueologia Urbana (LAAU), responsável pela preservação e estudo de mais de 1 milhão de peças arqueológicas, incluindo materiais encontrados nas escavações do Sítio Arqueológico Cais do Valongo, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco.

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, afirmou que o restauro promove um resgate histórico ao reconhecer a trajetória de André Rebouças, destacando a contribuição de um homem negro para o desenvolvimento da engenharia nacional. Segundo ela, a iniciativa integra a política de reconhecimento das contribuições afro-brasileiras e o enfrentamento ao racismo estrutural.

O presidente do Iphan, Leandro Grass, lembrou que o armazém, inaugurado em 1871, foi o primeiro edifício construído no Rio de Janeiro sem mão de obra escravizada. Embora tenha passado por reformas ao longo do tempo, o espaço demanda hoje um restauro estrutural e funcional, com uso permanente voltado à cultura e à memória.

A previsão é que o centro cultural seja aberto ao público 36 meses após o início das obras, que devem começar até o fim do primeiro semestre de 2026. Em outras palavras, é um projeto de longo fôlego — como toda boa reparação histórica costuma ser.

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