back to top
24 C
Brasilia
sábado, 7 março 2026, 19:29:54
Publicidade
Publicidade
InícioBrasilCulturaGoverno lança campanha contra racismo no carnaval 2026

Governo lança campanha contra racismo no carnaval 2026

Publicado em:

Repórter: Paulo Andrade

Notícias relacionadas

Fotografia resiste à tecnologia e mantém olhar humano vivo

Não era hora de ajustar foco nem mexer na...

Carnaval 2026 amplia desfiles das escolas de samba mirins

As escolas de samba mirins ganharam mais espaço no...

Rio reconhece casamentos da Umbanda e do Candomblé

Casamentos religiosos celebrados em terreiros de Umbanda e Candomblé...

Mangueira leva Mestre Sacaca e a Amazônia Negra em 2026

Mangueira leva Mestre Sacaca e a Amazônia Negra à Sapucaí em 2026; enredo tem cinco setores e desfile ocorre em 15/2.

Sesc cria orquestra nacional com 51 jovens

Em comemoração aos seus 80 anos, o Serviço Social...
Publicidade

O Ministério da Igualdade Racial (MIR) lançou nesta segunda-feira (12), no Rio de Janeiro, uma campanha nacional para combater o racismo, a discriminação e a violência durante o carnaval e, ao mesmo tempo, valorizar a contribuição da cultura negra para a maior festa popular do país. Com o slogan “Sem racismo o carnaval brilha mais”, a iniciativa aposta em adesivos, leques e material educativo para deixar um recado direto: ofensa racial é crime, e fantasia ofensiva não é brincadeira.

A campanha alerta que práticas como ofender alguém pela cor da pele configuram injúria racial e que fantasias estereotipadas, como “nega maluca” ou a caricatura de povos indígenas, não combinam com a folia. A proposta é simples e necessária: diversão não autoriza humilhação.

Para o secretário de Combate ao Racismo do MIR, Tiago Santana, o carnaval precisa acompanhar a sociedade. Ele afirma que não cabem mais fantasias depreciativas ligadas à cultura negra, às religiões de matriz africana, a personagens negros e, sobretudo, às mulheres negras. Segundo ele, a campanha enfrenta agressões diretas e injúrias, mas também lembra que estética negra, como o cabelo, não é peça de chacota.

Ação ganha as ruas e a Sapucaí

Em 2026, a campanha será ampliada em relação ao ano anterior. Além das mídias digitais, ela estará presente no carnaval de rua, em blocos, bailes, desfiles de escolas de samba e na Sapucaí, no Rio. Ações também estão previstas na Bahia e em 30 municípios que integram o Programa Juventude Negra Viva.

O material educativo será distribuído a partir do próximo sábado (17) até os últimos dias de festa. Além da conscientização, a campanha incentiva que vítimas denunciem casos de racismo por meio do Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, ou pela Ouvidoria do Ministério da Igualdade Racial, que orientam e ajudam a formalizar denúncias junto às autoridades.

Segundo Santana, o enfrentamento ao racismo passa pela denúncia e pela responsabilização. Ele destaca que criar condições para que a discriminação não aconteça e, quando ocorrer, garantir punição, é pilar da Política Nacional de Igualdade Racial.

Carnaval, negritude e disputa de narrativa

Um dos diferenciais da edição deste ano, no Rio, é a parceria com a Liga RJ, responsável pelos desfiles da Série Ouro. A entidade se comprometeu a distribuir o material em ensaios técnicos e apresentações na Sapucaí. No dia 13 de fevereiro, abertura da competição, o ministério desfilará com uma faixa ao lado de ativistas, lideranças e representantes das escolas de samba.

Para o secretário, a mensagem é clara: racistas não são invisíveis. Caso pratiquem crime, serão cobrados e responsabilizados. Ao mesmo tempo, a campanha busca recolocar no centro do carnaval a presença negra, lembrando que foram pessoas negras que fundaram as primeiras escolas de samba.

Santana chama atenção para um processo de embranquecimento e apagamento da presença negra no carnaval, debate reacendido nos últimos anos pela constatação de que grande parte dos jurados dos desfiles cariocas é branca. Combater o racismo, nesse contexto, também significa enfrentar essa distorção histórica.

Respeito também faz parte da festa

Em nota, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, afirmou que o carnaval é tempo de alegria, mas também de respeito. Segundo ela, a campanha busca cuidar e valorizar as mãos negras que fazem o carnaval acontecer, dentro e fora da avenida. Para a ministra, a festa é cultura, arte, resistência e resiliência.

O ministério espera que outras instituições, públicas e privadas, adiram à campanha e ajudem a espalhar o material em eventos, na mídia e nas redes sociais. A aposta é ampliar o alcance da mensagem. Porque, no fim das contas, um carnaval sem racismo não é só mais bonito. É mais justo.

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.