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MP-SP investiga ação de PMs em escola após aula sobre Iansã

Publicado em

Reportagem:
Paulo Andrade

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Iansã na escola vira foco de investigação sobre conduta policial e discriminação

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) instaurou um inquérito civil para apurar a entrada de 12 policiais militares armados na EMEI Antônio Bento, na Zona Oeste da capital paulista, após a reclamação de um pai sobre uma atividade pedagógica relacionada à orixá Iansã.

O episódio ocorreu em 11 de novembro de 2025. A investigação busca verificar possíveis problemas de discriminação racial, violência na atuação policial e falhas na implementação de políticas de educação para as relações étnico-raciais na escola municipal.

MP-SP aponta falta de justificativa para atuação policial

Segundo o MPSP, depoimentos, documentos e imagens das câmeras corporais dos policiais foram analisados durante a apuração inicial. Para a Promotoria, os elementos reunidos até o momento não indicam a existência de crime que justificasse a diligência na escola.

Por esse motivo, o órgão classificou a atuação como “injustificada” e decidiu aprofundar a investigação. O inquérito civil deverá avaliar se houve violação ao direito à educação e ao livre exercício da atividade pedagógica.

A Secretaria Estadual de Segurança Pública, por outro lado, concluiu em investigação preliminar que os policiais teriam agido de acordo com os procedimentos previstos. A pasta também entendeu que não seria necessário instaurar Inquérito Policial Militar ou sindicância.

Atividade sobre orixá estava prevista em diretrizes educacionais

A Secretaria Municipal de Educação informou que a atividade questionada estava alinhada ao Currículo da Cidade para a Educação Infantil e às Orientações Pedagógicas de Educação Antirracista.

A pasta também citou as Leis Federais nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que estabeleceram a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira, africana e indígena na educação básica.

O pai da aluna, que também é policial militar, foi indiciado pela Polícia Civil de São Paulo por intolerância religiosa. O indiciamento não representa, por si só, uma condenação e ainda poderá ser analisado pelas demais instâncias responsáveis pelo caso.

Inquérito civil pode apontar responsabilidades institucionais

A apuração conduzida pelo promotor de Justiça Bruno Orsino Simonetti não se limita à conduta individual dos policiais. O procedimento também deverá examinar como a escola, as secretarias responsáveis e as forças de segurança atuaram diante do episódio.

Essa amplitude é relevante porque o caso envolve, simultaneamente, liberdade religiosa, educação antirracista, proteção do ambiente escolar e limites da atuação policial em uma unidade de ensino.

O MP-SP deverá avaliar se houve falha institucional na proteção da atividade pedagógica ou se a abordagem policial produziu uma restrição indevida ao conteúdo previsto nas normas educacionais.

Relacionadas, fontes e documentos:

Origem, raça e gênero marcam mobilidade social no país (Fonte em Foco)
Resgate de 89 expõe trabalho degradante em cafezais (Fonte em Foco)
Alerta Mulher Segura define monitoramento de agressores (Fonte em Foco)
Acidente laboral soma 1,8 milhão de notificações no país (Fonte em Foco)
Parada Brasília Orgulho ocupa Esplanada e defende direitos (Fonte em Foco)
 Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003 (Planalto)
– Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008 (Planalto)

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