Publicidade
InícioBrasilPolíticaLula reage ao PL da Dosimetria e mira legado do 8/1

Lula reage ao PL da Dosimetria e mira legado do 8/1

Publicado em

Reportagem:
Reporter: Marta Borges

Cobertura relacionada

Falhas da Neoenergia afetam a população do DF

Neoenergia Brasília enfrenta relatos de falhas em boletos, leituras e faturas após atualização do sistema comercial no DF.

Cinco regiões do DF terão energia suspensa nesta terça (25/08)

Planaltina, Samambaia, Vicente Pires, SIA e Varjão terão desligamento programado de energia nesta terça-feira.

Fim de semana no DF tem rap gratuito, teatro, exposições e lazer ao ar livre

Agenda de 28 a 30 de agosto reúne eventos gratuitos, shows, teatro, exposições, cinema, gastronomia e lazer no DF.

ANPD multa TikTok por uso de dados de crianças e adolescentes

ByteDance, dona do TikTok, é multada pela ANPD e terá de excluir dados de adolescentes sem representação legal regularizada.

Programa oferece órteses e próteses gratuitas pelo SUS no DF

Programa OPM oferece órteses, próteses e meios auxiliares de locomoção a pacientes da rede pública do Distrito Federal.

São Paulo registra 18 mortes por febre maculosa em 2026

Com 18 mortes por febre maculosa em São Paulo, veja sintomas, quando procurar atendimento e como remover carrapatos com segurança.
Publicidade

Aqui é opinião, meu leitor — e hoje o assunto é daqueles que mexem com o nervo exposto da política brasileira. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou o PL da Dosimetria, aprovado pela Câmara dos Deputados, aquele que reduz penas dos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro e pela tentativa de golpe. O projeto pode, inclusive, alcançar o ex-presidente Jair Bolsonaro. E se isso parece explosivo, é porque é mesmo.

Lula disse que só decide quando o texto chegar ao Executivo. É quase um “calma, gente, não me envolvam ainda nessa bomba-relógio”. Ele empurrou o debate de volta ao Legislativo, aquela estratégia clássica de quem sabe que, qualquer que seja a decisão final, haverá desgaste político por todos os lados. E, convenhamos, ele não está errado: o projeto divide até quem nunca concorda em nada.

Mas Lula foi além. Com a franqueza calculada que costuma usar quando quer deixar a porta entreaberta para interpretação política, narrou que Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses porque, segundo ele, não tentou “fazer brincadeira”. Alegou que havia “plano arquitetado” para matar a ele, a Geraldo Alckmin e a Alexandre de Moraes, além de explodir um caminhão no aeroporto de Brasília. São acusações extremamente graves — e ainda que façam parte de discussões judiciais em curso, Lula usa esse repertório para pressionar politicamente o ambiente em torno do PL.

É curioso observar como Lula combina crítica contundente e um certo tom de resignação institucional. Ele lembrou que o projeto segue agora para o Senado e repetiu que só vai decidir quando o texto encostar na sua mesa. A cereja do bolo foi a frase: “Eu e Deus decidiremos”. Não é incomum em Lula usar esse tipo de hipérbole espiritual para marcar posição política. É quase um “quando chegar a hora, ninguém segura”.

E, claro, veio a parte que ele mais gosta: comparar o comportamento de Bolsonaro pós-eleição ao dele e ao dos ex-presidenciáveis do PSDB. O argumento é velho, mas efetivo para seu público: “perdi três vezes e nunca tentei golpe”. Uma mensagem embalada para consumo rápido nas redes e nas rodas políticas.

Aqui, meu caro, entra o ponto central: não é apenas sobre a pena de Bolsonaro ou de seus aliados. É sobre o simbolismo político do 8 de janeiro. A possível redução das penas reabre feridas, alimenta discursos radicais e cria a sensação — para muitos — de que o país não sabe lidar com as próprias rupturas democráticas.

E é aqui que Lula joga com cálculo: se vetar, vira carrasco; se sancionar, vira cúmplice de abrandamento; se mexer parcialmente, desagrada metade do país. Não existe saída ilesa.

Enquanto isso, o Legislativo segue no seu próprio cabo de guerra, com parlamentares tentando ressignificar o episódio para agradar suas bases — especialmente a direita radical, que ainda tenta reescrever o 8 de janeiro como um “protesto exagerado”. Esse truque narrativo, aliás, não cola mais nem com fita adesiva barata.

No fim, Lula sinaliza que vai decidir sozinho, assumindo o desgaste. E, querendo ou não, está certo em uma coisa: se o país não trata com rigor as tentativas de golpe, abre precedente para a próxima aventura autoritária surgir mais ousada.

A democracia brasileira já levou pancada o suficiente. Agora, o teste é ver se aguenta o peso das decisões que vêm por aí.

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.