Publicidade
InícioBrasilMarcha das Mulheres Negras reúne caravanas

Marcha das Mulheres Negras reúne caravanas

Publicado em

Reportagem:
Repórter: Paulo Andrade

Cobertura relacionada

Fim de semana no DF tem rap gratuito, teatro, exposições e lazer ao ar livre

Agenda de 28 a 30 de agosto reúne eventos gratuitos, shows, teatro, exposições, cinema, gastronomia e lazer no DF.

ANPD multa TikTok por uso de dados de crianças e adolescentes

ByteDance, dona do TikTok, é multada pela ANPD e terá de excluir dados de adolescentes sem representação legal regularizada.

Programa oferece órteses e próteses gratuitas pelo SUS no DF

Programa OPM oferece órteses, próteses e meios auxiliares de locomoção a pacientes da rede pública do Distrito Federal.

São Paulo registra 18 mortes por febre maculosa em 2026

Com 18 mortes por febre maculosa em São Paulo, veja sintomas, quando procurar atendimento e como remover carrapatos com segurança.

Festival gratuito no Rio mostra que matemática é pop

Festival Nacional da Matemática ocupa a Marina da Glória até domingo com entrada gratuita, jogos, teatro e experiências.

Agosto Lilás termina com evento no Parque da Cidade

Ação encerra o Agosto Lilás neste sábado no Parque da Cidade, com orientação sobre direitos, prevenção à violência e denúncias.
Publicidade

Caravanas de todas as regiões do país ocupam, nesta terça-feira (25), a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para a 2ª Marcha das Mulheres Negras, que traz o tema “Por Reparação e Bem Viver”. A expectativa dos organizadores é reunir 1 milhão de participantes, em um ato que busca visibilidade, políticas públicas e justiça histórica para a maior base populacional feminina do Brasil.

A mobilização é articulada pelo Comitê Nacional da Marcha das Mulheres Negras e integra a Semana por Reparação e Bem-Viver, que ocorre de 20 a 26 de novembro na capital federal, com debates, oficinas e apresentações culturais.

Década após a primeira marcha, foco é reparação

A nova edição ocorre no mês da Consciência Negra, dez anos depois da marcha histórica de 2015, quando mais de 100 mil mulheres negras caminharam por Brasília contra o racismo, a violência e pelo direito ao bem viver — conceito que vai além da sobrevivência e defende dignidade, mobilidade social e acesso a direitos.

Neste ano, a pauta central é a reparação histórica, reconhecendo danos da escravidão que estruturam desigualdades e ainda limitam oportunidades econômicas, políticas e sociais dessa parcela da população.

Programação começa no Museu da República

A programação da marcha tem início às 9h, com concentração no Museu da República, perto da Rodoviária do Plano Piloto. No local, haverá roda de capoeira e cortejo de berimbaus.

Também às 9h, o Congresso Nacional realiza uma sessão solene em homenagem à marcha. A caminhada pela Esplanada está prevista para começar por volta das 11h.

O jingle oficial, já divulgado, reforça o tom da mobilização com o refrão:
“Mete marcha negona rumo ao infinito. Bote a base, solte o grito! Bem-viver é a nossa potência, é a nossa busca, é reparação!”

A partir das 16h, shows com artistas negras dão sequência às atividades: Larissa Luz, Luanna Hansen, Ebony, Prethaís, Célia Sampaio e Núbia.

Articulação internacional e diáspora

A Marcha de 2025 ultrapassa as fronteiras do Brasil. Mulheres negras da diáspora africana e do continente africano participam da mobilização, fortalecendo uma articulação global contra racismo, colonialismo e patriarcado. Lideranças do Equador já estão em Brasília para integrar o ato.

Segundo representantes equatorianas, o objetivo é ampliar a visibilidade das lutas de mulheres afrolatinas, afrocaribenhas e da diáspora, com foco em memória, direitos coletivos, fortalecimento político e proteção dos territórios ancestrais.
A ativista Ines Morales Lastra, de San Lorenzo, explica que a marcha reforça vozes que ecoam desde as avós: “Marcharemos para ecoar a firmeza de nossa voz e nossas demandas”.

Lélia Gonzalez é homenageada pela família

Entre as participantes está Melina de Lima, neta da antropóloga Lélia Gonzalez, referência intelectual nas discussões de raça, gênero e classe.
Lélia, falecida em 1994, foi fundadora do Movimento Negro Unificado e influenciou gerações com conceitos como “amefricanidade” e “pretuguês” — termos que articulam identidade política afro-americana e influência das línguas africanas no português brasileiro.

No último dia 10, Melina recebeu, em nome de Lélia, o título de Doutora Honoris Causa da Universidade de Brasília. Hoje, atua como diretora de educação e cultura no Instituto Memorial Lélia Gonzalez e cofundadora do projeto Lélia Gonzalez Vive.

Mulheres negras são maior grupo feminino do país

De acordo com o Ministério da Igualdade Racial (MIR), o Brasil tem 60,6 milhões de meninas e mulheres negras — 28% da população brasileira. São 11,3 milhões de mulheres pretas e 49,3 milhões de mulheres pardas.

A representatividade numérica reforça a dimensão política da marcha e a urgência de políticas públicas que assegurem moradia digna, emprego, segurança, educação, proteção contra a violência e reparação histórica.

A programação completa da Marcha das Mulheres Negras e da Semana por Reparação e Bem-Viver segue disponível até quarta-feira (26).

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.