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Pesquisa detecta mercúrio em peixes da Baía de Guanabara

Publicado em:

Repórter: Paulo Andrade

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Uma pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF) identificou a presença de mercúrio em peixes da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, e avaliou os riscos à saúde de pescadores e moradores que têm o pescado como principal fonte de proteína. O estudo analisou oito espécies de peixes e amostras de cabelo de integrantes de colônias de pescadores em Magé, Itaboraí e na Ilha do Governador, na Zona Norte da capital.

Os pesquisadores encontraram concentrações de mercúrio dentro dos limites da legislação brasileira nos peixes analisados. Ainda assim, recomendam variar as espécies consumidas para reduzir a exposição, sobretudo evitando consumo frequente de peixes com maior concentração do metal, como o robalo. Entre os pescadores, porém, houve casos em que os níveis detectados superam os limites indicados por autoridades sanitárias, sinalizando exposição mais elevada.

Espécies analisadas e limites legais

A primeira etapa avaliou a presença de mercúrio total (HgT) em espécies com diferentes hábitos alimentares, entre elas sardinha, robalo, corvina e tainha. A legislação brasileira estabelece limite de 1 mg/kg para peixes predadores e 0,5 mg/kg para não predadores.

Os resultados variaram significativamente: a sardinha apresentou valores muito baixos, em torno de 0,0003 mg/kg, enquanto o robalo registrou a maior concentração, 0,2218 mg/kg — ainda abaixo do teto legal. Para o pesquisador Bruno Soares Toledo, o dado indica a necessidade de espaçar o consumo. A orientação é rodízio de espécies, não a exclusão do peixe da dieta.

Exposição humana e áreas mais afetadas

Na segunda etapa, o estudo analisou amostras de cabelo, método reconhecido internacionalmente para identificar exposição crônica ao mercúrio. Com base nos parâmetros da ONU (entre 1 e 2 mg/kg), os valores encontrados variaram de 0,12 mg/kg a 3,5 mg/kg entre os voluntários.

Segundo a orientadora Eliane Teixeira Mársico, houve resultados acima do limite em parte dos participantes, possivelmente relacionados ao consumo frequente de peixe. As maiores concentrações apareceram na Ilha do Governador, seguidas por Magé e Itaboraí, diferenças atribuídas à frequência de consumo e às espécies mais capturadas em cada local.

Contexto ambiental e impacto social

A Baía de Guanabara sustenta milhares de famílias da pesca artesanal. Cerca de 4 mil pescadores estão vinculados à Rede AHOMAR, em um território onde vivem aproximadamente 8 milhões de pessoas. A intensificação de atividades industriais, o tráfego marítimo e o lançamento de resíduos domésticos e industriais elevam a carga de substâncias tóxicas no ambiente aquático.

Parte do pescado é destinada ao consumo próprio, especialmente espécies de menor valor comercial; o restante é comercializado, o que amplia o alcance potencial dos impactos à saúde.

Riscos à saúde e devolutiva às comunidades

A ONU alerta que a ingestão ou inalação de grandes quantidades de mercúrio pode causar danos neurológicos, como tremores, insônia, perda de memória, dores de cabeça e fraqueza muscular, podendo evoluir para quadros graves. A OMS destaca a vulnerabilidade de fetos e de populações com alta exposição, como pescadores de subsistência.

A equipe da UFF pretende devolver os resultados às comunidades, com materiais acessíveis e informativos nas associações locais. O objetivo é orientar a prevenção, incentivar o rodízio de espécies e contribuir para a saúde coletiva, sem demonizar o consumo do pescado.

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