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quarta-feira, 18 março 2026, 13:08:33
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Polícia prende tenente-coronel por feminicídio

Publicado em:

Repórter: Marta Borges

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Geraldo Leite é preso após indiciamento no caso Gisele Alves Santana

A Polícia Civil de São Paulo cumpriu na manhã desta quarta-feira, 18 de março, mandado de prisão contra o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, em São José dos Campos (SP). Ele foi indiciado por feminicídio e fraude processual no caso da morte da soldado Gisele Alves Santana, sua companheira, o oficial será levado ao 8º Distrito Policial, na zona leste da capital paulista.

Gisele foi encontrada com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento em que o casal morava. Na ocasião, Geraldo acionou socorro e apresentou o caso às autoridades como suicídio. Depois, porém, o registro foi alterado para morte suspeita, enquanto a família da policial passou a contestar desde o início a versão apresentada.

Laudos do IML enfraqueceram a versão inicial do caso

A mudança de rumo na investigação ganhou força com os laudos necroscópicos do Instituto Médico Legal (IML). Os exames apontaram lesões contundentes na face e na região cervical, descritas como compatíveis com pressão digital e estigma ungueal, ou seja, marcas de unha. O laudo mais recente tem data de 7 de março, um dia após a exumação do corpo.

Mas esse não foi o primeiro sinal de inconsistência na hipótese de suicídio, o laudo de 19 de fevereiro, produzido no dia seguinte à morte, já mencionava lesões na face e no pescoço, na lateral direita. Ambos os exames apontam como causa da morte o traumatismo cranioencefálico grave por disparo de arma de fogo, mas as marcas corporais passaram a pesar contra uma leitura simples do episódio como morte autoinfligida.

Cronologia, imagem da arma e limpeza do apartamento ampliaram suspeitas

A defesa da família da vítima, representada pelo advogado José Miguel Silva Junior, já vinha sustentando que o conjunto de elementos do caso reforçava a tese de feminicídio. Entre os pontos citados está o depoimento de uma vizinha, que afirmou ter ouvido um disparo às 7h28, enquanto o acionamento ao Copom teria ocorrido apenas às 7h57. Para a família, o intervalo de quase meia hora entre o tiro e o pedido de socorro é um dado relevante da investigação.

Outro elemento mencionado pelo advogado foi a fotografia da vítima com a arma na mão, feita por socorristas. Segundo ele, a posição do armamento seria incomum em casos de suicídio. Também pesam na apuração os depoimentos de três policiais mulheres que confirmaram ter ido ao apartamento do casal para fazer limpeza horas depois da ocorrência. Esse ponto ajuda a explicar o indiciamento por fraude processual, já que pode indicar alteração de cena antes da conclusão pericial.

A prisão muda o caso, mas a responsabilização ainda depende do processo

A prisão de Geraldo Leite marca a virada mais grave do caso até agora. O que começou com relato de suicídio dentro do apartamento do casal agora chega ao estágio de indiciamento por feminicídio, com laudos, contradições cronológicas e suspeitas de adulteração da cena reforçando a nova linha investigativa.

Ainda assim, é preciso manter a linguagem no lugar. Prisão e indiciamento não equivalem a condenação. Eles indicam que a polícia considerou haver elementos suficientes para imputação formal e custódia, mas o caso seguirá para o Ministério Público e para a Justiça. O que já não parece mais caber, porém, é a hipótese tratada de forma automática como suicídio. Quando laudo, tempo de resposta e conduta posterior entram em choque com a versão inicial, o centro da discussão deixa de ser apenas a morte e passa a ser a integridade de toda a apuração.

Fontes e documentos:
Polícia Civil prende PM Geraldo Leite indiciado por feminicídio (Agência Brasil)
– Tenente-coronel é indiciado por feminicídio, diz defesa da PM morta (Agência Brasil)

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