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PF faz operação em SP contra apologia ao nazismo online

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Reportagem:
Repórter: Marta Borges

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Mandado em Americana mira suspeito de discriminação racial na internet

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira, 11 de março, a Operação Ethos em Americana (SP) para cumprir mandado de busca e apreensão contra um investigado por discriminação racial e apologia ao nazismo na internet. Segundo a corporação, foram apreendidos um telefone celular e um disco rígido, que passarão por perícia para aprofundar a investigação e identificar outros possíveis envolvidos.

A operação foi anunciada pela própria PF, que informou que a investigação busca reprimir crimes de ódio praticados no ambiente digital. Até aqui, o que existe de forma pública e confirmada é o cumprimento da ordem judicial e a apreensão dos equipamentos. O restante da apuração depende da análise técnica do material recolhido.

PF mantém ofensiva sobre crimes cometidos no ambiente digital

A ação em Americana ocorre um mês depois de outra operação da PF no interior paulista, desta vez em São José dos Campos, voltada ao combate à exploração sexual infantojuvenil pela internet. Na ocasião, um investigado foi preso em flagrante por armazenar arquivos com material de abuso sexual de crianças e adolescentes, e a PF informou que as apurações começaram após a identificação de quase 200 arquivos ilícitos baixados e compartilhados entre 2022 e 2023.

Embora se tratem de crimes diferentes, os dois casos mostram a ampliação da atuação policial sobre práticas ilícitas no meio digital, especialmente aquelas ligadas a ódio, violência, racismo e exploração sexual de crianças e adolescentes. No caso da Operação Ethos, porém, a PF não divulgou até agora detalhes adicionais sobre o conteúdo investigado nem sobre eventual responsabilização de outras pessoas.

Dados da SaferNet mostram alta nas denúncias de crimes cibernéticos

O cenário mais amplo ajuda a entender por que esse tipo de investigação ganhou peso. Dados divulgados pela SaferNet em fevereiro mostram que a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos recebeu 87.689 novas queixas em 2025, uma alta de 28,4% em relação a 2024. A maior parte das notificações foi relacionada a imagens de abuso e exploração sexual infantil, com 63.214 registros.

Na sequência aparecem denúncias de misoginia e discriminação contra mulheres, com 8.728 casos, de apologia e incitação a crimes contra a vida, com 4.752, e de racismo, com 3.220. A própria SaferNet apontou ainda crescimento em registros ligados a neonazismo, LGBTfobia e intolerância religiosa, indicando que o ambiente digital continua funcionando como terreno fértil para disseminação de violência e radicalização.

A internet amplia alcance do discurso de ódio e exige resposta técnica

A Operação Ethos tem peso que vai além de um mandado isolado. Casos de apologia ao nazismo e discriminação racial na internet não se resumem a postagem ofensiva ou provocação de rede social. Eles se inserem num ambiente em que discurso extremista circula com velocidade, encontra audiência e pode transbordar para intimidação, violência e organização de grupos.

Por isso, a resposta do Estado precisa ser tecnicamente sólida e juridicamente precisa. Em investigação desse tipo, apreensão não é condenação, e suspeita não pode ser tratada como culpa consumada. Mas subestimar o problema também seria erro grave. Quando racismo e nazismo ganham espaço digital, o risco não está só no conteúdo publicado. Está na normalização do ódio como linguagem corrente.

Fontes e documentos:
– PF deflagra operação para reprimir crime de ódio na internet (Polícia Federal)
– PF efetua prisão em operação contra exploração sexual infantojuvenil em São José dos Campos/SP (Polícia Federal)
– Denúncias de crimes cibernéticos crescem 28% em 2025, mostra Safernet (Agência Brasil)

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