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BRB pede ao STF reserva de valores para cobrir perdas no caso Master

Publicado em

Reportagem:
Marta Borges

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Banco quer que recursos recuperados em investigações e delações considerem ressarcimento de partes lesadas

O Banco de Brasília (BRB) informou nesta quinta-feira, 2 de abril de 2026, que pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a adoção de medidas para assegurar eventual reserva de recursos destinada ao ressarcimento de prejuízos ligados às fraudes investigadas no caso Banco Master. Em comunicado ao mercado, o banco afirmou que a solicitação busca a “eventual reserva, segregação e vinculação de bens, valores, ativos, créditos e fluxos financeiros” que venham a ser identificados, recuperados, bloqueados, repatriados ou ofertados no contexto das investigações e de possíveis acordos de colaboração premiada.

Segundo o BRB, a medida judicial foi apresentada para que eventuais acordos de delação premiada em discussão com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República considerem o ressarcimento das partes lesadas. A formulação adotada pelo banco mostra que o objetivo não é apenas acompanhar a investigação, mas tentar garantir prioridade sobre ativos que venham a ser localizados no curso do caso.

Caso envolve delações em negociação e prisão de investigados

Até o momento, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e Fabiano Zettel seguem no centro das apurações e aparecem publicamente associados às negociações por acordos de colaboração, segundo relatos de imprensa sobre o andamento do caso. O STF confirmou em março que atendeu a pedido da PF e determinou a prisão de Vorcaro e de outros investigados na Operação Compliance Zero, citando risco concreto de obstrução e outros elementos reunidos na investigação.

A terceira fase da operação, deflagrada em 4 de março de 2026, também levou o Banco Central a divulgar nota pública para informar que passou a acompanhar o caso e a revisar medidas administrativas relacionadas à instituição e a agentes sob sua esfera regulatória.

O que está em jogo para o BRB

O pano de fundo da disputa é a tentativa do BRB de se proteger financeiramente diante do alcance da investigação sobre operações envolvendo o Master. Em documentos corporativos anteriores, o próprio BRB havia informado ao mercado a aprovação, em 2025, da operação para aquisição de participação relevante no Banco Master, sujeita a autorizações regulatórias.

Agora, com o avanço da investigação criminal e patrimonial, o banco público do Distrito Federal tenta marcar posição desde já para não ficar atrás numa eventual fila de ressarcimento. Em português menos cerimonial: o BRB está dizendo ao STF que, se aparecer dinheiro no meio dessa ruína toda, quer garantir que a conta dos lesados não seja empurrada para o fim da fila.

Pedido ao Supremo amplia dimensão institucional do caso

O movimento também mostra que o caso deixou de ser apenas uma investigação sobre supostas fraudes bancárias e passou a envolver disputa direta sobre destinação de ativos, colaboração premiada e proteção de credores e lesados. Isso torna o processo mais sensível, porque desloca a discussão do campo penal puro para um terreno em que responsabilidade patrimonial, interesse público e estabilidade institucional se misturam.

O desafio do BRB será demonstrar, no processo, a extensão efetiva dos prejuízos que pretende resguardar e a conexão desses danos com os ativos eventualmente recuperados. Já para o STF, o ponto delicado será administrar pedidos de ressarcimento sem contaminar a lógica das investigações e das negociações de colaboração. Em casos assim, o dinheiro apreendido costuma virar peça de xadrez antes mesmo de virar indenização.

Fontes e documentos:
Comunicado ao Mercado Esclarecimentos B3 Responsabilização Dirigentes 2 de abril de 2026 (BRB Relações com Investidores)
– STF atende a pedido da PF e determina prisão de Daniel Vorcaro e outros investigados por supostas fraudes no Banco Master (STF)
– Nota sobre a 3ª Fase da Operação Compliance Zero (Banco Central do Brasil)
– Referência Formulário de 2025 com menção à operação envolvendo o Banco Master (BRB Relações com Investidores)

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