Mulheres em risco ganham apoio em comunidades religiosas
Mulheres em situação de vulnerabilidade no Distrito Federal contam com uma rede adicional de acolhimento, orientação e encaminhamento para enfrentar situações de violência. O programa Não Temas, Maria, desenvolvido pela Secretaria da Mulher do DF em parceria com a Arquidiocese de Brasília, foi homenageado em sessão solene na Câmara Legislativa do Distrito Federal nesta segunda-feira, 11 de maio, com a presença da governadora Celina Leão.
Programa aproxima igrejas da rede de proteção às mulheres
O Não Temas, Maria atua na prevenção da violência contra a mulher por meio de orientação, apoio e encaminhamento de vítimas à rede especializada. A iniciativa também promove ações educativas e capacitações voltadas a lideranças religiosas, que podem funcionar como primeiro ponto de escuta para mulheres que ainda não chegaram aos serviços públicos.
A proposta foi lançada pela Secretaria da Mulher em parceria com a Arquidiocese de Brasília para fortalecer a rede comunitária de apoio. Desde então, cerca de duas mil pessoas participaram de atividades do programa, incluindo encontros, treinamentos e visitas técnicas a equipamentos públicos de atendimento às mulheres.
Violência contra a mulher exige resposta fora do gabinete
Durante a solenidade, Celina Leão defendeu que o enfrentamento da violência contra a mulher precisa envolver o Estado e a comunidade. A governadora afirmou que muitas vítimas não registram episódios de violência antes de situações mais graves e citou quase 20 mil ocorrências no ano passado. O dado reforça um ponto sensível: a rede formal de proteção só funciona plenamente quando a vítima consegue acessá-la a tempo.
A secretária da Mulher, Giselle Ferreira, também destacou a importância da articulação entre Executivo, Legislativo e instituições religiosas. A lógica do programa é simples, mas relevante: se parte das mulheres busca acolhimento primeiro em espaços de fé, esses espaços precisam saber orientar sem improviso, sem culpabilização e sem empurrar a vítima de volta ao ciclo de violência.
Protocolo busca padronizar acolhimento
Um dos avanços apontados pelo programa é a criação de um protocolo de atuação entre as instituições parceiras. O objetivo é organizar o acolhimento inicial e padronizar os encaminhamentos das comunidades religiosas para a rede pública especializada. Na prática, isso reduz o risco de respostas desencontradas em um momento no qual a vítima precisa de proteção, não de confusão administrativa.
Esse ponto é decisivo porque a violência contra a mulher costuma envolver medo, dependência econômica, ameaça familiar e isolamento. Quando a primeira escuta falha, a mulher pode desistir de procurar ajuda. Quando a primeira escuta orienta corretamente, a chance de acesso aos serviços públicos aumenta. A diferença, muitas vezes, começa numa conversa que precisa ser preparada para não terminar em silêncio.
Quando a fé encontra a política pública
O Não Temas, Maria mostra uma aposta institucional em redes de proximidade. Igrejas e comunidades religiosas não substituem delegacias, casas de acolhimento, assistência social, saúde ou Justiça. No entanto, podem ajudar a abrir a porta de entrada para mulheres que, por medo ou desconhecimento, ainda não chegaram a esses serviços.
O cuidado necessário está no equilíbrio. A parceria só será efetiva se o acolhimento comunitário respeitar os direitos da vítima, preservar sua autonomia e encaminhar corretamente os casos. Violência doméstica não se resolve com conselho genérico nem com sermão bem-intencionado. Exige proteção, escuta qualificada e resposta pública. É aí que a boa vontade precisa virar método.
Fontes e documentos:
– Absorva o Bem vira rede de cuidado no Distrito Federal (Fonte em Foco)
– Mães atípicas encontram apoio para seguir cuidando (Fonte em Foco)
– Hotel Social dá pernoite e chance de recomeço no DF (Fonte em Foco)
– Celina Leão destaca fortalecimento da rede de proteção às mulheres durante homenagem ao programa Não Temas, Maria (Agência Brasília)
– Secretaria da Mulher lança Projeto “Não Temas, Maria!” em parceria com a Igreja Católica (Secretaria da Mulher do DF)

