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Absorva o Bem vira rede de cuidado no Distrito Federal

Publicado em

Reportagem:
Paulo Andrade

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Projeto leva absorventes gratuitos a mais de 200 pontos do DF

O Absorva o Bem completou um ano transformando uma necessidade muitas vezes silenciada em uma rede pública de cuidado. Criado em maio de 2025 pela Secretaria de Atendimento à Comunidade do Distrito Federal, o projeto mantém mais de 200 pontos solidários com absorventes gratuitos em banheiros de órgãos públicos, administrações regionais e espaços de grande circulação em todas as regiões administrativas do DF.

A proposta é simples na forma e relevante no alcance. Em caixas de acrílico instaladas nos banheiros, qualquer pessoa pode retirar absorventes quando precisar e também doar quando puder. A lógica, resumida no lema “Se precisar, pegue. Se puder, doe”, transforma usuários em parte ativa da política pública e ajuda a enfrentar um problema que costuma aparecer apenas quando a falta do item já virou constrangimento.

Pontos solidários ampliam acesso a um item básico

Ao longo do primeiro ano, o projeto deixou de ser uma ação pontual para se tornar uma rede espalhada pelo Distrito Federal. Os pontos são abastecidos pela secretaria e também pelas doações espontâneas da comunidade, sem exigência de cadastro para quem contribui ou utiliza o serviço. Órgãos interessados em aderir podem procurar a Seac para receber orientação sobre a instalação de novos pontos.

A secretária de Atendimento à Comunidade, Clara Roriz, afirma que o projeto nasceu da percepção de que a empatia aparece justamente nos imprevistos, quando a menstruação chega de surpresa e existe um ponto de apoio capaz de oferecer respeito e acolhimento. A formulação ajuda a explicar por que a iniciativa ganhou tração: ela atua em uma necessidade imediata, cotidiana e muitas vezes invisível para quem nunca precisou escolher entre improvisar ou passar pelo constrangimento de pedir ajuda.

Saúde menstrual também passa por informação

Além da distribuição de absorventes, o projeto promove ações educativas sobre saúde menstrual, autocuidado e combate aos tabus que ainda cercam o tema. Essa dimensão é importante porque o acesso ao produto resolve a urgência do momento, mas a informação ajuda a enfrentar o silêncio que historicamente empurrou a menstruação para o campo do constrangimento.

A pauta dialoga com uma política pública mais ampla. No plano federal, o Programa Dignidade Menstrual garante distribuição gratuita e continuada de absorventes para pessoas em situação de vulnerabilidade e prevê também ações de orientação e combate ao estigma. O Ministério da Saúde informa que o programa atende pessoas entre 10 e 49 anos inscritas no CadÚnico, estudantes de baixa renda da rede pública ou pessoas em situação de rua.

Essa combinação de acesso e educação ajuda a corrigir uma distorção antiga: tratar absorvente como item secundário, quando para quem menstrua ele é condição básica de higiene, mobilidade e permanência em espaços públicos. A falta não é mero desconforto. Pode afetar frequência escolar, rotina de trabalho e participação social.

Rede comunitária transforma gesto em política pública

O mérito do Absorva o Bem está em reconhecer que algumas políticas públicas não precisam começar grandes para serem relevantes. Uma caixa instalada no banheiro pode parecer pouco diante da escala dos problemas sociais. Mas, para quem precisa naquele instante, ela evita improviso, constrangimento e abandono de uma atividade por falta de um item essencial.

Ao mesmo tempo, o projeto não transfere toda a responsabilidade para a solidariedade individual. A participação da comunidade reforça a rede, mas a existência dos pontos e sua coordenação pertencem ao poder público. Essa diferença importa. Solidariedade é bem-vinda; política pública é obrigação. Quando as duas se encontram, o resultado costuma ser mais capilar, mais humano e menos burocrático.

Quando o cuidado deixa de ser detalhe

O primeiro ano do projeto mostra que dignidade menstrual não é assunto lateral. É tema de saúde, cidadania e acesso à cidade. Uma política que garante absorvente em espaços públicos não resolve sozinha a desigualdade, mas impede que uma necessidade previsível continue sendo tratada como acidente privado.

Há gestos pequenos que dizem muito sobre a qualidade de uma gestão pública. Disponibilizar absorventes não é favor, nem luxo, nem ornamento de campanha. É reconhecer que o corpo também precisa caber nas políticas do Estado. E que uma cidade só começa a ser verdadeiramente acolhedora quando deixa de exigir que necessidades básicas sejam enfrentadas em silêncio.

Fontes e documentos:

– Governo avisa por mensagem sobre absorventes gratuitos (Fonte em Foco)
Centros ajudam mulheres a romper ciclos no DF (Fontge em Foco)
SUS facilita retirada gratuita de absorventes (Fonte em Foco)
Maio Laranja reforça proteção de crianças no DF (Fonte em Foco)
Mães atípicas encontram apoio para seguir cuidando (Fonte em Foco)
– Programa Absorva o Bem completa 1 ano e consolida rede de cuidado e dignidade no DF (Agência Brasília)
Absorva o Bem completa 1 ano e consolida rede de cuidado e dignidade no DF (Seac-DF)
– Absorva o Bem (Seac-DF)

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