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InícioBrasilEconomiaDesemprego em 5,6% é o menor para maio desde 2012 no país

Desemprego em 5,6% é o menor para maio desde 2012 no país

Publicado em

Reportagem:
Fabíola Fonseca

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Número de ocupados cresce em 558 mil e chega a 102,7 milhões

O mercado de trabalho brasileiro encerrou o trimestre de março a maio com 102,7 milhões de pessoas ocupadas, acréscimo de 558 mil trabalhadores em relação ao período de dezembro a fevereiro. A taxa de desemprego ficou em 5,6%, o menor resultado para um trimestre terminado em maio desde o início da série histórica, em 2012.

Apesar da diferença nominal em relação aos 5,8% registrados no trimestre anterior, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística classificou o movimento como estatisticamente estável. Na comparação com o mesmo período de 2025, quando a taxa estava em 6,2%, houve redução de 0,6 ponto percentual.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (26) e integram a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua.

Desemprego recua em um ano, mas mantém 6,1 milhões sem trabalho

O país tinha 6,1 milhões de pessoas desocupadas no trimestre encerrado em maio. O contingente ficou estável em relação aos 6,2 milhões registrados entre dezembro e fevereiro, mas caiu 9,3% na comparação anual.

Em números absolutos, aproximadamente 624 mil pessoas deixaram a população desocupada em relação ao mesmo trimestre de 2025, quando 6,7 milhões procuravam trabalho.

O analista da pesquisa William Kratochwill avaliou que o resultado sustenta uma tendência de expansão na capacidade do mercado de absorver trabalhadores.

A taxa de 5,6%, entretanto, não é a menor já registrada em qualquer período pela pesquisa. A mínima da série foi de 5,1% no trimestre encerrado em dezembro de 2025.

O resultado atual representa o menor desemprego especificamente entre todos os trimestres móveis formados pelos meses de março, abril e maio desde 2012.

Ocupação avança puxada pelo setor público e pelos transportes

A população ocupada cresceu 0,5% em relação ao trimestre de dezembro a fevereiro, alcançando 102,7 milhões de pessoas. Na comparação anual, o avanço foi de 0,8%, equivalente a mais 840 mil trabalhadores.

O maior crescimento no trimestre ocorreu no agrupamento formado por administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais. O setor ganhou aproximadamente 591 mil ocupados, avanço de 3,1%.

O segmento de transporte, armazenagem e correio também apresentou aumento, com mais 177 mil trabalhadores, ou 3%.

Os demais grupos pesquisados ficaram estatisticamente estáveis. Isso significa que a ampliação da ocupação não ocorreu de maneira uniforme entre todos os setores da economia.

Entre as posições profissionais, o número de empregados no setor público cresceu 3,6%, com acréscimo de cerca de 450 mil pessoas.

O avanço se concentrou principalmente nos trabalhadores do setor público sem carteira assinada, grupo que aumentou 13,9% no trimestre. A categoria inclui vínculos temporários e outras formas de contratação sem registro na carteira de trabalho.

Subutilização da mão de obra cai para 13,3%

A taxa composta de subutilização da força de trabalho ficou em 13,3%, abaixo dos 14,1% registrados no trimestre de dezembro a fevereiro e dos 14,9% observados um ano antes.

Esse indicador é mais amplo do que a taxa de desemprego. Ele reúne pessoas desocupadas, trabalhadores que gostariam de cumprir mais horas e pessoas que poderiam trabalhar, mas não procuraram emprego ou não estavam disponíveis no período pesquisado.

A população subutilizada foi estimada em 15,1 milhões de pessoas. O contingente caiu 5,7% no trimestre e 11,3% na comparação anual.

O número de desalentados chegou a 2,4 milhões. Esse grupo é formado por pessoas que gostariam de trabalhar e estavam disponíveis, mas desistiram de procurar uma vaga por razões como falta de experiência, ausência de oportunidades na região ou percepção de que não conseguiriam emprego.

O desalento recuou 10,2% em relação ao trimestre anterior e 14,6% em um ano.

Rendimento médio cresce 4% em relação a 2025

O rendimento médio real habitualmente recebido em todos os trabalhos ficou em R$ 3.726 por mês.

O valor permaneceu estável em relação aos R$ 3.756 registrados no trimestre de dezembro a fevereiro. Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve aumento real de 4%.

Como o cálculo desconta os efeitos da inflação, o crescimento anual representa ganho no poder médio de compra dos rendimentos do trabalho.

A massa total de rendimentos, que soma os valores recebidos por todos os trabalhadores, alcançou aproximadamente R$ 377,7 bilhões por mês. O montante ficou estável no trimestre e cresceu 4,8% em um ano.

O aumento da massa resulta da combinação entre maior número de ocupados e elevação real dos rendimentos em relação a 2025.

Informalidade ainda alcança 38,3 milhões de trabalhadores

A taxa de informalidade ficou em 37,3% da população ocupada, equivalente a 38,3 milhões de trabalhadores.

Um ano antes, o indicador estava em 37,8%. A diferença mostra uma redução proporcional, mas o contingente permanece elevado e corresponde a mais de um terço das pessoas que trabalham no país.

O IBGE classifica como informais, entre outros grupos, empregados do setor privado sem carteira assinada, trabalhadores domésticos sem registro, empregadores sem CNPJ e trabalhadores por conta própria sem empresa formalizada.

A informalidade não significa necessariamente ausência de contribuição previdenciária. Um trabalhador por conta própria sem CNPJ, por exemplo, pode recolher o INSS como contribuinte individual.

A condição informal, contudo, geralmente não assegura direitos vinculados a uma relação formal de emprego, como férias remuneradas, décimo terceiro salário, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e seguro-desemprego.

Um terço dos ocupados não contribui para a previdência

A pesquisa mostrou que 66,6% dos trabalhadores contribuíam para algum instituto oficial de previdência. O grupo somava aproximadamente 68,4 milhões de pessoas.

Isso significa que cerca de um terço da população ocupada não fazia contribuição previdenciária no período pesquisado.

O indicador considera recolhimentos ao Instituto Nacional do Seguro Social, ao Plano de Seguridade Social da União e aos regimes próprios estaduais ou municipais.

A contribuição permite acesso a benefícios como aposentadoria, auxílio por incapacidade temporária, salário-maternidade e pensão por morte, desde que sejam cumpridos os requisitos de cada benefício.

Como o IBGE calcula a taxa de desemprego

A PNAD Contínua investiga o mercado de trabalho entre pessoas com 14 anos ou mais. A amostra reúne aproximadamente 211 mil domicílios distribuídos por todos os estados e pelo Distrito Federal.

Para ser considerada desocupada, a pessoa precisa estar sem trabalho, ter procurado efetivamente uma ocupação nos 30 dias anteriores e estar disponível para começar a trabalhar.

Quem não trabalha, mas também não procura emprego, fica fora da força de trabalho e não entra diretamente no cálculo da taxa de desemprego.

A categoria de ocupados abrange diferentes formas de atividade. São considerados trabalhadores empregados com ou sem carteira, servidores públicos, trabalhadores temporários, domésticos, empregadores e pessoas que trabalham por conta própria.

Os indicadores divulgados mensalmente representam trimestres móveis. O resultado encerrado em maio, portanto, reúne informações coletadas ao longo de março, abril e maio, e não constitui uma medição isolada do último mês.

Desemprego baixo não elimina problemas na qualidade das vagas

A combinação entre expansão da ocupação, redução anual do desemprego, crescimento real da renda e queda da subutilização confirma um mercado de trabalho mais aquecido do que o observado um ano antes.

A taxa de desemprego, porém, não resume todas as condições enfrentadas pelos trabalhadores. Ela informa quantas pessoas procuraram e não encontraram ocupação, mas não mede, sozinha, estabilidade contratual, jornada adequada, proteção previdenciária ou suficiência da renda.

Os 38,3 milhões de trabalhadores informais e a parcela de ocupados sem contribuição previdenciária mostram que a melhora quantitativa convive com fragilidades estruturais.

Criar postos de trabalho continua sendo essencial. O passo seguinte é ampliar a formalização, a proteção social e a capacidade de o rendimento sustentar as necessidades das famílias. Uma taxa historicamente baixa é uma boa fotografia do acesso ao trabalho, mas a qualidade do emprego exige um álbum inteiro.

Relacionadas, fontes e documentos:

Governo prepara teto do MEI de R$ 140 mil até 2028 (Fonte em Foco)
Tesouro Direto vende R$ 10,22 bilhões em maio (Fonte em Foco)
Mercado passa a prever Selic de 13,75% no fim de 2026 (Fonte em Foco)
Alimentos respondem por metade da inflação de maio (Fonte em Foco)
PNAD Contínua de maio de 2026 (IBGE)
Desemprego até maio cai para 5,6%, o menor já registrado no período (Agência Brasil)

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