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segunda-feira, 15 junho 2026, 12:56
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InícioBrasilEconomiaMercado passa a prever Selic de 13,75% no fim de 2026

Mercado passa a prever Selic de 13,75% no fim de 2026

Publicado em

Reportagem:
Fabíola Fonseca

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Crédito deve seguir caro enquanto projeção da inflação sobe para 5,3%

Famílias e empresas podem enfrentar juros elevados por mais tempo em 2026. Instituições financeiras aumentaram para 13,75% ao ano a estimativa da Selic no fim do ano e elevaram para 5,3% a previsão da inflação oficial.

Mercado eleva previsão da Selic pela segunda semana

A estimativa para a taxa básica de juros no encerramento de 2026 passou de 13,5% para 13,75% ao ano, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 15 de junho.

Foi a segunda semana consecutiva de elevação da projeção. O movimento indica que os analistas esperam um ciclo mais limitado de redução dos juros diante da piora das expectativas de inflação.

A Selic está atualmente em 14,5% ao ano. Portanto, mesmo que a projeção do Focus se confirme, a taxa terminaria 2026 apenas 0,75 ponto percentual abaixo do nível atual.

O Focus reúne estimativas de bancos, consultorias, corretoras e outras instituições. Os números não representam uma previsão oficial nem uma decisão antecipada do Banco Central.

A definição da Selic cabe ao Comitê de Política Monetária, que analisa inflação, atividade econômica, câmbio, mercado de trabalho, contas públicas e cenário internacional.

Copom decide nesta semana se mantém juros em 14,5%

O Copom se reúne nesta terça-feira, 16 de junho, e na quarta-feira, 17, para definir a nova taxa básica de juros.

A expectativa predominante apresentada no material é de manutenção da Selic em 14,5% ao ano.

Na reunião anterior, realizada em abril, o comitê reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual. Foi o segundo corte consecutivo, depois de a Selic permanecer em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026.

O Banco Central informou, naquela ocasião, que o aumento das incertezas exigia cautela na definição dos próximos passos. Entre os fatores de risco estão os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre petróleo, combustíveis, fertilizantes, alimentos e custos de transporte.

A manutenção da taxa interromperia temporariamente o ciclo de cortes, mas não significaria necessariamente seu encerramento. As próximas decisões dependerão da evolução dos preços e das expectativas.

Selic projetada continua em dois dígitos até 2029

O mercado financeiro estima redução gradual dos juros nos anos seguintes.

As projeções apresentadas no Focus são:

  • 2026: 13,75% ao ano;
  • 2027: 12% ao ano;
  • 2028: 10,25% ao ano;
  • 2029: 10% ao ano.

Mesmo com a trajetória de queda, as estimativas mantêm a Selic em dois dígitos durante todo o período.

Esse cenário tende a conservar o custo do crédito em patamar elevado. Financiamentos, empréstimos pessoais, cheque especial e parcelamentos não acompanham a Selic de forma automática, mas são influenciados pelas decisões do Banco Central.

Os bancos também consideram inadimplência, custos administrativos, impostos, margem de lucro e garantias ao definir as taxas cobradas dos consumidores.

Por isso, uma eventual redução da Selic não significa que os juros bancários cairão na mesma proporção nem no mesmo momento.

Inflação projetada sobe pela 14ª semana consecutiva

A previsão do mercado para o IPCA de 2026 aumentou de 5,11% para 5,3%.

Foi a 14ª semana consecutiva de elevação da estimativa para a inflação oficial.

O percentual projetado está acima do teto de 4,5% do sistema de metas. O Conselho Monetário Nacional definiu uma meta central de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

A projeção do Focus, entretanto, não representa inflação já registrada. Trata-se de uma estimativa para o resultado acumulado até dezembro.

Em maio, o IPCA subiu 0,58%. O acumulado em 12 meses chegou a 4,72%, acima do limite superior da meta.

O resultado mensal foi pressionado principalmente pelos alimentos e pela energia elétrica. A guerra no Oriente Médio também ampliou incertezas sobre combustíveis, frete e fertilizantes, mas o impacto final sobre os preços dependerá da duração do conflito e das medidas adotadas pelo governo.

Estar acima do teto não configura descumprimento imediato

O novo regime brasileiro de metas considera a inflação acumulada em 12 meses, e não apenas o índice fechado em dezembro.

Mesmo assim, a meta só é considerada formalmente descumprida quando o IPCA permanece fora do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos.

Essa distinção evita uma interpretação incorreta. O índice de 4,72% está acima do teto, mas um único mês nessa condição não caracteriza, isoladamente, descumprimento formal da meta.

Para 2027, o mercado elevou a projeção do IPCA de 4,03% para 4,1%. As estimativas ficaram em 3,68% para 2028 e 3,5% para 2029.

Todos os percentuais permanecem acima do centro da meta de 3%.

Previsão de crescimento do PIB aumenta para 1,96%

Apesar da expectativa de juros mais altos, o mercado aumentou ligeiramente a estimativa de crescimento da economia brasileira em 2026.

A projeção para o Produto Interno Bruto passou de 1,91% para 1,96%.

Para 2027, a expectativa permanece em 1,7%. Os analistas estimam crescimento de 2% em 2028 e também em 2029.

No primeiro trimestre de 2026, o PIB cresceu 1,1% em relação ao trimestre anterior. Na comparação com o mesmo período de 2025, a expansão foi de 1,8%.

O crescimento acumulado em quatro trimestres ficou em 2%.

Esses indicadores mostram uma economia ainda em expansão, mas sob o efeito de uma política monetária restritiva. Juros elevados reduzem a demanda por crédito e podem desacelerar consumo, investimentos e contratações.

Por outro lado, uma atividade econômica mais resistente também pode dificultar a queda da inflação, especialmente quando a demanda por produtos e serviços continua elevada.

Dólar é estimado em R$ 5,20 no fim do ano

A projeção para a moeda norte-americana ficou em R$ 5,20 no encerramento de 2026.

Para o fim de 2027, o mercado estima dólar a R$ 5,25.

A cotação influencia preços de combustíveis, fertilizantes, medicamentos, equipamentos eletrônicos e produtos importados. Também afeta empresas brasileiras que compram insumos no exterior.

Uma valorização do dólar pode pressionar a inflação, enquanto uma queda da moeda tende a reduzir parte dos custos de importação.

O câmbio, contudo, responde a fatores internos e externos, como juros nos Estados Unidos, fluxo de investimentos, risco fiscal, preços de commodities e conflitos internacionais.

Juros altos protegem contra inflação, mas pesam no orçamento

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para tentar conduzir a inflação à meta.

Quando os juros sobem ou permanecem elevados, o crédito tende a ficar mais caro. Isso reduz consumo e investimentos, enfraquece a demanda e pode diminuir a pressão sobre os preços.

O custo aparece nas prestações, nos empréstimos, no financiamento de veículos e imóveis e no capital de giro das empresas.

Taxas elevadas também podem favorecer aplicações financeiras e estimular a poupança. Ao mesmo tempo, aumentam o custo da dívida pública e podem limitar a expansão econômica.

Quando a Selic cai, o efeito ocorre na direção contrária. O crédito tende a se tornar menos caro, favorecendo consumo, produção e investimentos, mas reduzindo parte da força usada para controlar a inflação.

Focus reforça cenário de cortes menores nos juros

A combinação entre inflação projetada em 5,3% e Selic estimada em 13,75% sugere que o mercado espera juros altos durante a maior parte do ano.

O Focus não determina as decisões do Copom, mas influencia o debate porque mostra como instituições financeiras avaliam a trajetória futura da economia.

A revisão desta semana reduz o espaço esperado para novos cortes. Também aumenta a atenção sobre o comunicado que será divulgado ao fim da reunião de quarta-feira.

Para o consumidor, a consequência mais provável é a permanência de crédito caro por mais tempo. A taxa definida em Brasília pode parecer distante, mas chega ao orçamento dentro da prestação, da fatura e do limite bancário.

Relacionadas, fontes e documentos:

Inflação prevista sobe e aperta debate sobre juros (Fonte em Foco)
Inflação prevista supera teto da meta em 2026 (Fonte em Foco)
ANP amplia fiscalização contra abusos nos combustíveis (Fonte em Foco)
Alimentos respondem por metade da inflação de maio (Fonte em Foco)
– Relatório Focus (Banco Central do Brasil)
– Comunicados do Comitê de Política Monetária (Banco Central do Brasil)
Mercado financeiro eleva previsão da Selic para 13,75% ao ano (Agência Brasil)
– PIB cresce 1,1% no primeiro trimestre de 2026 (IBGE)
– IPCA de maio de 2026 (IBGE)

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