Comida e remédios mantêm pressão sobre o bolso
A inflação oficial do país desacelerou em abril, mas continuou pressionada por itens de consumo básico. O IPCA fechou o mês em 0,67%, abaixo dos 0,88% registrados em março. Ainda assim, alimentos, remédios, gasolina e gás de botijão mantiveram o custo de vida sob pressão, especialmente para famílias que gastam maior parte da renda com supermercado, transporte e saúde.
IPCA desacelera, mas acumula 4,39% em 12 meses
Com o resultado de abril, o IPCA acumula alta de 2,60% no primeiro quadrimestre de 2026 e de 4,39% em 12 meses. O percentual anual está dentro do intervalo da meta de inflação, que tem centro em 3% e tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Porém, a taxa ficou maior que o acumulado de 12 meses encerrado em março, quando estava em 4,14%.
O resultado veio levemente abaixo da expectativa de mercado. O Relatório Focus, do Banco Central, estimava inflação de 0,69% para abril. A diferença é pequena, mas mostra que a desaceleração dos transportes ajudou a segurar o índice cheio, enquanto alimentação e saúde continuaram exercendo pressão relevante.
Alimentos e bebidas responderam por 43% da inflação
O grupo Alimentação e bebidas subiu 1,34% em abril e teve impacto de 0,29 ponto percentual no índice. Segundo o IBGE, esse grupo respondeu por 43% da inflação do mês. Dentro de casa, a alta foi ainda maior, de 1,64%, puxada por cenoura, leite longa vida, cebola, tomate e carnes.
Entre os alimentos, a cenoura subiu 26,63%, o leite longa vida avançou 13,66%, a cebola teve alta de 11,76%, o tomate aumentou 6,13% e as carnes ficaram 1,59% mais caras. No sentido contrário, o café moído caiu 2,30% e o frango em pedaços recuou 2,14%. A alimentação fora do domicílio subiu 0,59%.
Gasolina teve o maior impacto individual
Apesar da força dos alimentos, a gasolina foi o item com maior impacto individual sobre o IPCA de abril. O combustível subiu 1,86% e acrescentou 0,10 ponto percentual ao índice. O movimento foi menor que o de março, quando a gasolina havia avançado 4,59%, mas ainda suficiente para pesar no orçamento e no frete de mercadorias.
O grupo Transportes desacelerou de 1,64% em março para 0,06% em abril, principalmente por causa da queda de 14,45% nas passagens aéreas. Os combustíveis, no entanto, seguiram em alta. Além da gasolina, o óleo diesel subiu 4,46% e o etanol avançou 0,62%. Já o gás veicular caiu 1,24%.
Inflação menor não significa alívio igual para todos
A desaceleração do índice cheio é relevante, mas não conta toda a história. Quando a pressão vem de comida, remédio, gás, energia e combustível, o impacto costuma ser mais duro para quem tem menos espaço no orçamento. O número geral melhora, mas a vida real continua fazendo conta no caixa do mercado.
O grupo Saúde e cuidados pessoais subiu 1,16%, com destaque para produtos farmacêuticos, que avançaram 1,77% após autorização de reajuste de até 3,81% nos medicamentos a partir de abril. Em Habitação, a alta de 0,63% refletiu gás de botijão, energia elétrica e reajustes regionais de tarifas. Portanto, a inflação de abril desacelerou, mas não trouxe uma trégua ampla para o consumidor.
O índice esfria, mas a cesta básica ainda fala alto
O IPCA de abril mostra uma economia em que a inflação perdeu velocidade no agregado, mas continua concentrada em itens essenciais. Essa composição importa. Uma inflação de 0,67% pode parecer administrável na estatística, mas pesa de forma diferente quando o leite sobe dois dígitos, o gás encarece e o combustível aumenta o custo do transporte e da entrega.
O desafio para os próximos meses será observar se a pressão dos alimentos perde força com a melhora da oferta ou se continuará contaminando a percepção de custo de vida. Para o consumidor, inflação dentro da meta ajuda. Mas inflação no prato, no remédio e no botijão ainda aperta. E aperta sem pedir licença.
Fontes e documentos:
– Lei muda rótulos e exige mais cacau nos chocolates (Fonte em Foco)
– Dólar cai abaixo de R$ 4,90 e anima mercado (Fonte em Foco)
– Pobres mais pobres e ricos mais ricos (Fonte em Foco)
– Em abril, IPCA fica em 0,67% (IBGE)
– Influenciada pela alta dos alimentos e remédios, inflação fica em 0,67% em abril (IBGE)
– Inflação desacelera e fecha abril em 0,67%, pressionada por alimentos (Agência Brasil)

