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terça-feira, 12 maio 2026, 17:47:19
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Move Brasil libera crédito para renovar frota pesada

Publicado em

Reportagem:
Fabíola Fonseca

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Caminhoneiros e empresas terão crédito para trocar veículos antigos

Transportadores autônomos, cooperativas e empresas do setor de transporte terão acesso a uma nova rodada de crédito para renovar caminhões, ônibus e implementos rodoviários no país. O Move Brasil foi regulamentado com R$ 21,2 bilhões disponíveis para financiamento, em uma política que combina juros menores, exigência de produção nacional e critérios ambientais.

A medida busca reduzir o peso do financiamento para quem precisa trocar veículo de trabalho, especialmente caminhoneiros autônomos e operadores de transporte. Ao mesmo tempo, tenta acelerar a substituição de modelos antigos, mais poluentes e menos eficientes. Crédito barato, nesse caso, não é favor: é motor ligado para uma frota que envelheceu mais do que deveria.

Quem pode contratar o crédito

As regras publicadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços permitem acesso ao financiamento por pessoas físicas, como transportadores autônomos, cooperativas e empresas do setor de transporte.

O programa financia caminhões, ônibus e implementos rodoviários, como reboques, semirreboques, carrocerias e equipamentos usados na operação de carga e transporte. No caso de caminhões seminovos, a compra fica restrita a autônomos vinculados a cooperativas, com veículos fabricados a partir de 2012.

Para serem aceitos, os veículos precisam cumprir exigências de sustentabilidade e origem nacional. Na prática, isso significa respeitar limites de emissão de poluentes e atender índices mínimos de fabricação no Brasil, conforme diretrizes operacionais do BNDES.

Veículo antigo pode melhorar condição do financiamento

Uma das principais portas de acesso a condições mais vantajosas é a entrega de veículo antigo para renovação. Para isso, o veículo usado deve estar em condições de rodagem, ter licenciamento regular de 2024 ou posterior e mais de 20 anos de fabricação.

Depois da operação, o proprietário deverá comprovar que o veículo foi encaminhado para reciclagem em até 180 dias. Esse ponto é central porque evita que o programa apenas financie veículos novos sem retirar de circulação parte da frota mais antiga.

A lógica é simples: trocar o caminhão velho sem reciclar o antigo pode apenas mudar o problema de endereço. Renovação real exige tirar da estrada o veículo que já passou da hora de descansar.

Move Brasil terá prazos diferentes por perfil

As condições financeiras foram regulamentadas pelo Conselho Monetário Nacional. Os prazos variam conforme o perfil do tomador. Para transportadores autônomos, o financiamento poderá chegar a 120 meses, com até 12 meses de carência. Para empresas, o prazo será de até 60 meses, com carência de até seis meses.

O valor máximo por financiamento é de R$ 50 milhões por cliente. A ampliação do programa mais que dobrou o volume disponível, que antes era de R$ 10 bilhões.

O BNDES será responsável por operar os recursos por meio das instituições financeiras credenciadas. Isso significa que o interessado não recebe o dinheiro diretamente do governo, mas contrata o financiamento por canais habilitados dentro das regras do programa.

Renovação tenta unir crédito, indústria e meio ambiente

O governo apresenta o Move Brasil como uma política de renovação de frota, redução de emissões e estímulo à indústria nacional. A exigência de conteúdo nacional busca direcionar parte da demanda para veículos produzidos no país, enquanto os critérios ambientais pretendem reduzir a circulação de modelos mais poluentes.

Para caminhoneiros autônomos, o ponto decisivo será o custo final da operação. Prazo longo e carência ajudam, mas não substituem a análise do valor total financiado, da taxa efetiva, da entrada exigida e da capacidade de pagamento mensal.

Para empresas, o programa pode abrir espaço para renovação planejada de frota. No entanto, a adesão dependerá da comparação com outras linhas de crédito, da disponibilidade dos veículos elegíveis e da capacidade de atender aos critérios exigidos.

Crédito precisa chegar sem virar labirinto

O sucesso do programa dependerá menos do anúncio bilionário e mais da execução. Caminhoneiros autônomos e pequenos transportadores costumam enfrentar dificuldade para reunir documentação, comprovar renda e negociar com bancos em condições equilibradas.

Por isso, a transparência das regras será essencial. O interessado precisará confirmar se o veículo pretendido é elegível, verificar se a instituição financeira está habilitada, comparar o custo efetivo total e avaliar se a entrega de veículo antigo melhora, de fato, a condição do financiamento.

A promessa do Move Brasil é atacar três problemas ao mesmo tempo: frota envelhecida, crédito caro e emissões maiores. É ambicioso. Agora, a estrada da política pública passa pelo pedágio da execução.

Fontes e documentos:

Mdic define regras para crédito de R$ 21,2 bi do Move Brasil (Agência Brasil)
– Governo amplia Move Brasil, que terá R$ 21,2 bi para aquisição de caminhões e ônibus (BNDES)
– Programa BNDES Renovação de Frota (BNDES)
Desenrola deve aliviar juros de quem paga em dia (Fonte em Foco)
Novo Desenrola alivia, mas não corrige hábitos financeiros (Fonte em Foco)
Novo Desenrola mira dívidas com desconto de até 90% (Fonte em Foco)

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