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Lei muda rótulos e exige mais cacau nos chocolates

Publicado em

Reportagem:
Fabíola Fonseca

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Consumidor verá teor de cacau na frente dos chocolates

Quem compra chocolate no Brasil deverá encontrar, de forma visível na frente da embalagem, o teor de cacau do produto e terá uma proteção mais clara contra itens vendidos com aparência de chocolate sem cumprir os critérios mínimos de composição. A nova lei publicada nesta segunda-feira estabelece padrões para produtos derivados de cacau, vale para itens nacionais e importados e entra em vigor após 360 dias, prazo dado à indústria para adaptação.

Teor de cacau terá de aparecer com destaque no rótulo

A principal mudança para o consumidor estará no painel frontal da embalagem. O rótulo deverá trazer a declaração “Contém X% de cacau”, em área equivalente a pelo menos 15% da parte da frente do produto, com contraste e legibilidade suficientes para facilitar a leitura. Na prática, a composição deixa de ficar escondida no miúdo técnico e passa a disputar espaço com a própria promessa comercial da embalagem.

A norma também define parâmetros mínimos para diferentes categorias. Para ser chamado simplesmente de chocolate, o produto precisará ter ao menos 35% de sólidos totais de cacau, dos quais pelo menos 18% devem ser manteiga de cacau e 14% sólidos isentos de gordura. Já o chocolate ao leite deverá conter no mínimo 25% de sólidos totais de cacau e 14% de sólidos de leite ou derivados. O chocolate branco terá de manter ao menos 20% de manteiga de cacau e 14% de sólidos totais de leite.

Lei separa chocolate de produtos com sabor chocolate

Além de fixar percentuais, a lei cria uma fronteira mais nítida entre o que pode ser vendido como chocolate e o que deverá assumir outra denominação. Produtos como achocolatado, chocolate fantasia, chocolate composto e cobertura sabor chocolate terão de conter pelo menos 15% de sólidos de cacau ou 15% de manteiga de cacau. Caso não atendam às exigências das categorias superiores, não poderão usar imagens, expressões, cores ou outros elementos gráficos capazes de induzir o consumidor ao erro sobre a natureza do produto.

A mudança endurece uma regra que já existia na regulação sanitária. Até agora, a norma da Anvisa considerava como chocolate o produto com, no mínimo, 25% de sólidos totais de cacau. Com a nova lei, o piso para a categoria geral sobe para 35%, enquanto outras classificações passam a ter definições legais mais detalhadas. Portanto, a alteração não se limita ao rótulo; ela também aperta o critério usado para dizer o que é, de fato, chocolate.

O que muda para o consumidor no mercado de chocolates

Para quem compra, a consequência mais imediata será a possibilidade de comparar produtos com menos esforço. Hoje, duas embalagens visualmente parecidas podem esconder composições bastante diferentes. Com o teor de cacau exposto na frente do pacote, a escolha tende a ficar menos dependente de slogans e mais apoiada em informação objetiva. É uma mudança simples no desenho da embalagem, mas relevante em um mercado onde o nome do produto, muitas vezes, fala mais alto do que a fórmula.

O alcance real da lei, no entanto, dependerá da regulamentação complementar e da fiscalização. A própria norma atribui à autoridade reguladora a tarefa de estabelecer diretrizes, padrões de identidade, qualidade e composição para os produtos abrangidos. Também prevê que o descumprimento poderá gerar sanções previstas no Código de Defesa do Consumidor, além de penalidades sanitárias, civis ou penais cabíveis. Em outras palavras, a transparência foi escrita; agora será preciso fazê-la chegar inteira à prateleira.

Quando o rótulo deixa de ser vitrine e passa a prestar contas

A nova regra desloca uma parte importante do poder de decisão da indústria para o consumidor. Até aqui, muita embalagem vendia uma sensação de chocolate antes de entregar uma composição verificável. Ao exigir percentuais mínimos e informação frontal, a lei tenta reduzir essa zona cinzenta entre produto, marketing e expectativa de compra. Não resolverá sozinha a assimetria de informação no setor alimentício, mas torna mais difícil vender narrativa onde deveria haver cacau.

Fontes e documentos:

– Move Brasil libera crédito para renovar frota pesada (Fonte em Foco)
– Dólar cai abaixo de R$ 4,90 e anima mercado (Fonte em Foco)
– Substitutivo da Câmara ao Projeto de Lei nº 1.769 de 2019 (Câmara dos Deputados)
– Aprovado projeto que regulamenta percentual de cacau em chocolates (Senado Federal)
– Regulação de alimentos e RDC nº 723/2022 (Anvisa)
– Nova lei define percentual mínimo de cacau nos chocolates (Agência Brasil)

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