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Dólar cai abaixo de R$ 4,90 e anima mercado

Publicado em

Reportagem:
Repórter: Fabíola Fonseca

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Dólar fecha no menor valor desde janeiro de 2024 e bolsa sobe

O mercado financeiro brasileiro teve uma sexta-feira (8) de alívio, com o dólar comercial abaixo de R$ 4,90 pela primeira vez desde janeiro de 2024 e recuperação parcial da bolsa. A moeda norte-americana fechou vendida a R$ 4,894, em queda de 0,60%, menor valor de encerramento desde 15 de janeiro de 2024.

No acumulado do ano, o dólar registra baixa de 10,84% frente ao real. A queda foi puxada por um ambiente externo mais favorável, após dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos reduzirem temores de desaceleração forte da economia norte-americana e de inflação mais persistente.

Para o consumidor brasileiro, dólar mais baixo pode aliviar parte da pressão sobre produtos importados, viagens internacionais, insumos industriais e preços influenciados pela moeda norte-americana. Mas esse efeito não chega à prateleira por decreto, nem por torcida. Mercado gosta de euforia; o bolso do cidadão prefere consistência.

Dados dos EUA melhoram o humor dos investidores

Os mercados reagiram à divulgação de estatísticas de emprego nos Estados Unidos, que vieram acima do esperado. O resultado reduziu o medo de uma desaceleração mais dura na maior economia do mundo e aumentou o apetite por risco, favorecendo moedas de países emergentes, como o real.

O movimento também foi influenciado pela redução dos temores de uma escalada no conflito entre Estados Unidos e Irã. Sinais de continuidade do cessar-fogo e declarações do presidente Donald Trump ajudaram a reduzir a aversão ao risco nos mercados globais.

Esse conjunto favoreceu a entrada de recursos em ativos considerados mais arriscados. Quando o investidor global enxerga menos risco no cenário externo, moedas como o real tendem a ganhar força. Quando o susto volta, esse dinheiro também costuma sair sem pedir licença.

Ibovespa sobe, mas fecha semana no vermelho

O Ibovespa, principal índice da B3, subiu 0,49% nesta sexta-feira e encerrou o pregão aos 184.108 pontos. A alta foi puxada principalmente por ações de bancos e mineradoras.

Apesar da recuperação no fim da semana, o índice acumulou queda de 1,71% no período. No ano, porém, ainda mantém valorização de 14,26%.

O desempenho mostra um mercado em ajuste. A bolsa recuperou parte das perdas da véspera, mas ainda carrega cautela com juros, cenário externo, commodities e riscos geopolíticos. A sexta-feira foi boa, mas não apaga a semana. No mercado, um pregão animado melhora o humor; tendência se confirma com sequência.

Wall Street também teve dia positivo

O ambiente externo ajudou a sustentar o pregão brasileiro. Em Wall Street, o índice S&P 500, que reúne 500 das maiores empresas dos Estados Unidos, avançou 0,84%. O resultado refletiu o alívio com os dados econômicos norte-americanos e a percepção de menor risco de recessão.

Esse movimento tem impacto direto sobre mercados emergentes. Quando a bolsa norte-americana sobe com percepção de crescimento mais saudável, investidores tendem a buscar maior retorno em outros mercados. O Brasil se beneficia desse fluxo, especialmente quando há combinação de dólar global mais fraco e ativos locais ainda atrativos.

Ainda assim, o quadro exige prudência. Dados fortes de emprego podem ser bons para o crescimento, mas também podem influenciar as expectativas sobre juros nos Estados Unidos. Para o Brasil, cada mudança nessa leitura pode mexer com câmbio, bolsa e custo de financiamento.

Petróleo sobe, mas fecha semana com perdas

Mesmo com menor tensão no Oriente Médio, os preços do petróleo subiram nesta sexta-feira. O barril do Brent, referência internacional, avançou 1,23%, a US$ 101,29. Já o WTI, negociado nos Estados Unidos, subiu 0,64%, para US$ 95,42.

Apesar da alta no dia, os contratos encerraram a semana com perdas superiores a 6%. O mercado segue monitorando os riscos no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo.

O petróleo é o termômetro mais nervoso da geopolítica. Qualquer sinal de bloqueio, ataque ou escalada costuma aparecer rapidamente nos preços. Para o Brasil, isso importa porque combustíveis afetam inflação, transporte, frete e custos de produção.

Câmbio menor ajuda, mas não resolve tudo

A queda do dólar é uma boa notícia para a economia brasileira, mas não deve ser lida como solução automática para preços, inflação ou crescimento. O câmbio responde a fatores externos, fluxo financeiro, juros, risco político, commodities e percepção fiscal.

Um dólar abaixo de R$ 4,90 pode aliviar importações e reduzir pressão sobre alguns custos. Porém, a transmissão para o consumidor depende de estoques, contratos, margens, concorrência e tempo. A cotação cai na tela primeiro. No caixa do supermercado, a realidade costuma andar de sapato mais pesado.

O saldo do dia foi positivo: dólar no menor nível desde janeiro de 2024, bolsa em alta e menor aversão ao risco global. Mas o mercado segue condicionado a dados dos Estados Unidos, juros internacionais e tensões no Oriente Médio. A euforia de sexta-feira abriu espaço para alívio. A estabilidade, essa velha senhora exigente, ainda vai pedir mais provas.

Fontes e documentos:

– Pobres mais pobres e ricos mais ricos (Fonte em Foco)
– Mercosul terá comércio mais rápido e menos papel (Fonte em Foco)
– Move Brasil libera crédito para renovar frota pesada (Fonte em Foco)
– Novo Desenrola alivia, mas não corrige hábitos financeiros (Fontem em Foco)
– Dólar fecha abaixo de R$ 4,90 pela primeira vez em 28 meses (Agência Brasil)
– Fechamento diário do dólar (Banco Central do Brasil)

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