back to top
24 C
Brasilia
sexta-feira, 12 junho 2026, 23:48
Publicidade
Publicidade
InícioBrasilEconomiaMercosul terá comércio mais rápido e menos papel

Mercosul terá comércio mais rápido e menos papel

Publicado em

Reportagem:
Fabíola Fonseca

Cobertura relacionada

Definir prioridades ajuda a dar direção ao dinheiro

Definir prioridades financeiras ajuda a organizar o dinheiro e tornar objetivos possíveis em cada fase da vida.

Inflação prevista sobe e aperta debate sobre juros

Inflação prevista pelo Focus sobe para 5,11% em 2026 e amplia pressão sobre juros antes da reunião do Copom.

Dor crônica ganha dia nacional e diretrizes no SUS

Dor crônica ganha dia nacional e diretrizes no SUS, com atendimento integral e campanhas anuais de conscientização.

DF reduz crimes letais e lidera ranking de segurança

Crimes letais colocam o DF na liderança nacional, mas furtos, feminicídio e segurança nas ruas seguem como desafios.

Ideia Minha Comunicação: produtos personalizados em acrílico de alto padrão

Idéia Minha Comunicação se consolida como uma referência nacional no mercado de produtos personalizados em acrílico.

Medicinca veterinária ilegal vira crime no Código Penal

A medicina veterinária ilegal passa a ser crime no Código Penal, com pena de seis meses a dois anos de detenção.
Publicidade

Acordo do Mercosul promete reduzir burocracia para exportadores e importadores

O governo brasileiro promulgou o Acordo sobre Facilitação do Comércio do Mercosul, medida que busca tornar mais simples, rápido e previsível o fluxo de mercadorias entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

O decreto foi publicado no Diário Oficial da União desta sexta-feira (8) e assinado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, no exercício da Presidência da República. O texto internaliza no Brasil um acordo firmado em 5 de dezembro de 2019, em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul.

Na prática, a promessa é reduzir entraves aduaneiros, ampliar o uso de documentos eletrônicos e padronizar procedimentos entre os países do bloco. Para empresas que importam, exportam ou dependem de insumos vindos de países vizinhos, menos papel e mais previsibilidade podem significar menos custo, menos atraso e menos mercadoria parada na fronteira.

Regras buscam acelerar importações e exportações

O acordo estabelece regras comuns para facilitar operações de importação, exportação e trânsito de bens dentro do Mercosul. O texto se alinha a diretrizes da Organização Mundial do Comércio e da Organização Mundial das Aduanas, com foco em transparência, simplificação, harmonização e cooperação entre autoridades de fronteira.

Entre os principais pontos estão a ampliação da documentação eletrônica, o uso de procedimentos aduaneiros baseados em gestão de risco e o fortalecimento da transparência regulatória. A ideia é que cargas de menor risco passem por processos mais ágeis, enquanto a fiscalização concentre esforços onde houver maior possibilidade de irregularidade.

Essa mudança é relevante porque comércio exterior não perde dinheiro apenas com tarifa. Perde também com demora, exigência repetida, falta de informação e procedimento que muda conforme o balcão. A burocracia, nesse caso, não cobra boleto. Ela cobra em tempo, armazenagem e competitividade.

Guichê Único e documentos digitais ganham força

O texto prevê a implementação do Guichê Único de Comércio Exterior, além da ampliação do intercâmbio de documentos em formato digital. A lista inclui certificados de origem, certificados sanitários e outros documentos exigidos em operações comerciais.

Também há medidas para acelerar o despacho de bens, inclusive produtos perecíveis. Esse ponto tem impacto direto em setores como alimentos, agronegócio, medicamentos e produtos sujeitos a controle sanitário. Quando uma carga perecível fica parada, o prejuízo pode ser físico, não apenas contábil.

A digitalização também tende a reduzir espaço para duplicidade de exigências e interpretações divergentes. Não elimina todos os problemas, mas ajuda a substituir a lógica do carimbo por uma cadeia de informação mais rastreável. Em comércio exterior, rastreabilidade é quase uma vacina contra improviso.

Pequenas empresas podem ser beneficiadas

O acordo dedica atenção às micro, pequenas e médias empresas, que costumam enfrentar mais dificuldade para lidar com custos administrativos, exigências documentais e incertezas regulatórias.

Grandes empresas geralmente têm departamentos jurídicos, despachantes, consultores e estrutura interna para absorver atrasos. Pequenos exportadores não têm a mesma folga. Para eles, uma exigência inesperada, um documento repetido ou uma demora de dias pode inviabilizar a operação.

Por isso, a simplificação pode ampliar o acesso de negócios menores ao comércio regional. No papel, o Mercosul já é um mercado próximo. Na prática, para muitas empresas, ele ainda parece distante por causa do custo operacional de vender ou comprar além da fronteira.

Congresso aprovou texto antes da promulgação

A promulgação decorre da aprovação do acordo pelo Congresso Nacional, por meio do Decreto Legislativo nº 98, de 21 de setembro de 2023. O decreto publicado agora informa que o Brasil depositou o instrumento de ratificação junto ao Paraguai em 11 de outubro de 2024 e que o acordo entrou em vigor para o país, no plano jurídico externo, em 9 de fevereiro de 2026.

A tramitação legislativa já havia sido concluída no Senado em setembro de 2023. À época, o texto foi apresentado como instrumento para simplificar procedimentos aduaneiros, ampliar acesso à informação e operar guichês únicos de comércio exterior.

O decreto também preserva uma trava institucional importante: atos que revisem o acordo ou gerem novos encargos e compromissos gravosos ao patrimônio nacional continuarão sujeitos à aprovação do Congresso Nacional.

Facilitar comércio não dispensa fiscalização

A modernização dos procedimentos aduaneiros não significa afrouxar controle. O acordo aposta justamente em fiscalização mais inteligente, baseada em gestão de riscos e cooperação entre autoridades.

Esse equilíbrio é essencial. Comércio ágil demais, sem controle, vira porta aberta para fraude. Controle lento demais, sem inteligência, vira castigo para quem opera corretamente. O caminho mais eficiente é separar melhor o fluxo regular do fluxo suspeito.

Para o Brasil, a medida pode fortalecer a integração regional e tornar operações dentro do Mercosul menos custosas. No entanto, o resultado dependerá da implementação concreta pelos órgãos de fronteira, da interoperabilidade dos sistemas e da adesão efetiva dos demais países do bloco.

Integração regional precisa sair do discurso

O Mercosul costuma ser defendido em discursos de integração, mas ainda convive com entraves práticos que dificultam a rotina de quem compra, vende e transporta mercadorias. O acordo tenta atacar justamente esse ponto menos vistoso e mais decisivo: o funcionamento cotidiano da fronteira.

Se for bem implementado, o novo marco pode reduzir prazos, aumentar segurança jurídica e tornar o comércio intrabloco mais acessível. Se ficar apenas no papel, será mais um daqueles acordos que fazem bonito no Diário Oficial e pouco mudam no caminhão parado.

A boa notícia é que o foco está onde a integração costuma emperrar: documento, prazo, sistema e coordenação. Não é glamour diplomático. É encanamento institucional. E, no comércio exterior, quando o encanamento funciona, a economia flui melhor.

Fontes e documentos:

Ibovespa cai 2,14% após recorde; dólar fecha estável (Fonte em Foco)
Move Brasil libera crédito para renovar frota pesada (Fonte em Foco)
Tarifa zero pode liberar R$ 45,6 bi no país (Fonte em Foco)
Congresso promulga acordo entre Mercosul e União Europeia (Fonte em Foco)
– Decreto nº 12.958, de 7 de maio de 2026 (Planalto)
– Decreto nº 12.958 no Diário Oficial da União de 8 de maio de 2026 (DOU)
– Acordo que simplifica comércio no Mercosul vai à promulgação (Agência Senado)

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.