back to top
24 C
Brasilia
terça-feira, 12 maio 2026, 18:05:04
Publicidade
Publicidade
InícioBrasilPolíticaCongresso promulga acordo entre Mercosul e União Europeia

Congresso promulga acordo entre Mercosul e União Europeia

Publicado em

Reportagem:
Repórter: Marta Borges

Cobertura relacionada

Pobres mais pobres e ricos mais ricos

Desigualdade volta a subir em 2025, mas segue perto do menor nível da série. Ricos ganham 13,8 vezes mais.

Câmara aprova penas mais duras para crimes sexuais

Crimes sexuais podem ter penas maiores após aprovação de projeto na Câmara. Texto ainda será analisado pelo Senado.

PF mira Ciro Nogueira em nova fase do caso Master

Banco Master volta ao centro da Compliance Zero, que mira Ciro Nogueira em nova fase autorizada pelo STF.

Fake news distorcem debate sobre PL da Misoginia

PL da Misoginia vira alvo de fake news nas redes, com vídeos falsos e narrativas que distorcem o texto aprovado no Senado.

Novo Desenrola mira dívidas com desconto de até 90%

Desenrola permite renegociar dívidas com desconto de até 90%, juros menores e uso do FGTS. Veja quem pode participar.

Circo ganha reconhecimento legal como arte popular

Circo brasileiro ganha reconhecimento legal como arte popular no país e amplia base para políticas culturais. Entenda o que muda.
Publicidade

Brasil conclui ratificação e pressiona Europa por vigência do tratado

O Congresso Nacional promulgou nesta terça-feira, 17 de março, o decreto legislativo que ratifica no Brasil o Acordo Provisório de Comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Com isso, o país conclui sua etapa interna de aprovação do tratado, encerrando um ciclo de mais de 26 anos de negociações iniciado em 1999 e formalizado com a assinatura em 17 de janeiro de 2026, em Assunção, no Paraguai.

Na sessão solene, o presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre, afirmou que o acordo envia um sinal político em favor da paz e da prosperidade num cenário internacional marcado por guerras, protecionismo e tensões comerciais. Ao lado dele, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, sustentou que o tratado deve diversificar mercados, reduzir vulnerabilidades externas e fortalecer a resiliência da economia brasileira diante de choques globais.

Acordo cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo

O tratado reúne os países do Mercosul e os 27 membros da União Europeia em uma área comercial com cerca de 720 milhões de pessoas e PIB superior a US$ 22 trilhões, segundo a nota conjunta divulgada pelo governo brasileiro no momento da assinatura. Pelo texto, o Mercosul eliminará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos, enquanto a União Europeia zerará tarifas sobre 95% dos produtos importados do bloco sul-americano em até 12 anos.

Na prática, o governo brasileiro trata o acordo como instrumento de política comercial e também de política externa. A aposta oficial é que a abertura gradual amplie exportações, atraia investimentos e reduza custos produtivos, ao mesmo tempo em que insira o Brasil de forma mais robusta em cadeias globais de produção e consumo.

Brasil conclui sua parte, mas lado europeu ainda enfrenta etapa delicada

Do lado brasileiro, a promulgação encerra o processo parlamentar. A Câmara dos Deputados aprovou o texto no fim de fevereiro, o Senado deu aval no início de março e a sessão desta terça formalizou a ratificação interna. Os demais sócios do Mercosul — Argentina, Paraguai e Uruguai — também já haviam avançado em seus processos nacionais, segundo a tramitação informada pelo Congresso brasileiro.

Na União Europeia, o cenário é mais complexo. O Conselho da UE autorizou em 9 de janeiro de 2026 a assinatura de dois instrumentos: o Acordo de Parceria mais amplo e o Acordo Interino de Comércio, criado justamente para permitir que a parte comercial produza efeitos antes da conclusão completa do pacote político e de cooperação. Ainda assim, o bloco europeu depende do consentimento do Parlamento Europeu para a conclusão formal, e o acordo integral exigirá também ratificação dos Estados-membros.

O ponto mais sensível é que o Parlamento Europeu, em 21 de janeiro de 2026, aprovou resolução pedindo ao Tribunal de Justiça da União Europeia uma opinião sobre a compatibilidade do acordo com os tratados europeus. Documentos do próprio Parlamento indicam que essa consulta pode atrasar a aplicação do tratado, embora a Comissão Europeia tenha sinalizado que a aplicação provisória do pilar comercial poderá ocorrer assim que um dos países do Mercosul concluir sua ratificação doméstica.

Governo tenta blindar indústria e agro com mecanismo de salvaguarda

Para reduzir o risco de desequilíbrios sobre cadeias produtivas sensíveis, o governo brasileiro já havia reforçado a regulamentação de salvaguardas bilaterais no contexto do acordo. Esse mecanismo permite restringir preferências comerciais quando houver aumento das importações em condições capazes de causar ou ameaçar causar prejuízo grave à indústria doméstica ou ao setor agrícola. A arquitetura de defesa comercial já era prevista no desenho do tratado e também foi tratada nas decisões europeias que acompanharam a assinatura.

Esse ponto é politicamente central porque ajuda a responder a uma crítica recorrente: a de que o acordo poderia expor setores nacionais a competição desbalanceada sem instrumentos de reação. O que o governo tenta afirmar é que abertura comercial e proteção de setores sensíveis não precisam ser inimigas automáticas — desde que o sistema de defesa comercial funcione de fato.

O gesto do Congresso é relevante, mas a disputa real agora está na Europa

A promulgação desta terça tem valor político e econômico claro. O Brasil conclui sua parte, sinaliza previsibilidade institucional e pressiona o lado europeu a não deixar o tratado preso num limbo regulatório depois de mais de duas décadas de negociação. Também ajuda o governo a sustentar o discurso de que o país voltou a apostar em integração comercial ampla, sem abrir mão de instrumentos de proteção para setores mais expostos.

Mas seria exagero vender o acordo como fato consumado em plenitude. O passo brasileiro é importante, porém a peça decisiva agora está no tabuleiro europeu, onde convivem apoio estratégico, resistência política interna e dúvida jurídica. Em outras palavras: o Brasil já carimbou o passaporte do acordo. Falta saber se a Europa vai deixá-lo embarcar sem mais turbulência.

Fontes e documentos:
Congresso promulga nesta terça-feira o acordo entre Mercosul e União Europeia (Câmara dos Deputados)
– Mercosul-UE: o que diz o acordo aprovado pelo Senado (Senado Federal)
– Assinatura do Acordo de Parceria MERCOSUL – União Europeia – Nota Conjunta MRE/MDIC/MAPA (MDIC)
– EU-Mercosur: Council greenlights signature of the comprehensive partnership and trade agreement (Council of the European Union)
– The trade pillar of the EU-Mercosur Partnership Agreement (European Parliament)
– Acordo de Parceria entre Mercosul e União Europeia (Siscomex/MDIC)

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.