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Violência nas escolas desafia 71,7% dos gestores

Publicado em

Reportagem:
Janaina Lemos

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Gestores de escolas públicas relatam dificuldade para enfrentar bullying e preconceito

Sete em cada dez gestores de escolas públicas afirmam ter dificuldade para dialogar sobre o enfrentamento a violências como bullying, racismo e capacitismo no ambiente escolar. O dado aparece em pesquisa sobre clima escolar realizada pela Fundação Carlos Chagas, em parceria com o Ministério da Educação.

O levantamento ouviu 136 gestores de 105 escolas públicas, sendo 59 municipais e 46 estaduais. A pesquisa foi divulgada nesta quarta-feira, 6 de maio, e deve subsidiar o novo Guia de Clima Escolar Positivo para Equipes Gestoras, iniciativa do governo federal prevista para lançamento nesta quinta-feira, 7 de maio.

Violência exige preparo e escuta na escola

O principal desafio apontado pela pesquisa foi a dificuldade de tratar as violências dentro da escola. Para os responsáveis pelo estudo, o problema envolve preparo das equipes, apoio institucional e ações planejadas, não apenas respostas pontuais depois que o conflito aparece.

O pesquisador Adriano Moro, coordenador do estudo no Departamento de Pesquisas Educacionais da FCC, chama atenção para a naturalização de agressões. Em algumas situações, adultos da escola podem interpretar ataques como brincadeiras, o que reduz a gravidade do caso e dificulta a intervenção.

Esse ponto é decisivo. Quando a escola chama violência de brincadeira, a vítima aprende que sua dor precisa pedir licença. E esse é um péssimo começo para qualquer política de convivência.

Bullying não deve esconder racismo e capacitismo

Outro alerta da pesquisa é o uso genérico da palavra bullying. O termo descreve uma violência física ou psicológica repetida, com intimidação, humilhação, discriminação ou agressão contra estudantes. No entanto, quando usado para tudo, pode esconder problemas específicos, como racismo, capacitismo, xenofobia ou violência de gênero.

Nomear corretamente a violência é parte da resposta. Um caso de racismo não pode ser tratado apenas como conflito entre estudantes. Uma situação de capacitismo não deve ser reduzida a “brincadeira sem maldade”. A linguagem institucional define o caminho da proteção.

Por isso, o clima escolar positivo não é um conceito decorativo. Ele depende de confiança, respeito, escuta e capacidade de agir com justiça. Sem esse ambiente, estudantes tendem a silenciar e gestores acabam atuando apenas quando o problema já cresceu.

Família e comunidade também aparecem como desafio

A pesquisa também identificou dificuldades em outras dimensões da convivência escolar. 67,9% dos gestores relataram desafios na aproximação entre escola, famílias e comunidade. Outros 64,1% apontaram entraves na construção de bons relacionamentos entre estudantes.

Além disso, 60,3% mencionaram dificuldade para desenvolver o sentimento de pertencimento dos alunos, e o mesmo percentual reconheceu entraves na relação entre estudantes e professores. Já 49% indicaram desafios ligados à promoção do sentimento de segurança entre estudantes.

Esses dados mostram que a violência não aparece isolada. Ela se conecta à forma como estudantes se sentem vistos, acolhidos e protegidos. Escola sem pertencimento vira prédio com chamada. E prédio, sozinho, não educa ninguém.

Mais da metade nunca fez diagnóstico estruturado

O levantamento aponta que 54,8% das escolas pesquisadas nunca realizaram diagnóstico estruturado do clima escolar. Para os pesquisadores, essa etapa é essencial para orientar políticas de convivência e aprendizagem.

Sem diagnóstico, a gestão tende a agir no escuro. Pode responder a casos graves, mas tem mais dificuldade para identificar padrões, mapear grupos vulneráveis, perceber relações deterioradas e antecipar conflitos.

A pesquisa também mostra que 67,6% das unidades têm equipe responsável por ações de melhoria do clima escolar. Nas demais, a tarefa fica diretamente com a gestão, que já costuma lidar com múltiplas urgências administrativas e pedagógicas.

Clima escolar influencia aprendizagem

A relação entre convivência e desempenho pedagógico é considerada forte pelos pesquisadores. Estudantes que se sentem respeitados, seguros e acolhidos tendem a participar mais, errar sem medo e desenvolver habilidades com maior confiança.

Isso significa que combater violência não é pauta paralela ao ensino. É condição para que o ensino aconteça com qualidade. Não há aprendizagem plena quando o estudante entra na sala preocupado em sobreviver ao recreio, ao corredor ou ao grupo de mensagens.

A escola não resolve sozinha violências que muitas vezes atravessam família, território, redes sociais e desigualdades sociais. No entanto, ela precisa estar preparada para reconhecer sinais, acolher vítimas, responsabilizar condutas e envolver a rede de proteção quando necessário.

MEC recria grupo de trabalho sobre bullying

A divulgação do estudo ocorre na mesma semana em que o governo federal recriou um grupo de trabalho para subsidiar políticas de combate ao bullying e ao preconceito na educação. O GT é formado por áreas técnicas do MEC e terá prazo inicial de 120 dias para apresentar relatório com conclusões e propostas.

A pesquisa ouviu escolas de Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Sergipe e São Paulo, entre março e julho de 2025.

O novo guia pode ajudar gestores a sair da reação improvisada para uma atuação mais preventiva. Mas sua efetividade dependerá de formação continuada, tempo de planejamento, apoio das redes de ensino e integração com famílias e comunidade.

Violência escolar não se enfrenta no improviso

O dado de 71,7% é mais do que um alerta estatístico. Ele revela que muitos gestores reconhecem o problema, mas não se sentem plenamente preparados para enfrentá-lo.

A resposta exige método. Diagnóstico, escuta, protocolos, formação, envolvimento da comunidade e acompanhamento dos casos precisam caminhar juntos. Sem isso, a escola corre o risco de tratar sintomas enquanto a cultura da violência continua instalada.

O desafio é transformar clima escolar em política cotidiana. Porque estudante protegido aprende melhor. Professor apoiado ensina melhor. E escola que nomeia a violência dá o primeiro passo para interrompê-la.

Fontes e documentos:

Maio Laranja reforça proteção de crianças no DF (Fonte em Foco)
– Escolas do DF reforçam alerta contra abuso infantil (Fonte em Foco)
– Denúncias de abuso infantil online crescem 19% no Brasil (Fonte em Foco)
Enfrentamento à violência é desafio para 71,7% dos gestores de escolas (Agência Brasil)
– Guia de Clima Escolar Positivo para Equipes Gestoras (Ministério da Educação)

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