Publicidade
InícioBrasíliaPolítica DFMichelle à frente e disputa sensível pela segunda escolha

Michelle à frente e disputa sensível pela segunda escolha

Publicado em

Reportagem:
Marta Borges

Cobertura relacionada

Lula e Flávio levam crise do STF para a disputa presidencial

Após sessão sem decisão no STF, Lula e Flávio Bolsonaro disputam a interpretação política da crise envolvendo Moraes e o caso Master.

Crise no STF entra na disputa pelo Governo do DF

Crise no STF sobre a Petição 16.662 atravessa a eleição no DF e expõe reações políticas de Celina Leão e Leandro Grass.

Pesquisas mostram Celina à frente e Senado embolado

Eleições DF mostram Celina à frente para o Buriti e disputa embolada ao Senado. Entenda pesquisas, margens e contexto político.

Pesquisas mostram Lula e Flávio em disputa apertada

Presidente 2026 segue em disputa apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro, com empate técnico no segundo turno. Veja os números.

Pesquisas mostram disputa aberta pelo Governo do DF

Levantamentos de intenção de voto indicam disputa aberta pelo Governo do DF, sem permitir previsão.

DF terá operação integrada para garantir segurança nas eleições

Eleições DF terão operação integrada para proteger urnas, locais de votação, eleitores e mobilidade. Entenda o esquema.
Publicidade

Disputa envolve duas vagas e dois votos

A eleição de 2026 para o Senado no Distrito Federal será definida por duas escolhas do eleitor. No dia 4 de outubro, cada pessoa votará para a primeira e para a segunda vaga ao Senado, e os dois candidatos mais votados serão eleitos para mandatos de oito anos.

Essa regra muda a forma de ler as pesquisas. Não basta observar quem aparece numericamente à frente no primeiro voto; a segunda escolha também pode alterar o desenho da disputa, especialmente quando há candidaturas competitivas em campos políticos parecidos.

As três pesquisas públicas mais recentes mostram Michelle Bolsonaro em posição numericamente destacada, mas também indicam uma disputa relevante entre Bia Kicis, Leila do Vôlei e Erika Kokay. Sebastião Coelho aparece em um segundo bloco, enquanto nomes como Marley, Ronaldo Fonseca, Avenir Rosa e Professor Guilherme Amorim oscilam em patamares menores, dependendo do levantamento.

Última pesquisa mostra Michelle à frente no primeiro voto

Na pesquisa Igape/Record divulgada em 20 de setembro, Michelle Bolsonaro aparece com 28,2% no primeiro voto ao Senado pelo DF. Na sequência vêm Leila do Vôlei, com 15,6%; Erika Kokay, com 12,9%; Bia Kicis, com 11,8%; Sebastião Coelho, com 3,8%; e Avenir Rosa, com 1,5%.

No segundo voto, a ordem muda. Bia Kicis aparece numericamente à frente, com 16,7%, seguida por Leila do Vôlei, com 12,9%; Michelle Bolsonaro, com 11,6%; Erika Kokay, com 9,1%; Sebastião Coelho, com 5,9%; e Marley, com 3,8%.

Gráfico candidatos ao Senado DF 22/09/2026
Crédito da imagem: Arte Fonte em Foco

Essa diferença entre primeira e segunda escolha é o dado político mais importante da rodada. Michelle concentra força no primeiro voto, enquanto Bia Kicis cresce no segundo, o que mostra uma disputa dentro do campo de direita e torna a combinação das duas escolhas decisiva para a leitura da reta final.

O gráfico acima organiza os seis nomes mais citados na última pesquisa pela soma visual do primeiro e do segundo voto. Essa soma ajuda a entender presença eleitoral, mas não deve ser confundida com previsão de resultado, porque a eleição depende de votos válidos, comparecimento, indecisos, voto nulo, estratégia de campanha e comportamento do eleitor no dia da votação.

Evolução mostra variação e metodologias diferentes

A comparação entre as três pesquisas mais recentes precisa ser lida com cautela. RealTime Big Data, Datafolha e Igape/Record têm datas, amostras, formas de coleta e apresentação de resultados distintas.

No RealTime Big Data divulgado em 9 de setembro, Michelle Bolsonaro aparece com 26%, seguida por Leila do Vôlei e Bia Kicis, ambas com 17%, Erika Kokay com 15%, Sebastião Coelho com 10% e Ronaldo Fonseca com 2%. O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre 4 e 8 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.

No Datafolha divulgado em 11 de setembro, Michelle registra 21%, Leila 18%, Bia Kicis 15% e Erika Kokay 14%. Sebastião Coelho, Professor Guilherme Amorim e Ronaldo Fonseca aparecem com 2% cada, enquanto outros nomes registram 1% ou não pontuam.

No Igape/Record divulgado em 20 de setembro, o instituto separa primeiro e segundo votos. Para permitir uma leitura gráfica comparativa, o gráfico de evolução usa a média entre primeiro e segundo voto no caso do Igape, enquanto preserva os percentuais divulgados nos levantamentos anteriores; por isso, a linha deve ser lida como aproximação visual, não como série estatística homogênea.

Gráfico evolução pesquisas Senado DF 22/09/2026
Crédito da imagem: Arte Fonte em Foco

A evolução sugere que Michelle mantém presença numericamente relevante nas três rodadas, mas a leitura da segunda vaga permanece mais sensível. Leila, Bia e Erika aparecem em faixas próximas em diferentes levantamentos, e as margens de erro impedem transformar pequenas diferenças em conclusões definitivas.

Segunda vaga concentra a disputa política

A disputa pela segunda vaga é o ponto mais delicado da eleição ao Senado no DF. Michelle aparece com vantagem numérica no primeiro voto da última pesquisa, mas a outra cadeira depende da combinação entre segundo voto, indecisos, nulos, votos cruzados e capacidade de cada campanha de atravessar bolhas partidárias.

Bia Kicis tem desempenho mais forte no segundo voto da pesquisa Igape. Isso indica que parte do eleitorado pode estar tratando sua candidatura como par de chapa ou segunda escolha dentro de um campo político mais alinhado à direita.

Leila do Vôlei aparece de forma competitiva tanto no primeiro quanto no segundo voto. Essa regularidade sugere presença em diferentes faixas do eleitorado e ajuda a explicar por que ela se mantém entre os nomes centrais da disputa nas últimas pesquisas.

Erika Kokay preserva um espaço próprio no campo progressista. Sua votação tende a ser lida em relação ao desempenho do eleitorado alinhado à esquerda no DF e à capacidade de ampliar menções para além desse núcleo.

Sebastião Coelho aparece com percentual menor, mas com presença superior à de outros nomes na última pesquisa. Em disputas com duas vagas, candidatos de segundo bloco podem influenciar debate, alianças e distribuição de segundo voto, mesmo sem aparecer no centro da disputa principal.

A poucos dias da eleição, indecisos ainda importam

A última pesquisa foi divulgada a cerca de duas semanas do primeiro turno. Nesse período, intenção de voto pesa sobre estratégia de campanha, uso de recursos, presença nas ruas, alianças, propaganda e mobilização de militância.

O número de indecisos no segundo voto chama atenção. Na pesquisa Igape/Record, 31,2% não souberam ou não opinaram na segunda escolha, percentual superior ao observado no primeiro voto.

Esse dado reforça que o eleitor pode já ter uma preferência principal, mas ainda não ter decidido como usará a segunda vaga. Para as campanhas, a disputa não é apenas convencer quem ainda não escolheu ninguém, mas também ocupar a segunda lembrança de eleitores que já têm um primeiro nome definido.

A regra das duas vagas cria um tipo de campanha diferente. Candidatos precisam pedir voto para si, mas também disputar combinações: quem vota em Michelle pode escolher Bia, Leila, Erika ou outro nome como segunda opção; quem vota em Leila pode distribuir o segundo voto de modo distinto; e assim sucessivamente.

Senado ganhou centralidade no contexto institucional

A disputa ao Senado no DF ganhou peso porque o Senado terá papel central no ambiente político nacional. A Casa participa da aprovação de autoridades, sabatinas, CPIs, votações de grande impacto e processos que envolvem outras instituições da República.

Esse pano de fundo ajuda a explicar por que temas institucionais passaram a atravessar a campanha local. Em matéria anterior, o Fonte em Foco mostrou como a crise envolvendo o STF e a Petição 16.662 entrou no debate entre Celina Leão e Leandro Grass, criando uma conexão entre disputa distrital e tensão nacional: Crise no STF e Petição 16.662 entram na disputa pelo Governo do DF entre Celina Leão e Leandro Grass.

A disputa ao Senado é ainda mais sensível nesse contexto. Diferentemente do Governo do DF, que decide a administração local, o Senado é o espaço onde se discutem indicações de autoridades, controle político, investigações parlamentares e eventuais processos contra agentes de outros Poderes.

A leitura feita pelo Fonte em Foco em análise anterior segue válida: o Buriti tem uma dinâmica, e o Senado tem outra. A matéria sobre as pesquisas de 2026 no DF já apontava que a eleição ao Senado estava mais fragmentada e dependente de combinações de voto: Pesquisas mostram Celina à frente e Senado embolado no DF.

O que a última pesquisa revela sobre a reta final

A última pesquisa mostra uma disputa menos simples do que a ordem do primeiro voto sugere. Michelle aparece numericamente à frente na primeira escolha, mas a segunda vaga continua atravessada por competição entre nomes com bases políticas diferentes e estratégias distintas.

Para Michelle, o desafio é manter a vantagem do primeiro voto e transformar presença eleitoral em voto efetivo. Como a eleição tem duas escolhas, sua candidatura também influencia a disputa entre outros nomes, especialmente quando eleitores alinhados à direita decidem o segundo voto.

Para Bia Kicis, o segundo voto é o dado mais relevante. A liderança numérica nessa rodada da segunda escolha indica força como candidata complementar para parte do eleitorado, mas a leitura precisa respeitar a margem de erro e a diferença entre intenção de voto e voto confirmado.

Para Leila do Vôlei, a regularidade entre pesquisas é um ativo político. Ela aparece competitiva em diferentes levantamentos e transita em posição relevante tanto no primeiro quanto no segundo voto.

Para Erika Kokay, a disputa passa por consolidar o voto progressista e ampliar segunda escolha. A presença dela entre os quatro nomes mais citados mantém a esquerda competitiva na leitura das pesquisas, mas não resolve a disputa pela vaga.

Para os demais candidatos, a reta final exige transformar visibilidade em lembrança eleitoral. Em uma disputa com duas vagas, nomes fora do bloco principal ainda podem disputar nichos, agendas específicas e votos de eleitores que rejeitam as candidaturas mais conhecidas.

Pesquisa informa o momento; a urna decide a eleição

A função correta da pesquisa é mostrar o estado da disputa em determinado período, não substituir a decisão do eleitor. Percentuais ajudam a entender força relativa, rejeição, visibilidade e disputa por campo político, mas não determinam o resultado.

No Senado do DF, a cautela precisa ser ainda maior porque cada eleitor terá duas escolhas. Um candidato pode ser forte como primeira opção; outro pode crescer como segunda escolha; e a combinação desses movimentos é que definirá a eleição.

A poucos dias da votação, a pergunta central não é apenas quem lidera, mas como os votos se combinam. Esse é o ponto que torna a disputa ao Senado mais aberta do que uma leitura apressada do primeiro voto permitiria concluir.

O melhor uso dos números é ampliar a compreensão pública. Eles mostram que Michelle aparece numericamente à frente, que Bia, Leila e Erika disputam espaço relevante, que há indecisão significativa no segundo voto e que a eleição só será definida pelo eleitor na urna.

Fontes e Documentos:

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.