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Soropositivos têm mais chances de desenvolver doenças do coração

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Desde a sua descoberta, em 1981, a AIDS matou mais de 35 milhões de pessoas. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, 734 mil pessoas vivem, hoje, com HIV, o que corresponde a 0,4% da população. Deste total, 355 mil (80%) estão em tratamento, mas aproximadamente 145 mil pessoas não sabem que estão infectadas.

Segundo dados da UNAIDS, muita gente ainda desconhece seus termos básicos, tratamentos e sintomas. O maior exemplo é a diferença entre HIV e AIDS. Ter o HIV não é a mesma coisa que ter AIDS. Existem muitos soropositivos que vivem anos sem apresentar os sintomas e sem desenvolver a síndrome. O vírus ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças e, consequentemente, pode levar à Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) e ainda ser um facilitador para o desenvolvimento de outros problemas, como por exemplo, o aparecimento de doenças cardiovasculares.

Um estudo realizado nos Estados Unidos com 2.800 pessoas e publicado no Journal of the American College of Cardiology, em 2012, indicou que os portadores do HIV são 4,5 vezes mais propensos a morrer por ataque cardíaco do que as pessoas que não têm esse vírus. No Brasil, em 2010, uma pesquisa feita pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no hospital Clementino Fraga Filho, mostrou que os pacientes com HIV estavam morrendo mais de problemas cardiometabólicos, como infarto e diabetes, do que em decorrência do enfraquecimento do sistema imunológico, que caracteriza a síndrome (AIDS). No caso específico das doenças do coração, houve um aumento da mortalidade de quase 8% entre os soropositivos atendidos no hospital, ante 0,8% na população em geral.

De acordo com o cardiologista hemodinamicista do Instituto do Coração de Taguatinga (ICTCor), Ernesto Osterne, o próprio vírus causador da aids e os medicamentos que compõem o coquetel antirretroviral provocam reações no organismo que elevam as chances de cardiopatias.

“O vírus pode agredir diretamente as células do miocárdio e causar insuficiência cardíaca. Além disso, a doença leva a diversos outros males que afetam a saúde do coração”, pontua o médico.

Ainda segundo o especialista, sabe-se que o HIV pode provocar diversas alterações no colesterol de seus portadores, aumentando níveis de triglicérides e colesterol ruim, e também diabetes. Mas é possível seguir o tratamento corretamente e acompanhar de forma segura as alterações cardíacas que podem surgir ao longo da vida do paciente.

“A avaliação profissional é a melhor forma para detectar problemas cardíacos em pacientes com HIV. Por meio de exames simples, como o ecocardiograma, por exemplo, o médico consegue diagnosticar a doença e tem a chance de tratá-la na fase precoce”, explica.

Para o Organização Mundial de Saúde (OMS), desde a sua descoberta na França, muito se avançou no que diz respeito ao tratamento e à prevenção, mas, ainda assim, a doença, sua evolução e consequências precisam ser melhor entendidas pela população.

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