O Ministério da Justiça e Segurança Pública informou nesta segunda-feira (22) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que encaminhou ao Itamaraty o pedido de extradição do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que se encontra foragido nos Estados Unidos.
Com a chegada da solicitação ao Ministério das Relações Exteriores, o próximo passo será a formalização do pedido junto ao governo norte-americano, conforme os trâmites previstos nos acordos internacionais. A extradição foi solicitada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal no STF.
Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Jair Bolsonaro, Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão no processo que apurou a trama golpista. A sentença transitou no Supremo, o que tornou obrigatória a adoção de medidas para o cumprimento da pena.
Segundo as investigações, em setembro, Ramagem deixou o país para evitar a prisão e passou a residir em Miami. Ele estava proibido de sair do Brasil por decisão de Alexandre de Moraes e deveria ter entregue todos os passaportes, inclusive estrangeiros. Ainda assim, conforme a Polícia Federal, o ex-deputado teria fugido pela fronteira com a Guiana e embarcado para os Estados Unidos utilizando passaporte diplomático.
Na sexta-feira (19), a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados declarou a cassação do mandato de Ramagem. A medida cumpre o que determina a Constituição Federal, que obriga a Casa a declarar a perda do mandato parlamentar em caso de condenação criminal.
O envio do pedido de extradição marca uma nova etapa do processo e desloca o foco da apuração para o plano diplomático. A partir de agora, o desfecho depende da análise das autoridades norte-americanas — um caminho que costuma ser técnico, jurídico e, muitas vezes, lento. Mas o recado institucional já foi dado: a fuga não encerra o processo.

