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Escola de Santa Maria ganha nova estrutura após anos de obra parada

Publicado em

Reportagem:
Jeferson Nunes

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O que por quase uma década foi sinônimo de tapume, poeira e frustração virou, enfim, espaço de aprendizado digno. A Escola Classe 01 Porto Rico, em Santa Maria, foi devolvida à comunidade em abril de 2021, após uma reforma que começou em 2014, ficou travada por anos e só avançou de forma efetiva a partir de 2019. Hoje, a unidade atende mais de 500 estudantes, em período integral, com quatro refeições diárias e estrutura ampliada.

A obra foi concluída 11 meses após a retomada, encerrando um ciclo de atrasos que impactou diretamente a rotina escolar e o aprendizado dos alunos. Durante o período de paralisações, atividades foram reduzidas e o ensino integral chegou a ser suspenso, segundo servidores que acompanharam o processo.

Estrutura ampliada muda a rotina escolar

Com 1,3 mil metros quadrados de área construída, divididos em seis blocos, a escola passou a contar com 20 salas de aula, quadra poliesportiva coberta, parquinho infantil, pátio, estacionamento, biblioteca, sala de informática, sala de artes, sala de recursos, além de cozinha, refeitório, banheiros e sala dos professores.

Para a diretora Zeneide Araújo, a ampliação atende a uma demanda histórica da comunidade e reflete diretamente no desempenho pedagógico. Segundo ela, o novo ambiente favorece o bem-estar dos alunos e também melhora as condições de trabalho dos profissionais da educação. Espaços arejados, quadra coberta e áreas de convivência passaram a integrar a rotina escolar.

Uma obra marcada por entraves

O investimento total foi de R$ 1,6 milhão, viabilizado por licitação da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap). O caminho até a conclusão, porém, foi tortuoso. O primeiro contrato, firmado em 2014, foi rescindido dois anos depois por problemas financeiros da empresa. A segunda tentativa, em 2017, também fracassou, com nova rescisão e aplicação de multa. A empresa classificada em segundo lugar recusou a convocação, o que levou a um terceiro processo licitatório em 2019.

O chefe da secretaria da escola, Henrique Albuquerque, relata que a lentidão trouxe prejuízos claros aos estudantes. A circulação constante de máquinas e operários reduziu atividades e comprometeu o funcionamento pleno da unidade. A conclusão da obra, em menos de um ano após a retomada, marcou um ponto de virada.

Mais matrículas e alta procura

Com a estrutura pronta, a escola ampliou o número de vagas e passou a registrar alta demanda por matrículas. Pais relatam melhora no aprendizado e maior interesse das crianças pelas atividades. É o caso do líder comunitário Régis Cardoso, pai de ex-aluno e de uma estudante atualmente matriculada. Ele afirma que o ambiente renovado contribuiu para o avanço pedagógico da filha e resgatou o papel da escola como espaço de convivência.

Entre os alunos, a quadra poliesportiva e a sala de leitura estão entre os locais preferidos. As estudantes Valentina Alves da Fonseca e Isabel Cristina Cardoso, ambas de 11 anos, destacam os momentos de lazer e socialização como parte essencial do dia escolar. Depois de aulas “bem puxadas”, como definem, esses espaços funcionam como pausa necessária para respirar — e aprender também fora da lousa.

Manutenção contínua garante conservação

Além da reforma principal, a escola recebeu recursos do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (Pdaf). Desde 2022, foram executados mais de R$ 92,5 mil em melhorias, como pintura de salas e corredores, regularização de paredes, manutenção de janelas, reforço de segurança nos muros e revitalização do pátio. Os valores vieram do orçamento da Secretaria de Educação do DF (SEEDF) e de emendas parlamentares.

Fundada em 2009, inicialmente de forma provisória, a EC 01 Porto Rico já acolheu milhares de estudantes. Com a obra concluída, a escola deixa de ser exemplo de promessa adiada e passa a representar, na prática, como infraestrutura adequada pode fazer diferença real na educação pública.

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