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Fraudes no Banco Master expõem rede política e financeira

Publicado em:

Repórter: Marta Borges

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As investigações sobre as fraudes no Banco Master, liquidado pelo Banco Central, avançaram para um patamar ainda mais sensível. A segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quarta-feira (14), cumpriu 42 mandados de busca e apreensão e ampliou o cerco não apenas ao controlador da instituição, Daniel Vorcaro, mas também a familiares, empresários e figuras com influência política e institucional.

A nova etapa aprofunda a apuração sobre a cadeia de fundos de investimento usada no suposto esquema fraudulento e revela um cenário de conexões cruzadas entre investigações distintas, como as operações Compliance Zero e Carbono Oculto. Ao mesmo tempo, escancara uma queda de braço inédita entre órgãos de controle, investigadores e setores do Judiciário.

Daniel Vorcaro e o núcleo familiar

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, chegou a ficar 12 dias preso na primeira fase da operação, por suspeita de tentativa de fuga do país. Atualmente, responde às investigações em liberdade, com uso de tornozeleira eletrônica. Ele é investigado por liderar um esquema de fraudes financeiras e pela venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado supostamente inexistentes ao Banco de Brasília (BRB). A defesa afirma que Vorcaro “tem colaborado integral e continuamente com as autoridades”.

O cerco avançou sobre o núcleo familiar. O pai, Henrique Vorcaro, empresário dos setores imobiliário e de saúde, foi alvo de buscas. Ele participou da venda do Hospital Promed à Hapvida, por R$ 1,5 bilhão, e é investigado por possível envolvimento em operações financeiras do Master. Seus advogados negam irregularidades e falam em perseguição baseada em vazamentos ilegais.

A irmã, Natália Vorcaro Zettel, diretora da Milo Investimentos e presidente da MGI Desenvolvimento Imobiliário, também entrou no radar. As empresas são investigadas pela CVM. Ela é casada com Fabiano Zettel, pastor da Igreja Lagoinha e empresário ligado aos negócios do banqueiro.

Cunhado, empresários e conexões sensíveis

Fabiano Zettel chegou a ser preso ao tentar embarcar para Dubai, mas foi solto horas depois. Ele dirige empresas ligadas a Vorcaro, incluindo uma que detém uma mansão de R$ 36 milhões em Brasília, usada para reuniões com políticos.

Outro nome sensível é o de Nelson Tanure, investidor conhecido por adquirir empresas em crise. Ele teve o celular apreendido e é investigado por operações financeiras envolvendo fundos e corretoras ligadas ao Banco Master. Tanure nega ser controlador de fato do banco e afirma que manteve apenas relações comerciais regulares.

Também foi alvo João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, já investigada em apurações da Polícia Federal sobre lavagem de dinheiro ligada ao PCC. Mansur não está no Brasil. Ele integra o Conselho de Orientação e Fiscalização do Palmeiras e é ligado ao grupo político que apoia a presidente do clube, Leila Pereira.

STF, TCU e o conflito institucional

O caso ganhou contornos ainda mais delicados com a atuação de ministros de tribunais superiores. O ministro do STF, Dias Toffoli, tornou-se relator do caso e decretou sigilo sobre as investigações. Antes disso, viajou em jato particular ao lado de um advogado ligado ao banco, o que levantou questionamentos.

Toffoli autorizou a segunda fase da operação, mas barrou inicialmente o acesso da PF ao material apreendido, determinando que tudo fosse remetido ao STF. Em decisões sucessivas e contraditórias, permitiu acesso da PGR, depois autorizou a PF a periciar o material, escolhendo nominalmente quatro peritos, e determinou a alteração do cronograma de depoimentos.

O episódio também envolve os irmãos do ministro, José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, ex-sócios do resort Tayayá, no Paraná, que recebeu R$ 20 milhões de fundos ligados a Fabiano Zettel. Parte do empreendimento hoje está vinculada a um advogado que atua para a JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista — grupo beneficiado por decisão de Toffoli que suspendeu parcelas de multa bilionária do acordo de leniência da J&F.

No Tribunal de Contas da União (TCU), o ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso, questionou a liquidação do Banco Master e determinou uma inspeção inédita no Banco Central, abrindo novo foco de tensão institucional.

BRB e prejuízo bilionário

O escândalo também atingiu o Banco de Brasília. O ex-presidente Paulo Henrique Costa foi afastado após a revelação da compra dos R$ 12,2 bilhões em créditos podres do Master. O Ministério Público Federal chegou a pedir sua prisão, negada pela Justiça Federal.

Um caso que vai além de um banco

O caso Banco Master deixou de ser apenas uma investigação financeira. Hoje, ele expõe uma teia de relações entre mercado financeiro, política, Judiciário e órgãos de controle, com impactos diretos sobre a credibilidade institucional do país. O avanço das investigações tende a aprofundar o desgaste — e a resposta das instituições será decisiva para saber se o sistema se corrige ou apenas se protege.

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