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Ipea abre pesquisa sobre desinformação e políticas públicas

Publicado em

Reportagem:
Marta Borges

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Servidores com cargos de confiança no governo federal foram chamados a relatar como a desinformação afeta decisões e ações do Estado

Servidores públicos federais que ocupam cargo em comissão ou função de confiança foram convidados a participar de uma pesquisa inédita sobre os efeitos da desinformação na internet sobre a formulação, a implementação e a legitimidade das políticas públicas. O estudo é conduzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com a Advocacia-Geral da União (AGU) e com apoio do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). O envio do questionário começou no início de abril de 2026, por meio do aplicativo SouGov.

As respostas poderão ser enviadas até 2 de junho de 2026. Segundo o Ipea, o preenchimento leva cerca de 15 minutos, a participação é anônima e confidencial, não haverá coleta de dados pessoais e o levantamento foi estruturado em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados e com a Resolução nº 510 do Conselho Nacional de Saúde, que trata de pesquisas em ciências humanas e sociais.

Estudo tenta medir impacto direto no funcionamento do poder público

Na apresentação oficial da pesquisa, o Ipea afirma que a desinformação deixou de ficar restrita ao debate eleitoral ou à circulação de conteúdos enganosos em redes sociais e passou a afetar diretamente a rotina institucional do Estado. O ponto central do estudo é justamente entender de que forma esse ambiente interfere na elaboração, na execução e na avaliação de políticas públicas.

O instituto informou que a pesquisa pretende mapear como servidores e gestores percebem e enfrentam episódios de desinformação no cotidiano administrativo, identificar os efeitos da exposição a informações imprecisas ou enganosas e avaliar o grau de gravidade desse fenômeno para a sociedade e para a ação estatal. Em outras palavras, o levantamento quer medir não apenas o ruído, mas o estrago que ele pode causar quando entra na engrenagem pública.

Questionário mira percepção institucional e estratégias de resposta

De acordo com o Ipea, o estudo também vai observar se os órgãos federais já possuem estratégias de enfrentamento à desinformação ou se ainda operam no improviso quando o problema afeta comunicação, decisão administrativa e implementação de políticas. Esse recorte ajuda a deslocar o debate da superfície digital para a estrutura do Estado, onde o dano costuma ser menos barulhento, mas potencialmente mais profundo.

O relatório final está previsto para novembro de 2026, após o período eleitoral. A escolha do cronograma sugere uma tentativa de separar a análise institucional do calor do calendário político, o que pode dar mais consistência à leitura dos dados. Ainda assim, o peso real do estudo dependerá menos da intenção declarada e mais da capacidade de transformar diagnóstico em protocolo público de resposta.

Quando a desinformação deixa de ser ruído e vira problema de Estado

O dado mais relevante dessa iniciativa não está apenas na abertura do questionário, mas no reconhecimento formal de que a desinformação pode afetar políticas públicas de maneira concreta. Quando um instituto de pesquisa do próprio Estado decide medir esse impacto dentro da máquina federal, o recado é claro: o problema deixou de ser periférico. Não é mais apenas disputa narrativa. É risco operacional, institucional e, em alguma medida, democrático. Essa é a dimensão mais séria do levantamento anunciado agora pelo Ipea.

Fontes e documentos:

– Ipea convida servidores a responderem ao questionário da pesquisa Desinformação e Políticas Públicas (Ipea)
– Notícias do Ipea com chamada da pesquisa Desinformação e Políticas Públicas (Ipea)

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