back to top
24 C
Brasilia
sábado, 13 junho 2026, 07:17
Publicidade
Publicidade
InícioVida & DesenvolvimentoSaúdePadilha defende freio na publicidade das bets

Padilha defende freio na publicidade das bets

Publicado em

Reportagem:
Repórter: Jeferson Nunes

Cobertura relacionada

Anvisa libera 1ª semaglutida sintética no Brasil

Semaglutida sintética Ozivy é aprovada pela Anvisa para diabetes tipo 2, mas venda ainda depende de preço.

Paciente com suspeita de ebola em SP tem meningite confirmada

SP confirma meningite meningocócica em paciente inicialmente classificado como suspeito de ebola e mantém protocolos de isolamento e investigação específica.

Saúde reajusta hemodiálise e amplia rede no SUS

Ministério da Saúde reajusta em 15% os repasses da hemodiálise no SUS e amplia a rede de terapia renal substitutiva. © Rovena Rosa/Agência Brasil

Diabetes afeta saúde emocional de 70% no Brasil

Diabetes afeta saúde emocional de 70% dos brasileiros e amplia debate sobre sensores, IA e acesso ao tratamento.

Vacina chega a aldeias por rios e helicópteros

Vacinação indígena chega a aldeias do Alto Rio Purus por rios, barcos e helicópteros, com logística e respeito cultural.

Julho Neon reforça saúde bucal no SUS

Julho Neon passa a marcar campanhas de saúde bucal no SUS, com foco em prevenção e acesso odontológico. Entenda.
Publicidade

Ministro da Saúde quer regra para bets nos moldes do cigarro e cobra mais controle sobre canetas manipuladas

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, voltou a defender nesta sexta-feira, 10 de abril de 2026, a regulamentação mais rígida da publicidade das bets, ao afirmar que o problema das apostas online deve ser tratado como questão de saúde pública. Em São Paulo, após agenda com o presidente Lula no InCor da USP, Padilha disse que o país deveria adotar para as apostas lógica semelhante à usada no enfrentamento ao cigarro, com restrição mais forte à propaganda.

Segundo o ministro, o governo já avançou ao impedir apostas envolvendo menores de idade, mas considera que isso não basta. A defesa agora é por um passo adicional no Congresso Nacional, com regras mais duras para reduzir a exposição da população à publicidade das plataformas. A fala reforça um movimento político que tenta deslocar o debate das bets do campo tributário e regulatório para o terreno da saúde pública e da prevenção ao vício.

Governo endurece o tom, mas setor já opera sob regras regulatórias

As apostas de quota fixa são legalizadas no país pelas Leis nº 13.756/2018 e 14.790/2023, e a regulação do setor está sob responsabilidade da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. Hoje já existem normas para jogo responsável e para ações de comunicação e marketing dos operadores, inclusive com responsabilização por publicidade abusiva ou enganosa feita por afiliados e influenciadores. O que Padilha pede agora vai além desse modelo: ele fala em restringir a propaganda em patamar comparável ao tratamento dado ao tabaco.

Esse ponto é relevante porque mostra que o debate não parte do zero. Já há regulação. O que está em disputa é o grau dessa regulação. Em bom português institucional, a discussão deixou de ser “regular ou não regular” e passou a ser “quanto o Estado está disposto a apertar o cerco”. E, quando ministro da Saúde compara bets ao cigarro, o recado não costuma ser decorativo.

Fazenda também mantém publicidade das bets no radar

O contexto regulatório ajuda a entender por que a fala de Padilha ganhou peso. A própria Agenda Regulatória 2026–2027 da Secretaria de Prêmios e Apostas prevê revisão de normas do setor, e a SPA é o órgão responsável por autorizar, monitorar, supervisionar, fiscalizar e sancionar as empresas de apostas de quota fixa. Em paralelo, o governo publicou nesta semana nova portaria reforçando que eventos esportivos com categorias de base ou atletas menores de idade não podem ser objeto de aposta.

Na prática, isso indica que o ambiente regulatório das bets segue em expansão. A fala de Padilha empurra o debate para uma dimensão mais sensível: a de dano social, dependência e exposição cotidiana, especialmente em publicidade esportiva e digital. É o tipo de discussão que começa em entrevista e termina, muitas vezes, em projeto de lei, pressão parlamentar e reação do mercado.

Ministro também cobrou mais fiscalização sobre canetas emagrecedoras

Na mesma entrevista, Padilha comentou o avanço da fiscalização sobre canetas emagrecedoras manipuladas. Segundo ele, a Anvisa já intensificou a vigilância, mas será necessário ampliar o acompanhamento sobre farmácias de manipulação que, na visão do ministro, passaram a operar com escala e risco compatíveis com estrutura industrial.

A agência confirmou nesta semana novas medidas de combate a irregularidades na importação e manipulação desses produtos. A Anvisa informou que, em 2026, realizou 11 inspeções em farmácias de manipulação e importadoras, com 8 interdições por problemas técnicos e falhas de controle de qualidade. Também destacou que a importação de insumos vinha em volume incompatível com o mercado nacional, com potencial de gerar milhões de doses.

Quando a saúde pública entra em temas que antes pareciam só de mercado

O que Padilha fez foi reposicionar dois debates sob a mesma lente: vício em apostas e risco sanitário na manipulação de medicamentos. Em ambos os casos, a mensagem é semelhante. O governo sinaliza que não quer mais tratar essas frentes apenas como assunto de consumo, negócio ou conveniência individual. Quer tratá-las como problema coletivo, com custo social e necessidade de contenção estatal. Isso não significa que novas proibições já estejam valendo. Significa, porém, que o tom oficial subiu — e, em Brasília, quando o tom sobe antes da norma, normalmente é porque alguém já está preparando a próxima etapa.

Fontes e documentos:

Padilha defende norma publicitária das bets parecida com a do cigarro (Agência Brasil)
Ministro Padilha defende regulamentação da publicidade das bets (Agência Brasil)
– Apostas de Quota Fixa (Ministério da Fazenda)
– Nova portaria da Fazenda estabelece responsabilização por publicidade abusiva (Ministério da Fazenda)
– Anvisa anuncia novas medidas de combate a irregularidades na importação e manipulação de canetas emagrecedoras (Anvisa)

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.