Publicidade
InícioBrasíliaEducação DFTempo integral cresce no DF puxado pela educação infantil

Tempo integral cresce no DF puxado pela educação infantil

Publicado em

Reportagem:
Janaina Lemos

Cobertura relacionada

Governo assina estudo do VLT entre Taguatinga e Ceilândia

GDF assina contrato de R$ 5,9 milhões para estudos do VLT Taguatinga-Ceilândia; prazo de 360 dias vai definir viabilidade da obra de 15,8 km.

Convenções definem alianças e chapas no DF

Eleições DF movimentam partidos neste sábado, com apoio a Celina, candidatura de Arruda e lançamento de Bia Kicis ao Senado.

Central 156 passa a se chamar CentralDF

Decreto nº 48.904 altera o nome da Central 156 para CentralDF e regulamenta canais digitais oficiais de atendimento no DF.

IGESDF abre seleção para médico ultrassonografista

Vaga no IGESDF forma cadastro reserva para médico ultrassonografista, com salário de R$ 18,1 mil. Veja requisitos e inscrição.

CLDF aprova e parada livre dos ônibus passa a valer das 21h às 6h

Nesta terça-feira (26), a Câmara Legislativa do Distrito Federal...

CAD-DF terá 31% ocupado em até 90 dias

CAD-DF terá 31% ocupado em até 90 dias, com transferência de secretarias e promessa de economia com aluguel.
Publicidade

DistritoRede pública do DF amplia tempo integral, mas avanço ainda se concentra na educação infantil

A educação em tempo integral avançou no Distrito Federal entre 2019 e 2024, passando de cerca de 46,7 mil para 51,2 mil estudantes atendidos na rede pública direta e conveniada. O crescimento foi de 9,7%, segundo dados do Censo Escolar citados pela Secretaria de Educação do DF. O número mostra expansão real da jornada ampliada, mas também revela que esse avanço não foi homogêneo entre as etapas de ensino.

Tempo integral cresce, mas o motor foi a educação infantil

O principal impulso veio da educação infantil, que passou de cerca de 21 mil matrículas em 2019 para 26,7 mil em 2024. No mesmo período, o ensino fundamental recuou de 22,6 mil para 20,7 mil estudantes em tempo integral, enquanto o ensino médio subiu de 1,7 mil para 2,2 mil. A educação profissional também avançou, de 888 para 1.395 matrículas. Em outras palavras, o saldo geral é positivo, mas a expansão não ocorreu com a mesma força onde tradicionalmente se concentra a maior massa de alunos da rede.

A leitura política do dado exige menos comemoração automática e mais precisão. Houve ampliação, sim. Mas o crescimento ficou fortemente ancorado na primeira etapa da educação básica. Quando o fundamental perde volume dentro da própria política de jornada ampliada, o discurso de expansão precisa ser lido com um pouco mais de lupa e um pouco menos de confete institucional.

Investimento federal e local sustenta a ampliação do tempo integral

Segundo a SEEDF, em 2025 foram investidos mais de R$ 15,5 milhões na manutenção de unidades atendidas pelo Programa Escola em Tempo Integral (Peti) e pelo Programa de Fomento às Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral (Emti), além de cerca de R$ 7 milhões na compra de equipamentos tecnológicos. A base legal dessa política é a Lei nº 14.640/2023, que instituiu o Programa Escola em Tempo Integral para fomentar a criação e ampliação de matrículas nessa modalidade em todo o país.

A legislação federal foi criada para apoiar estados, municípios e o Distrito Federal no cumprimento da meta de expansão da jornada ampliada. O programa prevê assistência técnica e financeira da União, e o MEC já apresentou a política como instrumento para ampliar matrículas em tempo integral em diferentes etapas da educação básica.

Escola de Sobradinho mostra como o tempo integral pesa na rotina das famílias

Na Escola Classe Santa Helena, em Sobradinho, todas as turmas do 1º ao 5º ano funcionam em jornada ampliada. A unidade atende 132 estudantes, que permanecem na escola das 7h30 às 17h30, com atividades pedagógicas, esportivas, culturais e alimentação ao longo do dia. Segundo a divulgação oficial, os alunos recebem cinco refeições diárias, em uma rotina que combina aprendizagem, desenvolvimento motor e apoio social às famílias em situação de vulnerabilidade.

Esse tipo de estrutura ajuda a explicar por que a educação integral costuma produzir efeito para além da sala de aula. Para muitas famílias, ela não representa apenas mais tempo de permanência na escola. Representa cuidado, segurança alimentar, previsibilidade e proteção cotidiana. Não é pouca coisa. Em territórios vulneráveis, muitas vezes é justamente aí que a política pública deixa de ser slogan e começa a fazer diferença concreta.

Quando o tempo integral deixa de ser estatística e vira política de proteção

O avanço do tempo integral no DF indica fortalecimento da política, mas também sugere um desafio de escala e equilíbrio entre etapas. A expansão puxada pela educação infantil é relevante, sobretudo para o desenvolvimento das crianças e para o apoio às famílias. Ainda assim, o recuo no ensino fundamental impede qualquer leitura simplista de sucesso linear. Em educação pública, crescer em uma ponta e encolher em outra não é derrota automática, mas também não autoriza discurso pronto. O dado bom merece ser reconhecido. O dado incômodo merece continuar visível.

Fontes e documentos:

Educação em tempo integral amplia oportunidades de aprendizagem para estudantes da rede pública do DF (Agência Brasília)
– Lei nº 14.640, de 31 de julho de 2023 (Planalto)
– Escola em Tempo Integral (FNDE)
– Apresentação do Censo Escolar 2024 (Inep)

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.