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Eleitorado 60+ cresce e ganha peso decisivo em 2026

Publicado em

Reportagem:
Repórter: Marta Borges

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Brasileiros com 60 anos ou mais ampliam presença nas urnas e elevam influência no cenário eleitoral

A chamada Geração Prateada, formada por pessoas com 60 anos ou mais aptas a votar, cresceu em ritmo muito superior ao do eleitorado geral nos últimos 16 anos. Levantamento da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, com base no Portal de Dados Abertos do TSE, aponta que esse contingente avançou 74% entre 2010 e março de 2026, saltando de 20,8 milhões para 36,2 milhões de eleitores. No mesmo intervalo, o eleitorado brasileiro total passou de 135,8 milhões para 156,2 milhões, uma alta de 15%.

Os números ainda podem subir até 6 de maio de 2026, data-limite do cadastro eleitoral para as eleições deste ano, conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral. Hoje, esse grupo já representa cerca de 23,2% do eleitorado, ou praticamente um em cada quatro votantes no país.

O avanço da população idosa muda o desenho da disputa

O dado mais relevante não está apenas no crescimento absoluto, mas no peso político que essa faixa etária passa a ter em uma eleição nacional. Em estudo divulgado nesta semana, a Nexus sustenta que, em cenários de disputa apertada, como ocorreu em 2022, o eleitorado 60+ tende a ganhar valor estratégico ampliado. A avaliação do CEO da empresa, Marcelo Tokarski, é que esse grupo pode funcionar como “fiel da balança”, embora não determine sozinho o resultado do pleito.

A leitura faz sentido no plano numérico. Em 2022, a diferença no segundo turno presidencial foi inferior a 2,2 milhões de votos, enquanto o eleitorado 60+ já superava, com ampla margem, essa distância. Isso não autoriza simplificações sobre comportamento de voto — até porque idade não é sinônimo de escolha política uniforme —, mas ajuda a explicar por que campanhas e partidos tendem a olhar com mais atenção para esse segmento em 2026.

Abstenção entre idosos caiu, enquanto a média geral subiu

Outro dado que chama atenção é o comportamento eleitoral. Segundo a compilação da Nexus com base em estatísticas do TSE, a taxa de abstenção do grupo 60+ caiu de 37,1% em 2014 para 36,4% em 2018 e 34,5% em 2022. No eleitorado geral, o movimento foi inverso: a abstenção subiu de 19,4% para 20,3% e depois 20,9% nos mesmos pleitos.

Entre os eleitores com 70 anos ou mais, cujo voto é facultativo, a abstenção continua elevada, mas também recuou: foi de 63,6% em 2014 para 62,7% em 2018 e 58,9% em 2022. Isso sugere maior comparecimento mesmo num grupo que já não é obrigado a votar. Em termos políticos, é um sinal importante: parte desse público continua enxergando valor prático na participação eleitoral, e não apenas dever formal.

Quando envelhecimento populacional vira força eleitoral

O crescimento do eleitorado idoso acompanha uma mudança demográfica mais ampla. O estudo aponta que a população brasileira com 60 anos ou mais saiu de 7% para 16% em cerca de três décadas, movimento compatível com o avanço da longevidade e do envelhecimento populacional. O efeito nas urnas é direto: o Brasil passa a ter mais peso eleitoral em faixas etárias maduras, com demandas específicas em áreas como saúde, renda, mobilidade, cuidado e proteção social.

Também aumentou o número de candidatos com mais de 60 anos. Dados do TSE reunidos pela Nexus indicam que, em 2024, mais de 70 mil pessoas 60+ disputaram cargos eletivos, o equivalente a cerca de 15% das candidaturas. Em 2022, nas eleições gerais, foram 4.873 candidatos nessa faixa etária, ou 17% do total. Trata-se do maior patamar da série histórica em ambos os recortes.

No cenário maior, o que está em curso não é apenas uma mudança estatística, mas uma reorganização silenciosa do centro de gravidade do eleitorado brasileiro. Em eleição polarizada, cada segmento passa a ser tratado como ativo estratégico. Quando quase um quarto dos votantes tem 60 anos ou mais, a disputa deixa de mirar apenas juventude, redes e linguagem de campanha acelerada. Ela passa, também, por quem acumulou tempo, memória eleitoral e disposição crescente de comparecer às urnas. E esse é um detalhe que nenhuma campanha séria deveria tratar como rodapé.

Fontes e documentos:

Quantidade de brasileiros com mais de 60 anos aptos a votar cresce 5 vezes mais do que o eleitorado geral nos últimos 16 anos (Nexus)
– Estatísticas do eleitorado (TSE)
– Calendário Eleitoral 2026 e prazo do cadastro eleitoral (TSE)
– Geração 60+ nas Eleições de 2026 (estudo em PDF com base em dados do TSE)

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