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sábado, 6 junho 2026, 21:36
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Trabalho doméstico cresce no DF

Publicado em

Reportagem:
Repórter: Fabíola Fonseca

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Empregadas domésticas ganham mais na AMB, mas informalidade e vulnerabilidade ainda pesam

O emprego doméstico na Área Metropolitana de Brasília fechou 2024 com melhora no rendimento das mulheres trabalhadoras, mas sem romper a estrutura precária que ainda marca esse tipo de ocupação. O boletim do IPEDF e do Dieese mostra que o rendimento médio real mensal chegou a R$ 1.587, alta de 3,1% em relação a 2023. No Distrito Federal, o valor foi de R$ 1.629. Na Periferia Metropolitana de Brasília, ficou em R$ 1.539.

Renda por hora sobe e jornada recua na Área Metropolitana de Brasília

O avanço da renda também apareceu no ganho por hora trabalhada. Na AMB, o rendimento médio por hora passou de R$ 10,58 para R$ 11,24, crescimento de 6,2%. No Distrito Federal, chegou a R$ 11,53. Já na PMB, subiu de R$ 9,96 para R$ 10,90, num avanço de 9,4%. Ao mesmo tempo, a jornada média semanal caiu de 34 para 33 horas na AMB e no DF. Na periferia metropolitana, o recuo foi de 35 para 33 horas.

O dado melhora o retrato da remuneração, mas não muda sozinho a natureza do setor. O próprio boletim registra que o trabalho doméstico seguia representando 6,2% dos postos de trabalho da região em 2024, num universo de 117 mil trabalhadores, com presença amplamente feminina e adulta. Em português claro: o rendimento avançou, mas dentro de uma ocupação que continua sendo uma engrenagem de sobrevivência para muitas famílias, não exatamente um símbolo de segurança laboral.

Carteira assinada perde espaço e diarismo segue como marca da ocupação

A distribuição das formas de inserção mostra uma categoria dividida entre assalariamento e diarismo. Em 2024, 56,3% das trabalhadoras domésticas da AMB atuavam como mensalistas, sendo 39,5% com carteira assinada e 16,8% sem formalização. Outras 43,7% trabalhavam como diaristas. No DF, 55,9% eram assalariadas e 44,1% diaristas. Na PMB, o assalariamento chegou a 56,8%, com 43,2% de diaristas.

O boletim também aponta deterioração em um ponto sensível. A parcela de empregadas domésticas com registro em carteira na AMB caiu de 43,7% para 40,2% entre 2023 e 2024, enquanto a fatia das diaristas avançou para 42,9%. Já a cobertura previdenciária, que o estudo trata como piso básico de proteção social, recuou de 49,7% para 45,8%. É aqui que a melhora da renda encontra seu freio de realidade: ganhar um pouco mais não significa estar mais protegida. Às vezes significa apenas receber melhor dentro do mesmo terreno instável.

Quase metade sustenta a casa e a maioria tem mais de 30 anos

O levantamento mostra que 49,6% das mulheres ocupadas no trabalho doméstico remunerado eram as principais responsáveis pelo domicílio. A maioria absoluta é formada por adultas: 91,6% tinham 30 anos ou mais, sendo 51,3% na faixa de 30 a 49 anos e 40,3% com 50 anos ou mais. O dado desmonta qualquer leitura apressada que tente tratar esse segmento como ocupação transitória ou residual. Trata-se, em larga medida, de renda central dentro de casas que dependem dela para continuar de pé.

No recorte de longo prazo, a mudança estrutural aparece com ainda mais nitidez. Entre 2010 e 2024, o número de trabalhadoras domésticas no Distrito Federal caiu 27,3%, enquanto o total de mulheres ocupadas cresceu 12,6%. No mesmo intervalo, o rendimento médio real das empregadas domésticas aumentou 27%. Ou seja, o setor encolheu em volume, mas subiu em remuneração real. Menos postos, um ganho melhor e uma precariedade que insiste em não pedir licença para sair.

Renda maior não basta quando a proteção continua curta

O retrato de 2024 sugere um mercado menos deprimido do que em anos anteriores, mas ainda longe de uma reestruturação social digna desse nome. O aumento do rendimento real merece registro, claro. Só não convém transformar esse avanço em fantasia estatística. Quando a formalização encolhe, a cobertura previdenciária recua e o diarismo continua alto, o sistema está dizendo com todas as letras que parte desse crescimento foi absorvida sem consolidar direitos. A renda sobe um degrau, mas a proteção social ainda tropeça na escada.

O desafio para os próximos anos não é apenas preservar o ganho real, mas reduzir a vulnerabilidade estrutural de uma categoria sustentada majoritariamente por mulheres adultas, muitas delas chefes de família. Sem formalização, previdência e vínculo mais estável, o avanço registrado em 2024 corre o risco de virar apenas um alívio momentâneo. E alívio momentâneo, no mercado de trabalho brasileiro, costuma ser aquele tipo de boa notícia que chega de sapato apertado.

Fontes e documentos:

Emprego doméstico na Área Metropolitana de Brasília registra aumento de rendimento em 2024 (Agência Brasília)
– Emprego Doméstico Remunerado na Área Metropolitana de Brasília 2024 (IPEDF / Dieese)

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