Publicidade
InícioVida & DesenvolvimentoSaúdeAnvisa libera 1ª semaglutida sintética no Brasil

Anvisa libera 1ª semaglutida sintética no Brasil

Publicado em

Reportagem:
Jeferson Nunes

Cobertura relacionada

Anvisa suspende xaropes com clobutinol por risco grave

Clobutinol teve venda e uso suspensos pela Anvisa por risco de arritmia grave. Entenda o que muda para xaropes de tosse. © Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Anvisa amplia vigilância sobre canetas emagrecedoras

Canetas GLP-1 terão monitoramento ativo da Anvisa após aumento de notificações e uso fora da bula no país.

Anvisa atualiza regras para vacinas contra covid

Vacinas deverão mirar variantes recentes do coronavírus em circulação...

Eloy Terena trata surto de chikungunya em Dourados

Dourados enfrenta emergência por chikungunya, com maioria dos casos em aldeias indígenas e reforço federal de R$ 3,1 milhões. © Secretaria de Saúde MS/Divulgação

Anvisa tira produtos Ypê de uso por risco sanitário

Produtos Ypê com lote final 1 devem sair de uso após decisão da Anvisa por falhas graves e risco sanitário.

Surto de Chagas em Ananindeua

Ananindeua entra em estado de surto após mortes por...
Publicidade

Nova caneta para diabetes pode ampliar disputa no mercado da semaglutida

A Anvisa aprovou o registro do Ozivy, primeira caneta de semaglutida sintética análoga a um produto biológico liberada para comercialização no Brasil. O medicamento tem o mesmo princípio ativo do Ozempic, cuja patente expirou no país em 20 de março de 2026, mas foi registrado com indicação para tratamento de adultos com diabetes tipo 2.

O produto é fabricado pela EMS e passou por análise técnica de eficácia, segurança e qualidade antes da aprovação regulatória. O pedido de registro havia sido apresentado à agência em 2023. A aprovação foi publicada nesta terça-feira, 26 de maio de 2026.

A decisão abre uma nova fase no mercado brasileiro da semaglutida, substância que ganhou forte visibilidade nos últimos anos também pelo uso associado à perda de peso. No entanto, no caso do Ozivy, a indicação aprovada pela Anvisa é para diabetes tipo 2, como complemento à dieta e aos exercícios. A caneta não deve ser tratada como atalho estético, por mais que a internet goste de transformar bula em promessa de verão.

Ozivy não é genérico do Ozempic

Apesar de usar o mesmo princípio ativo, o Ozivy não é classificado como medicamento genérico. A regulação brasileira não prevê genéricos para produtos biológicos. Por isso, o novo produto foi enquadrado como medicamento novo, na categoria de análogo sintético de produto biológico.

A própria Anvisa já havia explicado, em março, que os pedidos de registro envolvendo semaglutida poderiam seguir caminhos distintos: medicamentos biossimilares, obtidos por via biológica, ou produtos sintéticos, chamados de análogos sintéticos de peptídeos biológicos.

Essa diferença importa para o consumidor porque evita uma confusão comum. A expiração da patente do Ozempic abre espaço para concorrência, mas não significa que qualquer produto com semaglutida seja automaticamente um genérico. Em medicamento de alta complexidade, o detalhe técnico não é perfumaria regulatória. É parte da segurança.

Caneta será de uso semanal e exigirá refrigeração contínua

O Ozivy será apresentado como solução injetável em caneta preenchida para uso semanal. A conservação será diferente da do medicamento originador. Segundo a Anvisa, o produto deve ser mantido em geladeira antes e depois do início do tratamento.

Esse ponto tem efeito direto na vida do paciente. Medicamento que exige cadeia de frio precisa de cuidado no transporte, no armazenamento doméstico e na rotina de uso. Em um país onde muita gente ainda enfrenta dificuldade até para manter insulina corretamente refrigerada, a orientação sobre conservação não pode ficar escondida em letra miúda.

A indicação aprovada é para adultos com diabetes tipo 2. O uso deve ocorrer como adjuvante à dieta e aos exercícios, conforme avaliação médica. Pessoas que usam ou pretendem usar semaglutida não devem substituir acompanhamento profissional por recomendação de rede social, influenciador ou “grupo do zap” com vocação farmacêutica — que, convenhamos, costuma prescrever mais coragem do que ciência.

Registro não significa venda imediata

A aprovação da Anvisa permite a comercialização do medicamento, mas não significa que ele estará imediatamente disponível nas farmácias. Antes da venda, é necessária a definição do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos. Depois disso, a empresa detentora do registro decide quando colocar o produto no mercado.

A chegada de uma nova opção pode aumentar a concorrência no mercado de semaglutida. Ainda assim, eventual redução de preço dependerá de fatores como produção, estratégia comercial, demanda, preço aprovado e competição efetiva entre fabricantes.

O registro também não garante acesso pelo Sistema Único de Saúde. Para isso, o medicamento precisa ser avaliado pela Conitec e incorporado pelo Ministério da Saúde. Nem todo produto registrado na Anvisa passa por esse processo, e nem todo produto avaliado é incorporado à rede pública.

Concorrência precisa caminhar com segurança sanitária

A aprovação do Ozivy marca um momento relevante para o setor farmacêutico nacional e para pacientes com diabetes tipo 2. A entrada de uma semaglutida sintética fabricada pela EMS pode ampliar alternativas terapêuticas e pressionar um mercado até então dominado por produtos de alto custo.

Mas o avanço regulatório exige leitura responsável. A substância tem indicação médica, efeitos esperados, riscos, contraindicações e necessidade de acompanhamento. A popularização das chamadas “canetas emagrecedoras” criou uma corrida de consumo que nem sempre respeita diagnóstico, bula e segurança.

O papel da Anvisa é avaliar qualidade, eficácia e segurança para o registro. O papel da política pública será observar preço, acesso e eventual incorporação ao SUS. Já o papel do paciente é não transformar uma aprovação sanitária em autorização para automedicação.

A nova caneta pode ampliar a concorrência. Mas, em saúde, concorrência só é boa notícia quando vem acompanhada de informação clara, prescrição responsável e vigilância ativa. Medicamento não é moda. E caneta, nesse caso, não foi feita para assinar promessa milagrosa.

Relacionadas, fontes e documentos:

Anvisa amplia vigilância sobre canetas emagrecedoras (Fonte em Foco)
Saúde mental de crianças ganha reforço no SUS (Fonte em Foco)
Diabetes afeta saúde emocional de 70% no Brasil (Fonte em Foco)
Pandemia reduziu expectativa de vida no Brasil (Fonte em Foco)
– Anvisa aprova primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao Ozempic para diabetes (Anvisa)
– Anvisa divulga atualização sobre pedidos de registro de semaglutida (Anvisa)ncia Brasil)
https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/saude/audio/2026-05/anvisa-aprova-primeira-caneta-emagrecedora-com-semaglutida-sintetica

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.