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Saúde mental de crianças ganha reforço no SUS

Publicado em

Reportagem:
Jeferson Nunes

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Nova lei inclui atendimento psicológico e psiquiátrico infantojuvenil no ECA

Crianças e adolescentes passam a ter garantia legal de acesso a programas de saúde mental no Sistema Único de Saúde. A Lei nº 15.413/2026, publicada no Diário Oficial da União, altera o Estatuto da Criança e do Adolescente e determina a oferta de ações de prevenção, tratamento, urgência, emergência e internação hospitalar para o público infantojuvenil.

Saúde mental entra de forma expressa no ECA

A nova lei acrescenta ao ECA o direito da criança e do adolescente à saúde mental no âmbito do SUS. O texto prevê acesso a programas de prevenção e tratamento de agravos, com atenção psicossocial básica e especializada, além de serviços de urgência, emergência e hospitalares.

A mudança não cria apenas uma diretriz genérica. Ela transforma em obrigação legal uma linha de cuidado que precisa alcançar crianças e adolescentes antes que o sofrimento psíquico se agrave. Na prática, o poder público passa a ter comando mais claro para estruturar atendimento, identificar riscos e organizar fluxos de cuidado.

Esse ponto é decisivo porque saúde mental infantil e adolescente não pode depender de improviso familiar, fila invisível ou encaminhamento tardio. Quando o sofrimento aparece cedo e o cuidado chega tarde, a conta costuma cair sobre a escola, a família, a rede de assistência e, principalmente, sobre a própria criança.

Atendimento deverá ir da prevenção à internação

A legislação determina que os programas contemplem desde a atenção psicossocial básica até o atendimento especializado. Também estão incluídos serviços de urgência, emergência e internação hospitalar quando houver necessidade clínica.

Isso significa que o cuidado deverá ser organizado em diferentes níveis, conforme a gravidade do caso. Nem toda criança precisa de atendimento hospitalar. Mas toda criança em sofrimento precisa de uma porta de entrada capaz de escutar, avaliar e encaminhar corretamente.

A lei também exige formação específica e permanente dos profissionais envolvidos. O objetivo é preparar equipes para identificar sinais de risco, acompanhar pacientes e agir de forma adequada diante de situações sensíveis.

Crianças vulneráveis terão acesso a recursos terapêuticos

Outro ponto relevante é a garantia de acesso gratuito ou subsidiado a recursos terapêuticos para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social que estejam em tratamento. O atendimento deverá seguir linhas de cuidado adaptadas às necessidades específicas de cada paciente.

A expressão “recursos terapêuticos” é importante porque o cuidado em saúde mental pode envolver diferentes estratégias, conforme avaliação profissional. Pode incluir acompanhamento psicológico, atenção psicossocial, medicação quando indicada, suporte familiar, articulação com escola e encaminhamento para serviços especializados.

O texto reforça uma ideia básica, mas ainda mal distribuída no país: tratamento não pode ser privilégio de quem consegue pagar consulta particular. Em saúde mental infantojuvenil, desigualdade de acesso também é desigualdade de futuro.

Rede pública terá desafio de transformar lei em serviço

A garantia legal é avanço, mas sua eficácia dependerá da rede disponível. O SUS já tem estruturas de atenção psicossocial, incluindo serviços voltados a crianças e adolescentes, mas a capacidade de atendimento varia entre regiões, municípios e estados.

O Ministério da Saúde reconhece que crianças, adolescentes e jovens são sujeitos de direitos e devem receber atenção integral, universal e igualitária, em alinhamento com o ECA. A nova lei reforça esse comando no campo específico da saúde mental.

Agora, o desafio será transformar a norma em atendimento real. Isso exige equipes capacitadas, integração entre saúde, assistência social e educação, protocolos claros, financiamento, regulação de vagas e acompanhamento contínuo.

Escola e família precisam estar na rede de cuidado

A saúde mental de crianças e adolescentes raramente aparece isolada. Ela pode se manifestar na escola, em mudanças bruscas de comportamento, queda de rendimento, isolamento, agressividade, automutilação, crises de ansiedade, uso de substâncias, sofrimento familiar ou situações de violência.

Por isso, o cuidado não pode ficar restrito ao consultório. A rede precisa conversar com escolas, conselhos tutelares, unidades básicas, serviços especializados e famílias. Sem essa integração, o jovem vira um prontuário que circula, mas não encontra cuidado completo.

A lei acerta ao prever formação dos profissionais. Identificar sinais de risco exige preparo. E preparar equipes é bem mais sério do que distribuir cartilha e chamar de política pública.

Direito novo cobra execução antiga

A Lei nº 15.413/2026 coloca a saúde mental infantojuvenil em posição mais explícita dentro do ECA. Isso dá força jurídica à cobrança por serviços, mas não resolve sozinho a distância entre a lei e a fila.

O avanço será medido na prática: criança atendida no tempo certo, adolescente acolhido antes da crise, família orientada, escola integrada e rede pública funcionando sem empurrar o caso de um setor para outro.

Em saúde mental, a demora também adoece. A nova lei abre caminho para uma resposta mais estruturada. Agora, o país precisa fazer o caminho sair do Diário Oficial e chegar à unidade de saúde.

Relacionadas, fontes e documentos:

Saúde mental de adolescentes acende alerta (Fonte em Foco)
– Maio Laranja reforça proteção de crianças no DF (Fonte em Foco)
Além do Olhar, alunos do DF terão exames de visão (Fonte em Foco)
Guia ensina adolescentes a usar a internet com segurança (Fonte em Foco)
Lei nº 15.413, de 21 de maio de 2026 (Planalto)
– Lei garante acesso de crianças e adolescentes à saúde mental no SUS (Senado Federal)
– SUS: lei garante atendimento a crianças e adolescentes em saúde mental (Agência Brasil)

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