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sexta-feira, 12 junho 2026, 17:18
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Alimentos respondem por metade da inflação de maio

Publicado em

Reportagem:
Fabíola Fonseca

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Alta da comida pesa no orçamento e IPCA chega a 4,72% em 12 meses

A alta dos alimentos voltou a pressionar o orçamento das famílias em maio de 2026 e respondeu por metade da inflação oficial do mês. O IPCA subiu 0,58%, desacelerou em relação a abril, mas levou o acumulado em 12 meses a 4,72%, acima do teto de tolerância da meta.

Inflação desacelera no mês, mas fica acima do limite da meta

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo perdeu força em maio, depois de ter registrado alta de 0,67% em abril e 0,88% em março. Ainda assim, o resultado manteve a inflação em patamar sensível para o consumidor e para a política monetária.

No acumulado de janeiro a maio, o IPCA avançou 3,20%. Em 12 meses, a taxa chegou a 4,72%, acima do limite superior de 4,5% definido no regime de metas.

A meta de inflação é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Desde 2025, a avaliação deixou de depender apenas do resultado fechado em dezembro e passou a considerar a inflação acumulada nos 12 meses imediatamente anteriores. O descumprimento formal ocorre quando o índice fica fora do intervalo por seis meses consecutivos.

Essa diferença importa. O dado de maio acende alerta, mas não significa, sozinho, descumprimento formal da meta. Em economia, a palavra pesa quase tanto quanto o número. E número mal explicado vira confusão com casa decimal.

Alimentação e bebidas concentram metade do IPCA de maio

O grupo alimentação e bebidas subiu 1,33% em maio e teve impacto de 0,29 ponto percentual no índice geral. Na prática, respondeu por metade da inflação do mês.

A alimentação no domicílio avançou 1,65%, pressionada principalmente por produtos básicos da cesta das famílias. A batata-inglesa subiu 44,69% e teve impacto de 0,09 ponto percentual. O tomate avançou 20,62%, com impacto de 0,06 ponto percentual. A cebola subiu 16,80%, e as carnes tiveram alta de 1,39%.

Maio foi o terceiro mês seguido com alimentação e bebidas acima de 1%. No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, o grupo subiu 4,81%.

O peso dos alimentos torna a inflação mais concreta para famílias de renda menor, que destinam parcela maior do orçamento à comida. Quando a pressão vem do mercado, da feira e do açougue, a estatística deixa de ser abstração e aparece no carrinho mais vazio.

Conta de luz foi o maior impacto individual

Depois dos alimentos, o grupo habitação foi o segundo principal foco de pressão. A alta foi de 1,22%, com impacto de 0,18 ponto percentual no IPCA de maio.

A energia elétrica residencial subiu 3,67% e foi o subitem de maior impacto individual no índice, com 0,15 ponto percentual. A alta refletiu reajustes regionais e a vigência da bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora consumidos.

A bandeira amarela também está em vigor em junho, o que mantém atenção sobre a conta de luz no mês seguinte. Para o consumidor, esse tipo de pressão tem pouca margem de substituição. Dá para trocar marca de produto no supermercado; trocar energia elétrica por criatividade doméstica ainda não entrou no manual da Aneel.

Combustíveis aliviaram parte da pressão no mês

O grupo transportes foi o único com queda em maio, com recuo de 0,46%. A deflação foi puxada pelos combustíveis, que caíram 1,95%.

O etanol caiu 6,20%, o óleo diesel recuou 2,34% e a gasolina teve queda de 1,46%. A gasolina foi o item que mais puxou o IPCA para baixo no mês, com impacto negativo de 0,08 ponto percentual.

O gás veicular seguiu direção contrária e subiu 5,81%.

Esse alívio nos combustíveis impediu uma inflação mensal maior, mas não anulou a pressão concentrada em comida e energia. O dado de maio mostra uma composição desigual: alguns preços cedem, enquanto itens essenciais continuam comprimindo a renda disponível.

Resultado aumenta pressão sobre juros e expectativas

O IPCA de maio veio acima da estimativa mais recente do mercado financeiro, que projetava alta menor para o mês. Para o fim de 2026, as expectativas apontavam inflação de 5,11%, também acima do teto da meta.

A persistência dos alimentos, a conta de luz mais cara e a difusão da inflação ajudam a explicar a preocupação. O índice de difusão indica que 65% dos 377 produtos e serviços pesquisados tiveram alta de preços em maio.

O Banco Central observa esses sinais porque eles mostram se a inflação está concentrada em choques específicos ou espalhada pela economia. A diferença é decisiva para a política de juros. Um choque localizado pode perder força; uma inflação disseminada costuma exigir resposta mais dura.

Para as famílias, porém, a leitura é menos técnica. O problema aparece no mesmo lugar todos os meses: supermercado, energia, transporte e serviços. Quando a renda não acompanha, a inflação não é apenas um indicador macroeconômico. É uma disputa diária entre o que entra no bolso e o que sai antes do fim do mês.

Relacionadas, fontes e documentos:

Inflação prevista supera teto da meta em 2026 (Fonte em Foco)
Inflação prevista sobe e aperta debate sobre juros (Fonte em Foco)
CLDF aprova empréstimo bilionário para socorrer BRB (Fonte em Foco)
Poupança tem 1ª entrada líquida do ano em maio (Fonte em Foco)
Em maio, IPCA fica em 0,58% (IBGE)
– 
Inflação de maio fica em 0,58%, influenciada por preço dos alimentos (Agência Brasil)

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