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Poupança perdeu R$ 39,3 bilhões no semestre

Publicado em

Reportagem:
Fabíola Fonseca

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Saques superaram depósitos nos primeiros seis meses de 2026, segundo relatório do Banco Central

As retiradas da caderneta de poupança superaram os depósitos em mais de R$ 39,3 bilhões no primeiro semestre de 2026.

O dado consta do relatório de poupança divulgado nesta quarta-feira, 8 de julho, pelo Banco Central.

Apenas em junho, a retirada líquida foi de R$ 237,5 milhões. O resultado mostra que, mesmo com saída menor do que em outros meses, a aplicação mais tradicional do país continuou perdendo recursos.

Janeiro e março puxaram saldo negativo

Nos seis primeiros meses do ano, maio foi o único mês com resultado positivo.

Naquele período, os depósitos superaram os saques em R$ 2,6 bilhões. Ainda assim, a entrada não foi suficiente para compensar as perdas acumuladas anteriormente.

Os maiores impactos negativos vieram de janeiro e março.

Em janeiro, a retirada líquida chegou a R$ 23,5 bilhões. Em março, os saques superaram os depósitos em R$ 11,1 bilhões.

O resultado acumulado reforça uma tendência observada nos últimos anos, em que a poupança tem enfrentado competição de aplicações com rendimento maior.

Saldo ficou em R$ 1,020 trilhão

Apesar da saída líquida no semestre, o saldo total da poupança ficou em R$ 1,020 trilhão.

O valor mantém patamar próximo ao registrado em junho de 2025, quando o estoque era de R$ 1,019 trilhão.

Em maio, com a entrada líquida de recursos, o saldo chegou a R$ 1,028 trilhão.

Depois, as retiradas voltaram a reduzir o volume total aplicado, provocando recuo superior a R$ 8 bilhões.

Juros altos pressionam a poupança

A saída de recursos da poupança ocorre em um cenário de juros elevados.

Quando a Selic fica alta, aplicações como títulos públicos, CDBs e fundos de renda fixa tendem a oferecer retorno mais competitivo.

Isso reduz a atratividade da poupança para investidores que buscam maior rendimento.

Além disso, famílias também podem sacar recursos para complementar renda, pagar dívidas ou reorganizar o orçamento doméstico.

A poupança continua sendo simples, líquida e conhecida. Mas, com juros altos, simplicidade sozinha não segura todo mundo no barco.

Relatório mostra captação líquida

O relatório de poupança do Banco Central acompanha depósitos, retiradas, rendimentos creditados e captação líquida do sistema.

A captação líquida é a diferença entre o que entrou e o que saiu da caderneta em determinado período.

Quando o número é negativo, significa que os saques superaram os depósitos.

O indicador ajuda a medir o comportamento dos poupadores e a preferência das famílias por manter ou retirar recursos da aplicação.

Como a poupança também financia parte do crédito imobiliário, movimentos persistentes de saída podem ser acompanhados com atenção pelo mercado financeiro.

Relacionadas, fontes e documentos:

– Dólar caiu a R$ 5,13 e Bolsa recuou (Fonte em Foco)
– Mercado reduz previsão de inflação para 2026 (Fonte em Foco)
– Brasil contesta novas barreiras da UE ao aço brasileiro (Fonte em Foco)
– Segundo lote do IR alcança 9,5 milhões de contribuintes (Fonte em Foco)
– Poupança: saques superam depósitos em R$ 39,3 bilhões no semestre (Agência Brasília)

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