Financiamento avança com usados e contratos mais longos
As vendas financiadas de veículos alcançaram 3,78 milhões de unidades no primeiro semestre de 2026, alta de 10,9% em relação aos 3,41 milhões registrados no mesmo período do ano passado.
O resultado é o maior para os primeiros seis meses do ano desde 2008, quando foram contabilizados 4,23 milhões de financiamentos. Não se trata, portanto, de recorde histórico, mas do melhor primeiro semestre em 18 anos.
Os números representam veículos financiados, e não valores em reais. O levantamento reúne automóveis, comerciais leves, motocicletas, caminhões e ônibus novos ou usados.
Veículos usados concentram 63% das operações
Os usados responderam por 2,38 milhões de unidades financiadas entre janeiro e junho, aproximadamente 63% do total. Os veículos novos somaram 1,39 milhão.
| Condição do veículo | 1º semestre de 2025 | 1º semestre de 2026 | Variação aproximada |
|---|---|---|---|
| Usados | 2,18 milhões | 2,38 milhões | 9,2% |
| Novos | 1,22 milhão | 1,39 milhão | 13,9% |
| Total | 3,41 milhões | 3,78 milhões | 10,9% |
Os valores foram divulgados de forma arredondada. Por isso, a soma entre novos e usados pode apresentar pequena diferença em relação ao total.
Embora os usados concentrem a maioria das operações, os números acumulados indicam que os financiamentos de veículos novos cresceram proporcionalmente mais no semestre. O comportamento mensal dos automóveis leves, porém, seguiu direção diferente em junho.
Automóveis usados puxaram o resultado de junho
Os automóveis e comerciais leves somaram 434 mil financiamentos em junho, ante 388 mil no mesmo mês de 2025. A alta anual foi de 11,9%.
Na comparação com maio, entretanto, o volume recuou 2,6%. O resultado mostra que houve crescimento em relação ao ano anterior, mas não uma expansão contínua de um mês para outro.
Entre os veículos leves novos, foram financiadas 112 mil unidades em junho, queda de 3,3% na comparação anual. Os usados chegaram a 323 mil operações, avanço de 12%.
Essa diferença ajuda a explicar o peso dos seminovos e usados no mercado. Preço de aquisição mais baixo e maior variedade podem ampliar o público interessado, embora veículos mais antigos também possam exigir gastos adicionais com manutenção, seguro e reparos.
Prazo médio se aproxima de quatro anos
O prazo médio dos contratos para automóveis e comerciais leves passou de 46,3 meses no primeiro semestre de 2025 para 47,2 meses em 2026. O comprador assumiu, em média, um compromisso próximo de quatro anos.
Nos veículos fabricados entre quatro e oito anos atrás, o prazo subiu de 50 para 51,3 meses. Entre os modelos com até três anos de uso, avançou de 49,4 para 51,6 meses.
O alongamento pode reduzir o valor da prestação mensal, mas não significa necessariamente financiamento mais barato. Quando os juros permanecem elevados, mais parcelas podem aumentar o custo total pago pelo veículo.
A taxa Selic estava em 14,25% ao ano ao fim do semestre. Embora a taxa básica não seja a mesma cobrada do consumidor, ela influencia o custo de captação das instituições financeiras e as condições gerais do crédito.
Antes de contratar, o comprador deve comparar o Custo Efetivo Total, o CET. Esse indicador reúne juros, tarifas, tributos, seguros e outras despesas da operação. Uma prestação aparentemente menor pode esconder um contrato mais caro — a parcela sorri, mas o saldo devedor raramente é tão simpático.
Centro-Oeste teve o maior crescimento regional
Todas as regiões registraram expansão no número de veículos financiados no primeiro semestre:
| Região | Crescimento anual | Participação no total |
|---|---|---|
| Centro-Oeste | 13,1% | 10,8% |
| Nordeste | 12,6% | 19,6% |
| Sul | 11,2% | 20,0% |
| Sudeste | 10,6% | 42,1% |
| Norte | 4,4% | 7,5% |
O Centro-Oeste apresentou a maior taxa de crescimento, mas o Sudeste continuou concentrando a maior quantidade de operações, com 42,1% do total nacional.
Essa distinção é importante: crescer mais rapidamente não significa liderar em volume. O Centro-Oeste ganhou ritmo, enquanto o Sudeste preservou a maior participação no mercado.
Financiamento de motos mantém expansão anual
Foram financiadas 155 mil motocicletas em junho, crescimento de 5,6% diante das 147 mil unidades registradas no mesmo mês de 2025. Em relação a maio, houve recuo de 3,9%.
As motos usadas somaram 116 mil financiamentos, alta anual de 5,5%. As novas chegaram a 39 mil unidades e registraram queda de 2,4%.
A procura está associada tanto ao deslocamento cotidiano quanto ao uso profissional. Entretanto, os números não permitem determinar quantas motocicletas foram adquiridas especificamente por entregadores ou outros trabalhadores.
O mercado pode receber novo impulso de políticas voltadas a esse público, como a proposta do Move Motos para entregadores de aplicativos. O efeito dependerá das regras finais, dos juros e da capacidade de pagamento dos trabalhadores.
Pesados avançam, mas detalhamento apresenta divergência
O total divulgado para caminhões e ônibus foi de 24 mil unidades financiadas em junho, ante 22 mil no mesmo mês de 2025. A variação informada foi de 7,1%. Na comparação com maio, o crescimento teria alcançado 5,8%.
O detalhamento, entretanto, contém uma inconsistência. Foram informados 13 mil veículos novos, com alta anual de 33,2%, e 11 mil usados, com crescimento de 19,9%.
Se novos e usados formam integralmente o total e utilizam a mesma base de comparação, duas altas superiores a 19% não podem resultar em crescimento agregado de apenas 7,1%. As porcentagens segmentadas, portanto, precisam de esclarecimento antes de serem tratadas como dados consolidados.
O setor conta ainda com linhas específicas de crédito para renovação da frota pesada, mas o aumento dos financiamentos não comprova isoladamente avanço dos investimentos em transporte. Seriam necessários dados adicionais sobre finalidade, tomadores, valores liberados e substituição efetiva da frota.
Crescimento do crédito exige olhar para o custo final
O melhor primeiro semestre desde 2008 mostra que o financiamento voltou a alcançar uma parcela maior do mercado automotivo. O avanço das vendas e dos emplacamentos reforça a existência de demanda, mesmo em um ambiente de juros elevados.
Por outro lado, o aumento do prazo médio sinaliza que parte dessa expansão depende de contratos mais longos. Isso pode ampliar o acesso, mas também prolonga o comprometimento da renda e aumenta a exposição do comprador a desemprego, perda de renda e despesas inesperadas.
Para avaliar uma proposta, não basta verificar se a prestação cabe no mês. É necessário comparar entrada, CET, valor total pago, prazo, seguro, manutenção e depreciação. Carro financiado resolve uma necessidade de mobilidade ou trabalho; contrato mal calculado pode criar outra, estacionada todo mês no orçamento.
Relacionadas, fontes e documentos:
– Mercado reduz inflação de 2026 pela quarta semana (Fonte em Foco)
– Brasil rebate tarifa dos EUA sobre trabalho forçado (Fonte em Foco)
– Governo libera R$ 547 milhões para aposentados e pensionistas (Fonte em Foco)
– Bolsa Família começa a pagar parcela de julho (Fonte em Foco)
– Mercado reduz projeção da inflação para 5,15% em 2026 (Fonte em Foco)
– Financiamento de veículos cresce no semestre e tem melhor início de ano desde 2008 (B3)
– Empréstimos e financiamentos (Banco Central)
– Financiamento de veículos cresce 10,9% no primeiro semestre (Agência Brasil)

