Com umidade em queda e calor até 31°C, DF entra em alerta para hidratação nos próximos dias
Nos próximos dias, moradores do Distrito Federal vão precisar redobrar o cuidado com a ingestão de água e a proteção das vias respiratórias. Previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta umidade relativa do ar de até 20% e temperaturas que podem chegar a 31°C — um cenário de tempo seco e quente que amplia o risco de desidratação, irritações respiratórias e agravamento de doenças cardiovasculares já existentes.
Por que o ar seco afeta o corpo
A engenheira ambiental Jennifer Rios, do programa Vigidesastres, explica que a baixa umidade favorece o ressecamento das mucosas do nariz, da garganta e dos olhos, além da pele. Essa condição compromete a proteção natural das vias respiratórias e pode aumentar o risco de irritações, sangramentos nasais, desidratação e agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares. A combinação de ar seco com temperaturas elevadas acelera ainda a perda de líquidos pelo corpo — o consumo de água, segundo Rios, é indispensável nesse período, já que a hidratação inadequada pode provocar fadiga, tonturas e mal-estar. Pessoas com problemas respiratórios também ficam mais suscetíveis a crises de asma, bronquite, rinite alérgica, sinusite e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
Grupos que exigem atenção redobrada
Crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares e trabalhadores expostos ao sol por longos períodos formam o grupo mais vulnerável aos efeitos do tempo seco. Rios chama atenção ainda para o impacto das queimadas no Cerrado, comuns nesta época do ano: a fumaça contém partículas finas e gases que irritam as vias respiratórias, e quando essa fumaça se soma ao ar seco, o risco de crises respiratórias aumenta, com possível agravamento de quadros cardiovasculares.
Cuidados recomendados para o período
- Beber líquidos ao longo do dia, sem esperar a sensação de sede, mantendo uma garrafa de água sempre por perto;
- Usar soro fisiológico 0,9% nas narinas, colírios lubrificantes, protetor labial e hidratante corporal para reduzir o ressecamento das mucosas e da pele;
- Umidificar ambientes internos com bacias de água, toalhas molhadas ou umidificadores elétricos — que precisam de higienização regular para não virar foco de fungos e bactérias;
- Evitar esforço físico ao ar livre entre 10h e 16h, horário em que o calor é mais intenso e a umidade tende a cair aos menores índices do dia.
Um alerta que já dura semanas e pode se agravar
O quadro descrito não é isolado: o Distrito Federal está sob sucessivos alertas de baixa umidade emitidos pelo Inmet desde o fim de junho, sem registro de chuvas significativas — o que indica que o período de atenção deve se estender além dos próximos dias.
A gravidade do risco cardiovascular associado ao tempo seco ganha contexto quando confrontada com dados anteriores da rede de saúde do DF, que já registrou mais de mil internações por infarto do miocárdio em um único semestre — reforço de que o alerta climático não é apenas uma questão de conforto, mas de saúde pública.
Sintomas como dificuldade para respirar, dor no peito, febre persistente, sangramento nasal difícil de controlar, tontura intensa, sonolência incomum ou redução importante da urina não devem ser normalizados como efeito passageiro do clima — indicam a necessidade de buscar atendimento médico.
Em caso de sintomas, a orientação é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência. Situações de urgência podem ser atendidas nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Emergências devem acionar o Samu-DF pelo 192 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.
Fontes e documentos:
– Instituto Nacional de Meteorologia (portal.inmet.gov.br)
– Umidade cai a 20% e põe Brasília em alerta amarelo até as 23h (O Tempo)
– Seca no DF: hidratação é fundamental durante o período (Agência Brasília)

