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Pesquisas mostram Lula e Flávio em disputa apertada

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Reportagem:
Marta Borges

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A disputa nacional está apertada, mas ainda é fotografia de campanha

As três pesquisas presidenciais mais recentes divulgadas até esta segunda-feira (14) mostram Lula e Flávio Bolsonaro concentrando a disputa nacional de 2026. Nos levantamentos mais novos, Lula aparece numericamente à frente no primeiro turno, enquanto as simulações de segundo turno indicam empate técnico entre os dois principais nomes.

O dado mais importante das últimas pesquisas é a consolidação de uma corrida apertada. A Quaest divulgada em 14 de setembro mostra Lula com 36% no primeiro turno, Flávio Bolsonaro com 31% e Augusto Cury com 7%; no segundo turno, Flávio aparece numericamente à frente, com 42%, contra 40% de Lula, dentro da margem de erro de dois pontos.

A BTG/Nexus do mesmo dia aponta Lula com 42% e Flávio com 37% no primeiro turno. No segundo turno, os dois seguem tecnicamente empatados, com Lula em 47% e Flávio em 46%, também dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

A Datafolha divulgada em 11 de setembro mostra uma diferença menor no primeiro turno. Lula aparece com 39%, Flávio Bolsonaro com 35%, Augusto Cury com 6%, Ronaldo Caiado com 4%, Renan Santos com 3% e Romeu Zema com 2%; no segundo turno, Lula e Flávio também aparecem tecnicamente empatados.

Como ler as três pesquisas mais recentes

Quaest — 14 de setembro
Lula aparece com 36% no primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro, com 31%, e Augusto Cury, com 7%. No segundo turno, Flávio marca 42% e Lula, 40%, resultado que continua tecnicamente empatado pela margem de erro. A pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre 10 e 13 de setembro e está registrada sob o protocolo BR-03607/2026.

BTG/Nexus — 14 de setembro
Lula aparece com 42% no primeiro turno, contra 37% de Flávio Bolsonaro. Augusto Cury tem 6%, Ronaldo Caiado aparece com 5%, Renan Santos com 2%, enquanto Romeu Zema e Samara Martins registram 1% cada. Clariana Barão, Edmilson Costa, Hertz Dias, Rui Costa Pimenta e Veterinário Wilson Grassi não pontuaram; brancos e nulos somam 4%, e indecisos são 2%.

Datafolha — 11 de setembro
Lula aparece com 39% no primeiro turno, e Flávio Bolsonaro, com 35%. Augusto Cury registra 6%, Ronaldo Caiado tem 4%, Renan Santos aparece com 3% e Romeu Zema marca 2%. No segundo turno, Lula tem vantagem numérica sobre Flávio, mas dentro da margem de erro, o que mantém o cenário tecnicamente empatado.

Os candidatos

Lula — PT
Aparece numericamente à frente no primeiro turno nas três pesquisas mais recentes. Registra 36% na Quaest, 42% na BTG/Nexus e 39% na Datafolha. A variação mostra força competitiva, mas também diferenças de método, data de coleta e composição de amostra entre os levantamentos.

Flávio Bolsonaro — PL
É o segundo colocado no primeiro turno nas três pesquisas mais recentes e aparece empatado tecnicamente com Lula no segundo turno. Tem 31% na Quaest, 37% na BTG/Nexus e 35% na Datafolha. A leitura mais relevante é a redução ou manutenção de distância competitiva, sem converter esse movimento em previsão.

Augusto Cury — Avante
Aparece como terceiro nome mais competitivo entre os candidatos fora da polarização principal. Marca 7% na Quaest, 6% na BTG/Nexus e 6% na Datafolha. O desempenho o mantém visível, mas distante dos dois primeiros colocados nas pesquisas mais recentes.

Ronaldo Caiado — PSD
Registra desempenho baixo no primeiro turno, mas aparece em simulações de segundo turno contra Lula. Tem 5% na BTG/Nexus e 4% na Datafolha; na Quaest, é citado nas simulações de segundo turno, em que Lula aparece com 41% e Caiado com 39%, dentro de cenário competitivo.

Renan Santos — Missão
Aparece no bloco de candidatos abaixo dos dois primeiros colocados. Tem 2% na BTG/Nexus e 3% na Datafolha; na Quaest, aparece em cenário de segundo turno contra Lula, com o presidente em 41% e Renan em 38%.

Romeu Zema — Novo
Oscila em patamar baixo no primeiro turno e aparece como adversário menos competitivo contra Lula nas simulações citadas pela Quaest. Tem 1% na BTG/Nexus e 2% na Datafolha; no segundo turno da Quaest, Lula aparece com 45% contra 33% de Zema.

O que mudou entre as três pesquisas

A principal diferença está no tamanho da vantagem de Lula no primeiro turno. Na Quaest, a distância para Flávio é de cinco pontos; na BTG/Nexus, também é de cinco pontos; na Datafolha, cai para quatro pontos. A semelhança no tamanho da diferença não elimina a cautela, porque cada levantamento tem método, campo, amostra e forma de entrevista próprios.

O segundo turno é o ponto mais sensível da leitura. A Quaest mostra Flávio numericamente à frente por 42% a 40%; a BTG/Nexus aponta Lula numericamente à frente por 47% a 46%; a Datafolha registra Lula com 46% e Flávio com 44%. Em todos esses casos, a expressão correta é empate técnico, não virada consolidada nem vitória antecipada.

O terceiro lugar também muda de significado conforme o instituto. Augusto Cury aparece com 7%, 6% e 6% nas três pesquisas, mas seu peso político depende do quanto consegue reter eleitores fora da polarização e entrar em simulações competitivas de segundo turno.

Caiado, Renan e Zema continuam tentando ocupar o espaço entre rejeição aos dois polos e voto de alternativa. A dificuldade é que, nas pesquisas mais recentes, esse eleitorado ainda não aparece concentrado em um único nome capaz de romper a disputa Lula-Flávio no primeiro turno.

O eleitor não polarizado virou peça decisiva

Uma parte importante da eleição está fora da torcida automática entre Lula e Flávio. Pesquisa BTG/Nexus divulgada em 8 de setembro identificou que 19% dos brasileiros se veem como eleitores não polarizados, com preocupação mais forte em saúde pública e segurança.

Esse grupo ajuda a explicar por que pequenas oscilações podem ganhar peso na reta final. Quando o eleitor já está fechado em um polo, a pesquisa tende a se mover pouco; quando o eleitor avalia problemas concretos do cotidiano, temas como renda, segurança, acesso a serviços e confiança institucional podem deslocar voto ou aumentar indecisão.

A crise institucional entrou na campanha

As pesquisas de setembro foram realizadas em meio a uma crise no Supremo, ligada ao caso Banco Master e ao embate entre ministros. A Quaest informa que o levantamento foi feito enquanto o tema dominava o noticiário e passava a pautar campanhas; candidatos também reagiram ao episódio com cobranças por transparência e críticas institucionais.

Esse contexto pode influenciar a percepção sobre estabilidade, Justiça, investigação e uso político das instituições. Para Lula, o desafio é impedir que a crise desloque a campanha para um terreno defensivo; para Flávio, o risco é que a pauta jurídica ajude a mobilizar sua base, mas também reforce resistências entre eleitores que rejeitam instabilidade.

A economia ajuda Lula, mas segurança pesa contra

A BTG/Nexus registrou avaliações mais positivas sobre renda, educação, bem-estar e acesso ao crédito, mas mostrou percepção negativa em segurança. Segundo o levantamento, 41% avaliam melhora na renda, enquanto segurança aparece como o campo mais criticado, com parcela expressiva dizendo que a situação piorou.

A disputa presidencial passa por essa contradição. Quando o eleitor sente melhora na renda ou no crédito, o governo ganha argumento de continuidade; quando a segurança domina a preocupação cotidiana, a oposição encontra uma porta de entrada mais direta. A campanha se move justamente nesse atrito entre bolso, medo, confiança e identidade política.

A cobertura anterior do Fonte em Foco ajuda a enxergar a tendência

O Fonte em Foco já havia mostrado que a eleição presidencial de 2026 caminhava para uma disputa aberta entre Lula e Flávio Bolsonaro. Na análise Pesquisas mostram eleição aberta entre Lula e Flávio Bolsonaro, o portal destacou que os levantamentos indicavam uma corrida competitiva, com Lula numericamente à frente em alguns cenários e Flávio reduzindo distância em outros.

A nova rodada não derruba essa leitura, ela a torna mais urgente. O primeiro turno segue com Lula à frente nas três pesquisas mais recentes, mas o segundo turno mostra empate técnico persistente, com alternância de vantagem numérica conforme o instituto. O quadro é de competição real, não de definição antecipada.

Lula e Flávio Bolsonaro presos a disputa de margens

A eleição presidencial de 2026 chega à reta final com Lula e Flávio Bolsonaro presos a uma disputa de margens. O presidente lidera numericamente o primeiro turno nos três levantamentos mais recentes, enquanto o senador aparece competitivo o suficiente para transformar o segundo turno em terreno de incerteza.

O erro seria tratar cada oscilação como terremoto ou cada liderança numérica como sentença. Pesquisa é instrumento de leitura pública, não urna antecipada. Ela mostra clima, tendência, força de candidaturas, rejeição e deslocamentos possíveis, mas não resolve campanha, abstenção, voto útil, decisão judicial, debate final nem escolha do eleitor.

O que os números dizem, com segurança, é que a eleição está aberta. A disputa passa pela polarização, mas não se esgota nela: economia, segurança, crise institucional, memória bolsonarista, rejeição aos dois polos e busca por alternativas ainda podem alterar o modo como o eleitor chega ao dia da votação.

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