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Afogamentos quase dobram no DF

Publicado em

Reportagem:
Marta Borges

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Afogamentos quase dobram e acendem sinal de risco

O Distrito Federal registrou pelo menos 101 afogamentos entre janeiro e 14 de setembro de 2026. O número é quase duas vezes maior que o total de 2025, quando foram contabilizados 56 casos ao longo do ano.

Setembro já aparece como o mês com mais ocorrências neste ano. Foram 15 registros até 14 de setembro, acima de janeiro, que teve 13 afogamentos.

O dado preocupa porque o período de calor aumenta a presença de famílias, banhistas, esportistas e frequentadores em piscinas, clubes, cachoeiras e no Lago Paranoá. O risco cresce quando lazer, excesso de confiança, consumo de álcool e falta de supervisão se encontram no mesmo ambiente.

Piscinas e Lago Paranoá concentram casos

Entre 2022 e 2025, o DF registrou 234 ocorrências de afogamento. Desse total, 79,3% ocorreram em piscinas e no Lago Paranoá, os dois pontos mais recorrentes nas estatísticas.

As piscinas responderam por 106 ocorrências no período, o equivalente a 44,73% do total. O Lago Paranoá veio em seguida, com 80 ocorrências, ou 33,76%.

A concentração nesses dois ambientes mostra que o perigo nem sempre está em locais isolados ou distantes. Parte relevante dos afogamentos acontece em espaços conhecidos, perto de casa, de clubes, de áreas de lazer e de pontos turísticos.

Onde os afogamentos ocorreram

Os registros entre 2022 e 2025 mostram que o risco se espalha por diferentes tipos de ambiente aquático. Piscinas e Lago Paranoá lideram, mas também houve casos em rios, cachoeiras, cisternas, baldes e caixa d’água.

A distribuição das ocorrências reforça a necessidade de cuidado dentro e fora do lazer formal. Foram 106 casos em piscinas, 80 no Lago Paranoá, 20 em lagos, lagoas ou represas no DF, 15 em rios, 5 em lagos, lagoas ou represas fora do DF, 4 em cachoeiras, 2 em cisternas, 2 em baldes, 2 em outros locais e 1 em caixa d’água.

O detalhe mais sensível está nos acidentes domésticos. Quando balde, cisterna, piscina residencial ou caixa d’água entram na lista, o alerta deixa de ser apenas para banhistas e passa a valer também para pais, responsáveis, síndicos e cuidadores.

Lago Paranoá soma mortes e sustos

O Lago Paranoá registrou 25 mortes entre 2022 e 2025. O cartão-postal de Brasília, muito usado para esporte, banho, passeios náuticos e lazer nos dias quentes, também aparece como um dos pontos de maior risco aquático do DF.

Casos recentes ampliaram a preocupação em torno do lago. Em setembro, houve morte durante treinamento aquático e morte após acidente de trânsito que lançou vítima no Lago Paranoá; os episódios ainda não haviam entrado nas estatísticas citadas para 2026.

O lago exige respeito mesmo de quem sabe nadar. Corrente, distância da margem, profundidade, cansaço, choque térmico, mal súbito, embarcações e consumo de álcool podem transformar uma travessia curta em situação de emergência.

Em uma hora, três vítimas precisaram de socorro

No dia 13 de setembro, três vítimas se afogaram em pontos diferentes do DF no intervalo de uma hora. Um homem precisou ser reanimado por cerca de 30 minutos após se afogar na Prainha do Lago Norte e sobreviveu.

No mesmo intervalo, duas crianças também foram socorridas após afogamentos em piscinas. Os casos ocorreram em Arniqueira e São Sebastião, com sobrevivência após atendimento.

Esses episódios mostram como a resposta rápida salva vidas, mas também como a prevenção precisa chegar antes do resgate. Quando a criança afunda, quando o adulto perde força ou quando alguém some da superfície, cada segundo importa.

Ocorrências aquáticas vão além do afogamento

Entre 2022 e 2025, o Corpo de Bombeiros atuou em 346 ocorrências aquáticas no DF. A maior parte envolveu resgates, inclusive de embarcações à deriva.

Os registros cresceram de 68 ocorrências aquáticas em 2022 para 95 em 2023 e 96 em 2024, antes de cair para 87 em 2025. No mesmo período, os afogamentos no DF foram 48 em 2022, 68 em 2023, 62 em 2024 e 56 em 2025.

A diferença entre ocorrência aquática e afogamento ajuda a entender o tamanho do trabalho de prevenção. Barco à deriva, pessoa em risco, busca submersa, acidente em ponte, criança em piscina e resgate em lago não são o mesmo evento, mas todos dependem de preparo, vigilância e atendimento rápido.

Pontos com socorro devem ser prioridade

Quem pretende entrar no Lago Paranoá deve dar preferência a áreas com presença de socorro. A lista divulgada inclui Ponte JK, Piscinão do Lago Norte, Praia dos Orixás, Ponte do Bragueto e Ermida Dom Bosco.

O Corpo de Bombeiros mantém estrutura de emergência para atendimento a afogamentos e outros acidentes. A corporação informa que os serviços emergenciais são voltados a situações que exigem atuação rápida para preservação de vidas, patrimônios e meio ambiente.

Mesmo em locais conhecidos, a regra é não entrar sozinho e não se afastar da margem sem segurança. A presença de outras pessoas, de pontos de referência e de socorro próximo aumenta a chance de ajuda em caso de cãibra, mal-estar ou perda de fôlego.

Álcool e excesso de confiança aumentam risco

O álcool é um dos fatores mais perigosos perto da água. Ele reduz reflexo, altera percepção de risco, piora coordenação e pode fazer o banhista subestimar distância, profundidade e cansaço.

Saber nadar também não elimina o perigo. Bons nadadores podem ter mal súbito, câimbra, exaustão, desorientação, queda de pressão ou dificuldade para voltar à margem.

A combinação mais arriscada é entrar na água depois de beber e acreditar que nada vai acontecer. Afogamento costuma ser rápido, silencioso e, muitas vezes, sem a cena dramática que as pessoas imaginam.

Criança perto de água exige olho permanente

Crianças não devem ficar sozinhas perto de piscina, lago, balde, cisterna ou caixa d’água. Pouca água já pode representar risco quando há queda, susto, aspiração ou dificuldade de sair do recipiente.

Em piscina, a supervisão precisa ser direta e contínua. Adulto olhando de longe, mexendo no celular ou conversando em outro cômodo não equivale a vigilância.

A regra mais segura é ter um responsável designado para observar a criança o tempo todo. Em reuniões familiares, festas e clubes, todos acham que alguém está olhando; às vezes, ninguém está.

O que fazer em caso de afogamento

A primeira medida é acionar socorro imediatamente pelo telefone 193. O atendimento de emergência do Corpo de Bombeiros deve ser chamado o quanto antes em situações de afogamento, desaparecimento na água ou risco aquático.

Quem tenta ajudar também precisa evitar virar vítima. Entrar na água sem preparo, sem flutuação ou sem avaliar o risco pode criar uma segunda emergência.

Quando possível, a ajuda mais segura é oferecer um objeto que flutue, chamar apoio e orientar a vítima a se acalmar. Em locais públicos, procure guarda-vidas, bombeiros, equipes de segurança ou pessoas treinadas.

Prevenção começa antes do mergulho

Antes de entrar na água, o banhista deve observar profundidade, corrente, distância da margem e presença de socorro. Também deve evitar pular de pontos altos, nadar sozinho ou desafiar trechos desconhecidos.

Em embarcações, colete salva-vidas não deve ser visto como acessório. Ele é uma barreira de segurança, especialmente para crianças, pessoas que não nadam bem e passeios em áreas abertas.

Em casa, piscinas precisam de barreiras físicas e rotina de cuidado. Portões, travas, capas adequadas, retirada de brinquedos da borda e orientação constante reduzem o risco de acesso inesperado por crianças.

A água não perdoa distração

O aumento dos afogamentos no DF mostra que lazer também precisa de responsabilidade. Piscina, lago, cachoeira e clube são espaços de descanso, mas não deixam de ser ambientes de risco.

O problema não está em aproveitar o Lago Paranoá ou uma piscina em dia de calor. O problema é entrar na água sem preparo, beber antes de nadar, deixar criança sem vigilância ou acreditar que experiência substitui cuidado.

A prevenção é menos dramática que o resgate, mas é ela que salva antes da sirene. Quando o cidadão escolhe um ponto com socorro, observa a criança de perto, evita álcool e respeita os próprios limites, o lazer continua sendo lazer — e não vira tragédia.

Fontes e Documentos:

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