Novacap acelera arborização no DF e mira 200 mil mudas
Brasília nasceu sob a ideia de cidade-parque, com verde integrado ao desenho urbano. Agora, esse traço histórico ganha reforço num indicador concreto: a Novacap contabiliza mais de 218 mil árvores plantadas desde 2019 em todas as regiões administrativas do Distrito Federal. A política segue ativa, com nova etapa contratada para 2026 e 2027 e meta de expansão até 2027.
Segundo o engenheiro florestal Matheus Marques Dy Lá Fuente Gonçalves, assessor do Departamento de Parques e Jardins (DPJ) da Novacap, o acumulado mais recente do programa supera 280 mil mudas quando se consideram plantios executados e contratos encerrados no período.
O que muda no próximo ciclo de plantio
A Novacap afirma que fechou novos contratos para execução em 2026 e 2027. Com isso, a intenção é ampliar a escala: o plano citado pelo DPJ é sair de 100 mil mudas e alcançar 200 mil no próximo ciclo.
Esse salto não é detalhe técnico. Na prática, ele pressiona toda a cadeia: produção, seleção de espécies, logística, plantio e manutenção. E, como se sabe, árvore não é “entrega rápida” — ela cobra acompanhamento.
De onde vêm as mudas e por que isso importa
A produção é majoritariamente própria, feita nos viveiros da Novacap. Além disso, o DPJ informa que cerca de 97% das mudas são originadas de sementes coletadas no DF e em expedições técnicas ao Cerrado em Goiás e Minas Gerais, com viveiro trabalhando com mais de 130 espécies.
As mudas ficam entre oito meses e um ano em cultivo antes do plantio definitivo. Nesse intervalo, passam por rustificação, processo para ganhar resistência a vento, variação térmica e estresse hídrico.
Quais espécies entram e quais saem do planejamento
Entre as espécies mais plantadas, o DPJ cita ipê-branco (Tabebuia roseo-alba), jacarandá-mimoso (Jacaranda mimosaefolia) e pitangueira (Eugenia uniflora). A diretriz atual prioriza espécies do Cerrado ou adaptadas ao ambiente urbano.
O planejamento, porém, não é estático. O órgão relata que espécies antes comuns foram revistas ao longo das décadas. A espatódia saiu do uso por impacto sobre abelhas, enquanto o guapuruvu foi evitado por risco estrutural elevado. Além disso, o modelo migrou de quadras homogêneas para maior diversidade, reduzindo vulnerabilidades e custos de manejo.
O gargalo do plantio não é a cova e sim os dois primeiros anos
Plantar é o começo. Nos dois primeiros anos, considerados críticos para o “pegamento”, a taxa técnica de perda aceitável varia de 10% a 30%, com meta ideal próxima de 15%, segundo a Novacap. O principal gargalo citado é o controle de formigas, sobretudo em áreas onde o solo original do Cerrado foi alterado pela urbanização.
Depois desse período, entra a manutenção arbórea: podas programadas, controle fitossanitário e monitoramento estrutural. Esse ciclo exige contratos e acompanhamento permanente para segurança e qualidade paisagística.
Como o cidadão pode pedir árvore e o que não pode fazer
O pedido de plantio pode partir do morador via canais oficiais do GDF, como ouvidoria e administrações regionais. A demanda passa por vistoria técnica, avaliando rede elétrica, calçada, meio-fio, tubulações, espaço disponível e até previsão de obras no local. Portanto, nem sempre cabe árvore de grande porte: às vezes a solução é espécie arbustiva ou adaptação do projeto.
O DPJ reforça que intervenções sem autorização são proibidas. Além disso, o corte irregular de árvore pode configurar crime ambiental e gerar multa. A legislação federal de crimes ambientais é citada como referência para punições relacionadas ao corte sem permissão.
Links relacionados
– Agência Brasília
– CUNCB
– CUNCB
– Governo do DF
– TJDFT

