Em decisão unânime e aguardada pelo mercado financeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a Taxa Selic em 15% ao ano. Esta é a quinta reunião consecutiva de manutenção dos juros no patamar mais elevado desde 2006.
A grande novidade da noite, contudo, veio no comunicado: o BC confirmou que, caso o cenário econômico siga favorável, deve iniciar a flexibilização monetária (redução de juros) em março.
O caminho para o corte: Por que esperar março?
O Banco Central adotou um tom de cautela vigilante. Apesar do recuo do dólar e da inflação em 2025, a autoridade monetária quer garantir que a trajetória de queda seja sustentável antes de apertar o botão de “redução”.
A frase-chave: O Copom afirmou que “antecipa iniciar a flexibilização na próxima reunião”, mas reforçou que manterá o rigor necessário para que a inflação não escape da meta.
Cenário de Desfalque: A decisão ocorreu com a diretoria incompleta, aguardando que o presidente Lula indique os substitutos para as diretorias de Política Econômica e Organização do Sistema Financeiro em fevereiro.
Inflação e a nova meta contínua
A manutenção ocorre em um momento de transição no modelo de monitoramento do custo de vida. Entenda os números:
IPCA 2025: Fechou em 4,26%, o menor desde 2018, ficando dentro do teto da meta.
Meta para 2026: O centro da meta é 3%, com tolerância até 4,5%.
Modelo Contínuo: Agora, a meta é verificada mês a mês (janela móvel de 12 meses), e não apenas no fechamento de dezembro. Isso exige que o BC seja mais ágil — ou cauteloso — para evitar desvios ao longo de todo o ano.
Impacto na Economia: Crédito e PIB
Embora os juros altos segurem a inflação, eles também impõem um custo ao crescimento do país. Confira as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026:
| Fonte | Projeção de Crescimento (PIB) |
| Banco Central | 1,6% |
| Mercado (Boletim Focus) | 1,8% |
O que muda para você: Com a Selic em 15%, o crédito para financiamentos e empréstimos continua caro, mas investimentos em Renda Fixa (como Tesouro Selic e CDBs) seguem com rentabilidades muito atrativas, superando largamente a inflação esperada de 4%.

