Sistema do BC devolve R$ 403,29 milhões em janeiro
Os brasileiros sacaram R$ 403,29 milhões em valores esquecidos no sistema financeiro em janeiro de 2026, segundo estatísticas divulgadas pelo Banco Central. Com isso, o Sistema de Valores a Receber (SVR) já devolveu R$ 13,76 bilhões, mas ainda mantém R$ 10,5 bilhões disponíveis para resgate.
O serviço permite consultar se uma pessoa física, empresa ou até pessoa falecida tem recursos a receber em bancos, consórcios, corretoras e outras instituições. Para a consulta inicial, não é necessário login: basta informar CPF e data de nascimento ou CNPJ e data de abertura da empresa, inclusive no caso de empresas já encerradas.
Resgate exige conta Gov.br mais robusta
Se houver algum valor disponível, o interessado precisa acessar o sistema com conta Gov.br nível prata ou ouro e com verificação em duas etapas para ver o valor, a origem do dinheiro, a instituição responsável e as opções de recebimento. O resgate pode ser feito diretamente com a instituição, pelo próprio sistema do BC ou por meio da solicitação automática de resgate.
Essa solicitação automática foi aberta pelo Banco Central para pessoas físicas com chave Pix do tipo CPF. A adesão é facultativa e evita que o cidadão precise voltar periodicamente ao sistema para pedir manualmente cada devolução futura. Quando a instituição financeira disponibiliza o recurso, o crédito vai direto para a conta indicada.
Maioria tem pouco a receber, mas universo ainda é enorme
Até o fim de janeiro, 37.719.258 correntistas já haviam resgatado valores, sendo 33.740.425 pessoas físicas e 3.978.833 pessoas jurídicas. Por outro lado, 54.612.272 beneficiários ainda não sacaram seus recursos, dos quais 49.520.452 são pessoas físicas e 5.091.820 pessoas jurídicas.
A maior parte dos valores é pequena. Quantias de até R$ 10 concentram 64,57% dos beneficiários; valores entre R$ 10,01 e R$ 100 representam 23,49%; entre R$ 100,01 e R$ 1 mil, 10,04%; e apenas 1,9% têm mais de R$ 1 mil a receber. Em outras palavras: para muita gente, o dinheiro esquecido não paga férias em resort, mas pode ao menos cobrir um café, um boleto ou uma irritação a menos no fim do mês.
De onde vem o dinheiro esquecido
Segundo o BC, os valores esquecidos podem ter origem em contas-correntes ou poupanças encerradas, tarifas cobradas indevidamente, parcelas ou despesas de crédito cobradas de forma indevida, recursos de consórcios encerrados, cotas e sobras de cooperativas de crédito, além de contas de pagamento e contas de registro de corretoras e distribuidoras já encerradas.
O Banco Central também reforça o alerta contra golpes. Todos os serviços do Valores a Receber são gratuitos; o BC não envia links, não entra em contato para confirmar dados e não pede senha. O único canal oficial para consulta e solicitação é o sistema do Banco Central.
Serviço simples, mas ainda subutilizado
O dado mais relevante é menos chamativo do que parece: mesmo depois de bilhões devolvidos, ainda há R$ 10,5 bilhões parados. Isso mostra que o SVR se consolidou como ferramenta útil, mas ainda não foi totalmente incorporado à rotina dos brasileiros. E, convenhamos, deixar dinheiro dormindo em banco já é ruim; descobrir depois que ele estava lá e você nem sabia é quase um insulto financeiro personalizado.
Fontes e documentos:
– Estatísticas do Valores a Receber (Banco Central do Brasil)
– Sistema de Valores a Receber (SVR) (Banco Central do Brasil)
– Valores a Receber (Banco Central do Brasil)
– Solicitação automática de resgate de valores a receber (Banco Central do Brasil)
– Consultar e solicitar a devolução de Valores a Receber (Gov.br)

